Sexta-feira, 25 de novembro de 2005

34ª Semana do Tempo Comum,  2ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica verde

 

Felizes os que promovem a paz! (CF 2005)

 

Se não buscarmos o impossível, acabamos por não realizar o possível. (Leonardo Boff)

 

Hoje: Santa Catarina de Alexandria, virgem e mártir, Memória Facultativa (cor vermelha). Dia Internacional do Doador de Sangue, dia Internacional da Eliminação da violência contra a mulher.

 

I Leitura: Daniel (Dn 7, 2-14)

ENTRE AS NUVENS DO CÉU, VINHA UM COMO FILHO DE HOMEM

 

Eu, Daniel, [2]tive uma visão durante a noite: eis que os quatro ventos do céu revolviam o vasto mar, [3]e quatro grandes animais, diferentes uns dos outros, emergiam do mar. [4]O primeiro era semelhante a um leão, e tinha asas de águia; ainda estava olhando, quando lhe foram arrancadas as asas; ele foi erguido da terra e posto de pé como um homem, e foi-lhe dado um coração de homem. [5]Eis que surgiu outro animal, o segundo, semelhante a um urso, que estava erguido pela metade e tinha três costelas nas fauces entre os dentes; ouvia-se dizer: "Vamos, come mais carne".

 

[6]Continuei a olhar, e eis que assomou outro animal, semelhante a um leopardo; tinha no dorso quatro asas de ave, e havia no animal quatro cabeças. E foi-lhe dado poder. [7]Depois, eu insistia em minha visão noturna, e eis que apareceu o quarto animal, terrível, estranho e extremamente forte; com suas dentuças de ferro, tudo devorava e triturava, calcando aos pés o que sobrava; era bem diferente dos outros animais que eu vi antes, e tinha dez chifres. [8]Eu observava estes chifres, e eis que apontou entre eles outro chifre pequeno, e, em compensação, foram arrancados três dos primeiros chifres; e eis que neste chifre pequeno havia uns olhos como olhos de homem e uma boca que fazia ouvir uma fala muito forte.

 

[9]Eu continuava olhando até que foram colocados uns tronos, e um Ancião de muitos dias aí tomou lugar. Sua veste era branca como neve e os cabelos da cabeça, como lã pura; seu trono eram chamas de fogo, e as rodas do trono, como fogo em brasa. [10]Derramava-se aí um rio de fogo que nascia diante dele; serviam-no milhares de milhares, e milhões de milhões assistiam-no ao trono; foi instalado o tribunal e os livros foram abertos.

 

[11]Eu estava olhando para o lado das palavras fortes que o mencionado chifre fazia ouvir, quando percebi que o animal tinha sido morto, e vi que seu corpo fora feito em pedaços e tinha sido entregue ao fogo para queimar; [12]percebi também que aos restantes animais foi-lhes tirado o poder, sendo-lhes prolongada a vida por certo tempo. [13]Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. [14]Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá. Palavra do Senhor!

 

Comentando a 1ª leitura (1)

EIS QUE, ENTRE AS NUVENS DO CÉU, VINHA UM COMO FILHO DO HOMEM

 

A expressão "filho do homem", tão familiar e freqüente nos evangelhos (82vezes), é entendida por muitos como o mais belo modo de indicar a humanidade de Cristo. Faz alusão ao segredo da existência humana de Cristo e ao mistério de sua pessoa. Acontece, porém, que ele não se considera filho do homem em sentido pleno enquanto não tiver cumprido toda a obra que Deus lhe confiou: sofrer e ser crucificado (Mt 17,22; 26,2), depois sentar-se sobre as nuvens com podei; e julgar (Mt 24,30). O Filho do homem é, pois ao mesmo tempo, o Cristo vindo à terra para cumprir uma missão e o Cristo glorioso que julgará os povos. Este fato recorda à humanidade sofredora que ela será glorificada. O Filho do homem receberá "poder, glória, reino" sobre "todos os povos, nações, línguas", ‘reino que nunca será destruído".

 

Cântico: Dn 3, 75.76.77.78.79.80.81

 

LOUVAI-O E EXALTAI-O, PELOS SÉCULOS SEM FIM! (R/.59b)

 

Montes e colinas, bendizei o Senhor!

Plantas da terra, bendizei o Senhor!

 

Mares e rios, bendizei o Senhor!

Fontes e nascentes, bendizei o Senhor!

 

Baleias e peixes, bendizei o Senhor!

Pássaros do céu, bendizei o Senhor!

Feras e rebanhos, bendizei o Senhor!

