Terça-feira, dia 13 de Maio de 2008

Nossa Senhora de Fátima ,   Nossa Senhora de Fátima

Carta de S. Tiago 1,12-18.

Feliz o homem que resiste à tentação, porque, depois de ter sido provado, receberá a coroa da vida que o Senhor prometeu aos que o amam. Ninguém diga, quando for tentado para o mal: «É Deus que me tenta.» Porque Deus não é tentado pelo mal, nem tenta ninguém.
Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e seduz.

E a concupiscência, depois de ter concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, no qual não há mudanças nem períodos de sombra. Por sua livre decisão, nos gerou com a palavra da verdade, para sermos como que as primícias das suas criaturas.

Livro de Salmos 94(93),12-13.14-15.18-19.

SENHOR, feliz o homem a quem tu corriges e instruis na tua lei!

Esse terá descanso nos dias maus, enquanto se abre a cova para o ímpio. SENHOR não abandona o seu povo nem despreza a sua herança.

De novo há-de voltar a haver justiça, e hão-de segui-la todos os de coração recto.
Quando digo: «Os meus pés vacilam», logo a tua bondade, SENHOR, me ampara.

Quando se avolumam as angústias dentro em mim, as tuas consolações confortam a minha alma.

Evangelho segundo S. Marcos 8,14-21.

Os discípulos tinham-se esquecido de levar pães e só traziam um pão no barco.
Jesus começou a avisá-los, dizendo: «Olhai: tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.»
E eles discorriam entre si: «Não temos pão.»
Mas Ele, percebendo-o, disse: «Porque estais a discorrer que não tendes pão? Ainda não entendestes nem compreendestes? Tendes o vosso coração endurecido?

Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis? E não vos lembrais de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil?» Responderam: «Doze.»
«E quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de bocados recolhestes?» Responderam: «Sete.»
Disse-lhes então: «Ainda não compreendeis?»

Da Bíblia Sagrada

Jean Pierre de Caussade (1675-1751), jesuita
Abandono na Providência divina (§26)

«Ainda não entendestes nem compreendestes?»

Se perfurássemos o véu, e se estivéssemos vigilantes e atentos, Deus revelar-Se-nos-ia sem cessar e usufruiríamos da Sua acção em tudo quanto nos acontece, dizendo perante todas as coisas: «Dominus est, é o Senhor!» (Jo, 21, 7). E descobriríamos em todas as circunstâncias um dom de Deus.

Consideraríamos as criaturas frágeis instrumentos nas mãos de um obreiro omnipotente; e reconheceríamos sem dificuldade que nada nos falta, e que a contínua atenção de Deus O leva a proporcionar-nos em cada instante aquilo que nos convém. Se tivéssemos fé, teríamos boa vontade para com todas as criaturas; haveríamos de as acariciar, interiormente gratos pelo facto de elas servirem e se tornarem favoráveis à nossa perfeição, aplicada pela mão de Deus. Se vivêssemos ininterruptamente uma vida de fé, estaríamos em permanente comércio com Deus, falando com Ele a todo o momento.

A fé é intérprete de Deus; sem os esclarecimentos que ela proporciona, não compreendemos a linguagem das criaturas. Esta é uma escrita em números, onde apenas vemos confusão; uma amálgama de espinhos, de onde não nos ocorre que Deus possa falar. Mas a fé permite-nos ver, como Moisés, o fogo da caridade divina que arde no seio destes espinhos (Ex 3, 2); a fé dá-nos a chave destes números, permitindo-nos descobrir, no meio da confusão, as maravilhas da sabedoria do alto. A fé confere um rosto celeste a toda a terra; é por meio dela que o coração é transportado, arrebatado, para conversar no céu. […] A fé é a chave dos tesouros, a chave do abismo, a chave da ciência de Deus.