Domingo, 20 de agosto de 2006

Assunção de Nossa Senhora, Ano “B”,  4ª Semana do Saltério (Livro III) cor branca

Hoje: Dia das Vocações Religiosas

Oração do Dia: Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu, em corpo e alma, a imaculada virgem Maria, mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

I Leitura: Apocalipse (Ap 11, 19a; 12, 1.3-6.10)

A ARCA DA NOVA ALIANÇA

[19ª]Abriu-se o Templo de Deus que está no céu e apareceu no Templo a arca da Aliança. [12,1]Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. [3]Então apareceu outro sinal no céu: um grande dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas. [4]Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. O dragão parou diante da mulher que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu filho, logo que nascesse. [5]E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. [6]A mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. [10]Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: "Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo". Palavra do Senhor!

Salmo: 44(45), 10bc.11.12ab.16 (R/.10b)

À VOSSA DIREITA SE ENCONTRA A RAINHA, COM VESTE ESPLENDENTE DE OUTRO DE OFIR

As filhas de reis vêm ao vosso encontro, e à vossa direita se encontra a rainha com veste esplendente de ouro de Ofir.  

Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: "Esquecei vosso povo e a casa paterna! Que o Rei se encante com vossa beleza! Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!  

Entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real".

II Leitura: Coríntios (1Cor 15, 20-27a)

A MORTE FOI DERROTADA E O QUE PREVALECE É A VIDA ETERNA

Irmãos, [20]Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. [21]Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. [22]Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. [23]Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. [24]A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força.  

[25]Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. [26]O último inimigo a ser destruído é a morte. [27ª]Com efeito, "Deus pôs tudo debaixo de seus pés". Palavra do Senhor!

Evangelho: Lucas (Lc 1, 39-56)

BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES E BENDITO É O FRUTO DO TEU VENTRE 

Naqueles dias, [39]Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia. [40]Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. [41]Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. [42]Com um grande grito, exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! [43]Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? [44]Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. [45]Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu".  

[46]Então Maria disse: "A minha alma engrandece o Senhor, [47]e o meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, [48]porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, [49]porque o todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. [51]Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. [52]Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. [53]Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. [54]Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, [55]conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre". [56]Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa. Palavra da Salvação!

Comentário o Evangelho (1)

O SENHOR FEZ GRANDES COISAS

A fé eclesial, contemplando Maria a partir do Mistério Pascal de Jesus, professa que ela, no término de sua caminha terrestre, foi elevada ao céu. A Igreja fala em assunção, ou seja, Maria foi assumida por Deus e colocada na glória celeste. Trata-se da ação de Deus fazendo grandes coisas na vida da mãe do Salvador. Não uma ação isolada, e sim, o ápice de uma sucessão de graças na vida de quem foi cheia de graça.

A assunção de Maria brotou da Ressurreição de Jesus. É como se Maria tivesse seguido o caminho novo de acesso ao Pai, aberto pelo Filho Jesus. Deus, de certo modo, antecipou em Maria o que haveria de ser o destino de toda a humanidade. A Ressurreição de Jesus foi penhor de ressurreição para todo ser humano. Em Maria, isto já se fez realidade.

A assunção situa-se no contexto da fé de Maria. Ela havia proclamado que Deus exalta os humildes e destrói a segurança dos soberbos. Sua vida caracterizou-se pela humildade e pelo espírito de serviço. Ela se sabia serva humilde do Senhor, transcorrendo sua vida no escondimento. A condição de mãe do Messias não a tornou orgulhosa e cheia de si. A Maria exaltada na assunção foi a mulher humilde e servidora. Deus levou para junto de si a mulher cuja vida transcorrera em total comunhão com ele. A assunção, por conseguinte, consistiu na radicalização de uma experiência constante na vida de Maria.

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA(2)

O dogma da Assunção foi definido no ano de 1950, durante o pontificado de Pio XII. Ignoramos se, como e quando se deu a morte de Maria, desde muito cedo festejada como "dormição". É uma solenidade que, correspondendo ao natal (morte) dos outros santos, é considerada a festa principal da Virgem. O dia 15 de agosto lembra provavelmente a dedicação de uma grande igreja a Maria, em Jerusalém.

A Igreja celebra hoje em Nossa Senhora a realização do Mistério pascal. Sendo Maria a "cheia de graça", sem sombra alguma de pecado, quis o Pai associá-la à ressurreição de Jesus.

