Sabado, dia 17 de Maio de 2008

S. Pascoal Bailão, religioso leigo, +1592

Carta de S. Tiago 3,1-10.

Meus irmãos, não haja muitos entre vós que pretendam ser mestres, sabendo que nós teremos um julgamento mais severo,
pois todos nós falhamos com frequência. Se alguém não peca pela palavra, esse é um homem perfeito, capaz também de dominar todo o seu corpo. Quando pomos um freio na boca do cavalo para que nos obedeça, dirigimos todo o seu corpo.

Vede também os barcos: por grandes que sejam e fustigados por ventos impetuosos, são dirigidos com um pequeno leme para onde quer a vontade do piloto.
Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede como um pequeno fogo pode incendiar uma grande floresta!

Assim também a língua é fogo, é um mundo de iniquidade; entre os nossos membros, é ela que contamina todo o corpo e, inflamada pelo Inferno, incendeia o curso da nossa existência.
Todas as espécies de animais selvagens, de aves, de répteis e de animais do mar se podem domar e têm sido domadas pelo homem.
A língua, pelo contrário, ninguém a pode dominar: é um mal incontrolável, carregado de veneno mortal.

Com ela bendizemos quem é Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.
De uma mesma boca procedem a bênção e a maldição. Mas isto não deve ser assim, meus irmãos.

Livro de Salmos 12(11),2-3.4-5.7-8.

Salva-nos, SENHOR, pois cada vez há menos justos!

A lealdade desapareceu de entre os filhos dos homens.
Mentem uns aos outros; na sua língua só há engano, só há duplicidade no seu coração.

Que o SENHOR acabe com esses lábios de mentira, com toda a língua que profere arrogâncias, como aqueles que dizem: «Confiamos na força da nossa língua; os nossos lábios nos defenderão; quem nos poderá dominar?»

As palavras do SENHOR são verdadeiras; são como a prata limpa no crisol, sete vezes refinada.
Tu, SENHOR, cuidarás de nós e nos defenderás para sempre dessa gente.

Evangelho segundo S. Marcos 9,2-13.

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os, só a eles, a um monte elevado. E transfigurou-se diante deles.
As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que lavadeira alguma da terra as poderia branquear assim.
Apareceu-lhes Elias, juntamente com Moisés, e ambos falavam com Ele.
Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Mestre, bom é estarmos aqui; façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias.»

Não sabia que dizer, pois estavam assombrados.
Formou-se, então, uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o.» De repente, olhando em redor, já não viram ninguém, a não ser só Jesus, com eles.
Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, senão depois de o Filho do Homem ter ressuscitado dos mortos.

Eles guardaram a recomendação, discutindo uns com os outros o que seria ressuscitar de entre os mortos.
E fizeram-lhe esta pergunta: «Porque afirmam os doutores da Lei que primeiro há-de vir Elias?» Jesus respondeu-lhes: «Sim; Elias, vindo primeiro, restabelecerá todas as coisas; porém, não dizem as Escrituras que o Filho do Homem tem de padecer muito e ser desprezado?
Pois bem, digo-vos que Elias já veio e fizeram dele tudo o que quiseram, conforme está escrito.»

Da Bíblia Sagrada

Pedro, o Venerável (1092-1156), abade de Cluny
Sermão n.º 1 para a Transfiguração; PL 189, 959

«Mestre, bom é estarmos aqui»

«O seu rosto resplandeceu como o Sol» (Mt 17,2) […] Envolvida pela aura da carne, hoje resplandeceu a Luz verdadeira que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina (Jo 1,9). Hoje ela glorifica esta mesma carne, mostra-a deificada aos apóstolos para que estes a revelem ao mundo. E tu, cidade beatífica, fruirás eternamente a contemplação deste Sol, ao desceres do «céu, de junto de Deus […], já preparada, qual noiva adornada para o seu esposo» (Ap 21,2). Nunca mais esse Sol se porá para ti; para sempre Ele próprio fará raiar a manhã eterna.

Nunca mais esse Sol será velado por nuvem alguma, mas brilhará sem cessar, e cumular-te-á de uma luz que não declinará nunca. Nunca mais esse Sol te toldará os olhos, antes dar-te-á forças para que o olhes, e encantar-te-á com o seu esplendor divino […] «Não mais haverá morte nem luto, nem pranto, nem dor» (Ap 21,4) que ensombre o brilho que Deus te deu, pois, como foi dito a João: «O antigo mundo pereceu».

Eis o Sol de que fala o profeta: «Já não será o Sol que te iluminará durante o dia, nem a Lua durante a noite. O Senhor será a tua luz eterna, o teu Deus será o teu esplendor. (Is 60,19). Eis a luz eterna que resplandece para ti no rosto do Senhor. Escutas a voz do Senhor, contemplas o seu rosto resplandecente, e tornas-te como o Sol. Pois é pelo rosto que reconhecemos cada pessoa, e reconhecê-la, é como ficar iluminado por ela.

Aqui na terra acreditas pela fé; nos céus, reconhecerás. Aqui captas com a inteligência; lá, serás captado. Aqui, vês «como num espelho»; lá, verás «face a face» (1 Co 13,12) […] Assim se cumprirá o desejo do profeta: «Que Ele faça resplandecer em nós o seu rosto» (Sl 67,2) […] Nessa luz exultarás para sempre; nessa luz caminharás sem cansaço. Nessa luz, verás a luz eterna.

Paz e Bem!