Definição:

1. Nome vulgar do Sacramento da penitência; no respectivo rito, nome dado à acusação pelo penitente dos seus pecados; e ainda nome dado à fórmula de acusação genérica: “Confesso a Deus…”, usada no Sacramento e também no ato penitencial da missa.

2. Historicamente, também se chama confissão ao lugar do martírio do mártir ou do confessor da fé, bem como ao respectivo túmulo e altar sobre ele construído. É exemplo célebre de confissão o da basílica de S. Pedro do Vaticano, assente sobre o túmulo do Príncipe dos apóstolos, como comprovaram escavações arqueológicas recentes. (D. Manoel Freire Falcão)

Quer nos sacrifícios da Antiga Lei, quer no batismo de João, as pessoas confessavam-se pecadoras (Lv 4; 23,26-32; Mt 3,6; Mc 1,4-5; LC 3,3-14). Cristo, com efeito, veio para os que se confessam pecadores (Mt 9,13; 11,19; 1Tm 1,5). Os evangelistas contam-nos algumas destas confissões (LC 5,8; 7,36-50; 19,1-10; Jo 4,5-42; LC 15,11-32; 18,9-14). Os apóstolos falam da confissão dos pecados (1Jo 1,9-10; At 19,18; Jo 20,23; Mt 18,18; Tg 5,16).

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"Toda a força da penitência reside no fato de ela nos reconstituir na graça de Deus e de nos unir a Ele com a máxima amizade." Portanto, a finalidade e o efeito deste Sacramento é a reconciliação com Deus. Os que recebem o Sacramento da penitência com coração contrito e disposição religiosa "podem usufruir a paz e a tranqüilidade da consciência, que vem acompanhada de uma intensa consolação espiritual".

Com efeito, o Sacramento da reconciliação com Deus traz consigo uma verdadeira "ressurreição espiritual", uma restituição da dignidade e dos bens da vida dos Filhos de Deus, entre os quais o mais precioso é a amizade de Deus (Cf LC 15,32). (CIC 1468)

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SANTOS:

"E novamente quero recomendar três coisas à alma que deseje decididamente buscar a santidade e dar fruto, ou seja, tirar proveito da confissão.

Em primeiro lugar, total sinceridade e franqueza. O mais santo e mais sábio confessor não consegue derramar à força na alma aquilo que deseja, se a alma não for sincera e franca. A alma insincera, reticente, expõe-se a grandes perigos na vida espiritual e o próprio Senhor não se comunica a essa alma num nível mais elevado, porque sabe que ela não tiraria proveito dessas graças especiais.

Segundo: humildade. A alma não tira o devido proveito do Sacramento da Confissão se não é humilde. O orgulho mantém a alma nas trevas. Ela não sabe e não quer penetrar devidamente no fundo da sua miséria; esconde-se atrás de uma máscara evitando tudo que a possa curar.

Terceiro: obediência. A alma desobediente não obterá nenhuma vitória, ainda que o próprio Nosso Senhor a ouvisse diretamente em confissão. O mais experiente confessor em nada poderá ajudar a uma alma de tal natureza. A alma desobediente se expõe a grandes desgraças; não progredirá na perfeição nem na vida espiritual. Deus cumula generosamente a alma das graças, mas somente se ela for obediente." (Sta M. Faustina Kowalska. ponto 113).

PENITÊNCIA

Definição:

É metanóia -conversão -mudança de vida (2Sm 12,14-23; Is 1,16-19; Jl 2,12-19; Ez 18,30s; 33,10s; LC 13,4s; 24,46s; Mt 3,2.8; 11,21s; LC 13,3; Ap 2,5; At 3,19; Ef 4,20-24; 1Jo 1,8-10).

A penitência deve ser interior (Is 58,5-7; Jr 4,4; 9,24s; Rm 2,29; Cl 2,11; Gl 5,6; 6,15), mas manifesta-se também em ritos exteriores (Lv 4-5; 16,1-19; Nm 29,7-11; LC 5,8; 18,9).

É uma virtude: Dt 4,9; Jó 42,6; Sl 51,10; Eclo 2,18; 1Cor 11,31; Cl 3,9.

O batismo – Sacramento da penitência ou da conversão: batismo de João (Mt 3,6; Mc 1,4s; LC 3,3-14). batismo cristão (At 2,38; 3,19; 5,31; 11,18; 17,30; 22,16; 26,20).

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SANTOS:

– "Apressai-vos desde o princípio a aplicar o remédio, por que, se o mal tiver tempo de crescer no coração, tarde virá a medicina." (S. João da cruz)

PENSAMENTOS:

"Senhor, aceito a morte em remissão dos meus pecados, quando quiseres, onde quiseres, como quiseres. Agora mesmo, se assim o quiseres. Mas também gostaria de pular o purgatório "a la torera"..

Senhor, se me concedes um pouco mais de tempo – spatium verae paenitentiae (tempo de verdadeira penitência) -, para apagar com muito amor os meus pecados e preencher todos os buracos – as omissões – que há na minha vida, eu vou ficar muito agradecido." (Pe Ângelo Ballbé)

CREIO NO PERDÃO DOS PECADOS

INTRODUÇÃO:

O mistério glorioso da ressurreição de Jesus traz ao mundo o presente excepcional da paz – a saudação do ressuscitado a seus discípulos -, e o perdão dos pecados que Cristo anuncia e outorga aos Apóstolos no mesmo dia da ressurreição. São como as duas faces da mesma moeda: o perdão que gera a paz e a paz que brota do perdão dos pecados.

