Sabado, dia 03 de Maio de 2008

S. Filipe e S. Tiago (menor), Apóstolos ,   ,   São Filipe, apóstolo ,   S. Tiago Menor, apóstolo

1ª Carta aos Coríntios 15,1-8.

Lembro-vos, irmãos, o evangelho que vos anunciei, que vós recebestes, no qual permaneceis firmes e pelo qual sereis salvos, se o guardardes tal como eu vo-lo anunciei; de outro modo, teríeis acreditado em vão.

Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas e depois aos Doze.

Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez, a maior parte dos quais ainda vive, enquanto alguns já morreram.
Depois apareceu a Tiago e, a seguir, a todos os Apóstolos.
Em último lugar, apareceu-me também a mim, como a um aborto.

Livro de Salmos 19(18),2-3.4-5.

Os céus proclamam a glória de Deus; o firmamento anuncia a obra das suas mãos.

Um dia passa ao outro esta mensagem e uma noite dá conhecimento à outra noite.
Não são palavras nem discursos cujo sentido se não perceba.

Seu eco ressoou por toda a terra, e a sua palavra, até aos confins do mundo. Deus fez, lá no alto, uma tenda para o Sol,

Evangelho segundo S. João 14,6-14.

Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim.
Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo.»
Disse-lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!»

Jesus disse-lhe: «Há tanto tempo que estou convosco, e não me ficaste a conhecer, Filipe? Quem me vê, vê o Pai. Como é que me dizes, então, ‘mostra-nos o Pai’?
Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As coisas que Eu vos digo não as manifesto por mim mesmo: é o Pai, que, estando em mim, realiza as suas obras.
Crede-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim; crede, ao menos, por causa dessas mesmas obras.

Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai,
e o que pedirdes em meu nome Eu o farei, de modo que, no Filho, se manifeste a glória do Pai. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu o farei.»

Da Bíblia Sagrada

Santo Hilário (c. 315 – 367), bispo de Poitiers, doutor da Igreja
Sobre a Trindade, 7, 34-36

"Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta"

Jesus disse: "Se me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas já o conheceis e o vistes". Vê-se o homem Jesus Cristo. Os apóstolos têm diante dos olhos o seu aspecto exterior, isto é, a sua natureza de homem, ao passo que Deus, liberto de toda a carne, não é reconhecível no miserável corpo carnal. Como é então que conhecer a Cristo pode ser também conhecer o Pai?
Estas palavras inesperadas perturbam o apóstolo Filipe; a fraqueza do seu espírito humano não lhe permite compreender uma afirmação tão estranha…

Então, com a impetuosidade que lhe permitiam a sua familiaridade e a sua fidelidade de apóstolo, ele interroga o Mestre: "Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta!" Não é que ele deseje contemplar o Pai com os seus olhos físicos, mas pede para compreender aquilo que vê com os seus olhos. Porque, vendo o Filho na sua forma humana, ele não compreende como, desse modo, tinha visto o Pai…

O Senhor responde-lhe então: "Há tanto tempo que estou convosco e não me conheces, Filipe?" Repreende-o por ignorar quem ele era… Porque é que não o tinham reconhecido, a ele que há tanto tempo procuravam? É que, para o reconhecerem, era preciso reconhecer que a divindade, a natureza do Pai, estava nele. Na verdade, todas as obras que ele tinha feito eram próprias de Deus: caminhar sobre as águas, dar ordens aos ventos, realizar coisas impossíveis de compreender, tais como mudar a água em vinho ou multiplcar os pães…,

afugentar os demónios, expulsar as doenças, dar remédio às enfermidades do corpo, corrigir as malformações congénitas, perdoar os pecados, devolver a vida aos mortos. Eis tudo o que o seu corpo de carne tinha feito, e tudo isso lhe permite proclamar-se Filho de Deus. Daí a sua reprimenda e a sua queixa: por causa da realidade misteriosa do seu nascimento humano, não se tinham apercebido da natureza divina que realizava estes milagres nessa natureza humana que o Filho tinha assumido.