Sexta-feira, dia 18 de Julho de 2008

Beato Bartolomeu dos Mártires, bispo, +1590

Livro de Isaías 38,1-6.21-22.7-8.

Por este tempo, o rei Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal. O profeta Isaías, filho de Amós, veio visitá-lo e disse-lhe: «Eis o que diz o SENHOR: Faz o testamento, porque vais morrer muito brevemente.»
Ezequias voltou o rosto para a parede e fez ao SENHOR esta oração:
«SENHOR, lembra-te que tenho andado fielmente diante de ti, com um coração sincero e íntegro, pois fiz sempre a tua vontade.» E começou a chorar, derramando lágrimas abundantes.

Então, a palavra do SENHOR foi dirigida a Isaías nestes termos:
«Vai e diz a Ezequias: ‘Eis o que diz o SENHOR, o Deus de teu pai David: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; vou acrescentar à tua vida mais quinze anos.
Hei-de livrar-te, a ti e a esta cidade, das mãos do rei da Assíria e protegê-la-ei.’»

Depois, Isaías deu esta ordem: «Tragam um emplastro de figos e apliquem-no na parte doente e ficará curado.»
E Ezequias perguntou: «Qual é o sinal que me garanta que ainda poderei ir ao templo do SENHOR?»
Isaías disse-lhe: «É este o sinal, da parte do SENHOR, para que saibas que Ele cumprirá a promessa:
No relógio de sol de Acaz farei retroceder a sombra dez graus, tantos quantos tinha avançado.» E o sol retrocedeu os dez graus que já tinha avançado.

Is. 38,10.11.12.16.

«Eu pensei: ‘A meio dos meus dias vou ter de descer às portas do Abismo, privado do resto dos meus anos’.

Eu pensei: ‘Não mais verei o SENHOR na terra dos vivos. Não mais verei os homens entre os habitantes do mundo.

A minha morada é levada para longe de mim, como uma tenda de pastor; enrolei a minha vida como um tecelão, mas acabou-se-me por falta de fio.

Dia e noite, SENHOR, me estais consumindo,
Aqueles que o Senhor protege vivem, e entre eles viverei também eu. Tu me curaste, ó Deus, e me conservaste a vida.

Evangelho segundo S. Mateus 12,1-8.

Em certa ocasião, Jesus passava, num dia de sábado, através das searas. Os seus discípulos, que tinham fome, começaram a arrancar espigas e a comê-las.
Ao verem isso, os fariseus disseram-lhe: «Aí estão os teus discípulos a fazer o que não é permitido ao sábado!»

Mas Ele respondeu-lhes: «Não lestes o que fez David, quando sentiu fome, ele e os que estavam com ele?
Como entrou na casa de Deus e comeu os pães da oferenda, que não lhe era permitido comer, nem aos que estavam com ele, mas unicamente aos sacerdotes?

E nunca lestes na Lei que, ao sábado, no templo, os sacerdotes violam o sábado e ficam sem culpa?
Ora, Eu digo vos que aqui está quem é maior que o templo.
E, se compreendêsseis o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício, não teríeis condenado estes que não têm culpa.
O Filho do Homem até do sábado é Senhor.»

Da Bíblia Sagrada

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja
Sobre o Génesis em sentido literal, IV, 13-14

Entrar no repouso de Deus

"Deus viu tudo o que tinha feito: era muito bom… E repousou, no sétimo dia, de todo trabalho que tinha realizado" (Gn 1,31 – 2,2) Vemos que as obras de Deus são boas e veremos o seu repouso depois das nossas obras, se elas forem boas. Foi como sinal deste repouso que Ele prescreveu ao povo dos Hebreus a observância do sábado.

Mas eles praticavam-na de uma forma tão material que incriminavam Nosso Senhor quando O viam operar a nossa salvação em dia de sábado. Isso valeu-lhes uma resposta perfeitamente justa: "O meu Pai, até agora, continua a realizar a sua obra e eu também a continuo" (Jo 5,17), não só governando com Ele toda a criação mas também realizando a nossa salvação.

Mas, quando a graça foi revelada, os fiéis foram libertos do preceito do sábado, que consistia na observância de um dia. Agora, pela graça, o cristão observa um "sábado" perpétuo, se tudo o que ele faz de bom o fizer na esperança do repouso que há-de vir e se não se glorificar das suas boas obras como se elas lhe pertencessem e não fossem algo que recebeu.

Agindo assim, e recebendo e considerando o sacramento do Baptismo como um "sábado", isto é, como o repouso do Senhor no seu túmulo (Rm 6,4), o cristão repousa das suas obras passadas, caminha pelas veredas de uma vida nova e reconhece que Deus age nele, Deus que simultaneamente age porque governa as suas criaturas e se repousa porque tem em si a tranquilidade eterna.

Deus não se fatigou ao criar, nem repousou ao cessar de criar; mas, pela linguagem da Sagrada Escritura, quis inspirar-nos o desejo do seu repouso… Quis santificar aquele dia… como se, mesmo para Ele que não se fatiga ao trabalhar, o repouso tivesse mais valor do que a acção.

É o que nos ensina o Evangelho quando o Senhor diz que Maria, ao sentar-se e permanecer em repouso aos seus pés para escutar a sua palavra, escolheu uma parte melhor do que a de Marta, mesmo se esta se ocupava com boas obras em ordem ao serviço (Lc 10, 39 sg).

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