Assunta ao céu, Maria está mais perto de nós

As três leituras da missa apresentam muito concretamente os valores da assunção de Maria, o lugar que tem no plano da salvação e suas mensagens à humanidade.

Maria é a verdadeira ‘arca da aliança", é a "mulher vestida de sol", imagem da Igreja (1ª leitura). Como a arca construída por Moisés estava no Templo, porque era "sinal e instrumento da aliança de Deus com seu povo eleito, Maria está no céu em sua integridade humana porque «sinal e instrumento" da nova aliança. A arca continha a Lei e, por ela, Deus respondia aos pedidos do povo; Maria nos oferece Jesus, o proclamador da lei do amor, o realizador da nova aliança de salvação; nele o Pai nos fala e nos escuta. Maria é figura e primícias da Igreja, mãe do Cristo e dos homens, que ela gerou para Deus na dor, sob a cruz do Filho; é, portanto, anúncio da salvação total que se realizará no reino de Deus.

Isto se dará por obra do Cristo ressuscitado (2ª leitura), modelo e realizador da ressurreição final gloriosa, comunicada em primeiro lugar a Maria, por causa de sua maternidade divina. A Virgem Imaculada foi o anúncio do fim da redenção, que é levar os homens a uma inocência integral; a Virgem da Assunção é anúncio da meta final da redenção: a glorificação da humanidade em Cristo. Maria chama hoje os cristãos a se considerarem inseridos na história da salvação e destinados a conformar-se a Cristo na glória, felicidade infinita no encontro comunitário da casa do Pai. Por isto, diz o Concilio que a Assunção de Maria é dada à Igreja, aos homens, como "sinal de segura esperança e de consolação". Maria mesma transmite suas mensagens aos homens no seu "Magnificat" (evangelho). Proclama que Deus realizou uma tríplice inversão de falsas situações humanas, para restaurar a humanidade na salvação, obra de Cristo. No campo religioso, Deus derruba as auto-suficiências humanas; confunde os planos dos que nutrem pensamentos de soberba, erguem-se contra Deus e oprimem os homens. No campo político Deus destrói os injustificáveis desníveis humanos, abate os poderosos dos tronos e exalta os humildes; repele aqueles que se apoderam indevidamente dos povos, e aprova os que os servem para promover o bem das pessoas e da sociedade, sem discriminações raciais, culturais ou políticas. No campo social Deus transtorna a aristocracia estabelecida sobre o ouro e os meios de poder; cumula de bens os necessitados e despede de mãos vazias os ricos, para instaurar uma verdadeira fraternidade na sociedade e entre os povos, porque todos são filhos de Deus.

Assim, as festas da Imaculada e da Assunção nos lembram toda a história da salvação, aquela história que se realiza hoje para nós, e que, rogamos a Maria, nossa mãe, conduza a plenitude.

Maria, imagem da Igreja

Maria, glorificada na Assunção, é a criatura que atingiu a plenitude da salvação, até a transfiguração do corpo. É a mulher vestida de sol e coroada de doze estrelas. É a mãe que nos espera e convida a caminhar para o reino de Deus. A Mãe do Senhor é a imagem da Igreja: luminosa garantia de seu destino de salvação, porque o Espírito do Ressuscitado cumprirá plenamente sua missão em todos nós, como o fez nela, que já é aquilo que nós seremos.

Muitos não gostam de ouvir falar em "salvação das almas". Expressando-se assim, parece-lhes que a vida, com suas cores, sabores e complementos que a tornam agradável, vá desaparecer; parece-lhes que o corpo não serve para nada. Têm razão, porque não será assim. Maria, assunta ao céu é garantia de que o homem todo se salva, de que os corpos ressurgirão. Para o cristão, a salvação é a ressurreição dos corpos, um mundo novo e a terra nova. Na eucaristia, pão de imortalidade, se encontram os alimentos-base do homem, frutos da terra, da videira e do trabalho do homem; é precisamente a eucaristia a garantia cotidiana de que a salvação atinge o homem todo na sua situação concreta, para arrebatá-lo à morte, a mais terrível inimiga do progresso.

1 Evangelho nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas

2 Missal Dominical, ©Paulus, 1997

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