O perdão dos pecados marca a missão de Cristo no mundo, pois como diz São Paulo: “se entregou por nossos pecados e ressuscitou por nossa justificação” (Romanos 4,25), com o resultado da paz que nos consegue, porque “Ele é a nossa paz” (Efésios 2,14). Jesus significa Salvador: vem salvar o povo de seus pecados.

Em consonância com esta missão, o Senhor tinha exercido sua misericórdia com os pecadores, mas era imprescindível que tal poder se concedesse aos homens. Por isso quis comunicá-lo a sua Igreja, e na aparição da tarde da ressurreição disse aos Apóstolos: “Recebei o Espírito Santo: a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados” (João 20,23). Na Igreja, portanto, existe o perdão dos pecados em virtude de uma condescendência infinita de Deus para com a humanidade.

O Símbolo dos Apóstolos professa a fé no perdão dos pecados: “Creio… no perdão dos pecados”, que no símbolo niceno-constantinopolitano se explícita dizendo: “Confesso que há um só batismo, para a remissão dos pecados”. Mais adiante se explicitará o papel do batismo na remissão do pecado e também o do sacramento da penitência.

IDÉIAS PRINCIPAIS:

1. Somos pecadores

O homem nasce com o pecado original, herdado dos primeiros pais, Adão e Eva. Ainda mais, ao largo da vida, todos pecamos: ofendemos a Deus porque não cumprimos o que Ele nos pede; ofendemos também a nossos irmãos e, com isso, ofendemos a Deus. O ser humano tem uma grande necessidade do perdão de Deus.

2. Cristo perdoava os pecados

Enquanto Jesus Cristo esteve na terra, perdoava os pecados daqueles que se arrependiam. No Evangelho se destaca este poder de Cristo, que podia exercê-lo por ser verdadeiro Deus, além de homem verdadeiro. “Tem confiança, filho, teus pecados te são perdoados” (Mateus 9,2), diz ao paralítico. E à mulher pecadora, que se apresenta na casa de Simão, lhe diz: “Teus pecados ficam perdoados” (Lucas 7,48).

3. Cristo entrega o poder de perdoar os pecados à Igreja

Quando na tarde da ressurreição Cristo dá o Espírito Santo a seus Apóstolos, lhes deu justamente o poder de perdoar os pecados: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (João 20,22-23). A Igreja exerce este poder sobretudo no batismo e na penitência.

4. Há um só batismo para o perdão dos pecados

No momento da ascensão ao céu, Jesus disse a seus Apóstolos: “Ide pelo mundo inteiro e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado, será salvo; quem não crer, será condenado” (Marcos 16,15-16). Cristo quis vincular o perdão dos pecados à fé e ao batismo. O batismo é o primeiro sacramento que perdoa os pecados e os apaga completamente, ainda que não livre o ser humano da debilidade de sua natureza nem da concupiscência.

5. O sacramento da penitência

Sendo tão radical o efeito do batismo, caberia pensar em uma posterior inocência definitiva; porém, a liberdade do ser humano é frágil e faz-se necessário o perdão. Cristo conhecia nossa condição e dispôs outro meio de reconciliação para os que tiverem caído depois do batismo: o sacramento da penitência que nos reconcilia com Deus e com a Igreja.

6. A Igreja pode perdoar os pecados, em nome de Jesus

Não há nenhum pecado, por grave que seja, que a Igreja não possa perdoar. Cristo nos remiu do pecado oferecendo sua vida pela humanidade e quis que na Igreja estivessem abertas as portas do perdão a quem se arrepende de seus pecados. Na Igreja, o poder de perdoar os pecados pelo sacramento da penitência, possuem unicamente os que receberam a potestade sacerdotal no Sacramento da Ordem, a saber: os bispos e os presbíteros (os padres).

7. Temos de agradecer este dom de Cristo a sua Igreja

Que fácil fica dar graças a Deus por ter dado a sua Igreja o poder de perdoar os pecados! São João Crisóstomo dizia: “Os sacerdotes receberam um poder que Deus não deu nem aos anjos, nem aos arcanjos… Deus sanciona lá no alto tudo o que os sacerdotes façam aqui embaixo”. E Santo Agostinho: “Se na Igreja não houvesse remissão dos pecados, não existiria nenhuma esperança, nenhuma expectativa de uma vida eterna e de uma libertação eterna. Demos graças a Deus que deu à Igreja semelhante dom”.

PROPÓSITOS DE VIDA CRISTÃ:

– Buscar com freqüência, e bem arrependidos, o sacramento da penitência.

– Dar muitas graças a Deus pelo imenso dom de Cristo a sua Igreja: a missão e o poder de perdoar verdadeiramente os pecados.

BIBLIOGRAFIA:

1. Material baseado no livro "Curso de Catequesis" do Editorial Palavra, España de autoria de Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela e traduzido para o português pelo Pe. Antônio Carlos Rossi Keller.

2. Catecismo da Igreja Católica

3. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica

Fonte: http://www.presbiteros.com.br