 

Evangelho: Lucas (Lc 21, 29-33)

JESUS APONTA SINAIS INDICATIVOS D IMINÊNCIA DO REINO DE DEUS

 

Naquele tempo, [29]Jesus contou-lhes uma parábola: "Olhai a figueira e todas as árvores. [30]Quando vedes que elas estão dando brotos, logo sabeis que o verão está perto. [31]Vós também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o reino de Deus está perto. [32]Em verdade, eu vos digo: tudo isso vai acontecer antes que passe esta geração. [33]O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar". Palavra da Salvação!

 

Comentário o Evangelho (2)

A LIÇÃO DA FIGUEIRA

 

Os cristãos são admoestados a se manterem em contínuo estado de vigilância em relação à história, uma vez que ela está sendo fermentada pelas realidades escatológicas. Urge, pois, perceber como nela se manifestam os sinais do fim.

 

A mensagem de Jesus nada tem a ver com os apocalipses da época, reservados a um grupo restrito de iniciados. Jesus ensina publicamente, sem a preocupação de selecionar seus ouvintes. Embora só os discípulos o compreendam, sua doutrina deve ser anunciada a todos os povos. Basta abrir-se para ele, para entender o conteúdo de seus ensinamentos.

 

A figueira e as demais árvores foram empregadas para ilustrar a parábola da escatologia. Vendo-as frutificar, é possível afirmar, sem perigo de engano, que o verão se aproxima. Igualmente, pode-se declarar que algo de novo estará acontecendo na história, quando a morte ceder lugar à vida, a escravidão abrir espaço para a liberdade, a injustiça for sobrepujada pela justiça, o ódio e a inimizade forem vencidos pelo amor e pela reconciliação.

 

Este germinar de esperança é um sinal evidente da presença do Filho do Homem, fazendo a escatologia acontecer. Chegará um tempo de plenitude. Este, porém, está sendo preparado pela aproximação paulatina daquilo que todos esperamos.

 

SANTA CATARINA DE ALEXANDRIA (3)

 

Nascida em Alexandria no Egito, foi virgem ilustre e não somente por nobreza de nascimento, formosura, riqueza, mas também por um grau de ciência incomum. Era filha do Rei Costus do Egito. Um dia sua mãe apresentou-a a um eremita. Vendo ele a graça e a inteligência de Catarina resolveu ensinar a ela tudo sobre a vida cristã. Assim ela renunciou as riquezas e a vida de conforto que vivia e resolveu oferecer-se a Cristo e gastar sua fortuna ajudando aos pobres e necessitados. Sua mãe sempre esteve do seu lado, apoiando e incentivando a que ela prosseguisse na sua vida devotada a Cristo.

 

Durante toda sua vida dedicou-se com especial zelo à prática da virtude e da virgindade. Fiel a Cristo, amou-O como verdadeiro esposo. Soube por isso resistir ao afago e a brutalidade do imperador Maxentius que, tendo ido à Alexandria exigia que também ela oferecesse sacrifícios aos deuses.

 

Narra-se que apenas com 18 anos ela animava os cristãos e assim falou ao imperador:

 

“Por que queres perder esta multidão com o culto aos deuses? Aprende a conhecer a Deus, criador do mundo e ao seu único filho Jesus Cristo, que com a cruz livrou a humanidade do inferno.”

 

O imperador, impressionado pela coragem e formosura de Catarina convocou retóricos e filósofos para fazer mudar as idéias da jovem, mas aconteceu o contrário: a eloqüência da Santa convenceu de erros os próprios filósofos que se converteram ao cristianismo.

 

Derrotado em seus intentos o Imperador vingou-se, decretando a prisão de Catarina e, conta-se, durante o período em que permaneceu encarcerada foi nutrida milagrosamente por uma pomba e visitada por Jesus e pelos Anjos.

 

O imperador ordenou então que a jovem fosse dilacerada por uma roda munida de lâminas cortantes e ferros pontiagudos. Esta roda, porém, ao contato com o corpo da santa, despedaçou-se tendo seus pedaços atingido e esmagado alguns pagãos, ficando a virgem preservada do suplício. Após várias torturas, Catarina foi enfim decapitada.

 

A história diz que o corpo da Santa foi levado pelos anjos ao Monte Sinai onde, de fato, já antes do ano 1000 foi construído um famoso mosteiro. Neste mosteiro os monges acumularam uma rica biblioteca contendo preciosos códigos entre os quais, no século passado, foi encontrado um código do século IV escrito em grego contendo o antigo e novo testamentos, e que passou à história com o nome de Código Sinaítico, conservado no Museu de Londres.

 

Uma parte das relíquias da Santa foi levada por volta do ano 1000 a um convento Beneditino na França e se tornaram famosas pelo alto poder taumatúrgico.

 

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