Terça-feira, dia 02 de Setembro de 2008

Santa Doroteia, mártir, séc. II

1ª Carta aos Coríntios 2,10-16.

A nós, porém, Deus o revelou por meio do Espírito. Pois o Espírito tudo penetra, até as profundidades de Deus.
Quem, de entre os homens, conhece o que há no homem, senão o espírito do homem que nele habita? Assim também, as coisas que são de Deus, ninguém as conhece, a não ser o Espírito de Deus.
Quanto a nós, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus, para podermos conhecer os dons da graça de Deus.

E deles não falamos com palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que o Espírito inspira, falando de realidades espirituais em termos espirituais.
O homem terreno não aceita o que vem do Espírito de Deus, pois é uma loucura para ele. Não o pode compreender, pois só de modo espiritual pode ser avaliado.
Pelo contrário, o homem espiritual julga todas as coisas e a ele ninguém o pode julgar. Pois quem conheceu o pensamento do Senhor, para poder instruí-lo? Mas nós temos o pensamento de Cristo.

Livro de Salmos 145(144),8-9.10-11.12-13.13-14.

O SENHOR é clemente e compassivo, é paciente e misericordioso.
O SENHOR é bom para com todos; a sua ternura repassa todas as suas obras.

Louvem-te, SENHOR, todas as tuas criaturas; todos os teus fiéis te bendigam.
Dêem a conhecer a glória do teu reino e anunciem os teus feitos poderosos,
para mostrar aos homens as tuas proezas e o esplendor glorioso do teu reino.

Teu reino é um reino para toda a eternidade e o teu domínio estende-se por todas as gerações.
O SENHOR ergue todos os que caem e reanima todos os abatidos.

Evangelho segundo S. Lucas 4,31-37.

Desceu, depois, a Cafarnaúm, cidade da Galileia, e a todos ensinava ao sábado.
E estavam maravilhados com o seu ensino, porque falava com autoridade.
Encontrava-se na sinagoga um homem que tinha um espírito demoníaco, o qual se pôs a bradar em alta voz:
«Ah! Que tens que ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus!»

Jesus ordenou-lhe: «Cala-te e sai desse homem!» O demónio, arremessando o homem para o meio da assistência, saiu dele sem lhe fazer mal algum.
Dominados pelo espanto, diziam uns aos outros: «Que palavra é esta? Ordena com autoridade e poder aos espíritos malignos, e eles saem!»
A sua fama espalhou-se por todos os lugares daquela região.

Da Bíblia Sagrada

Cardeal José Ratzinger (Papa Bento XVI)
Sermões de Quaresma, 1981

"Que palavra é esta?"

O instante a que a Bíblia chama "o princípio" mostra-nos Aquele que tinha o poder de criar o ser e de dizer: "Faça-se!" e isso ser feito (Gn 1,1-3)… Essa palavra "Faça-se!" não gerou um magma caótico. Quanto mais conhecemos o universo, mais encontramos nele uma racionalidade cujos caminhos, ao serem percorridos pelo pensamento, nos deixam maravilhados. Através deles, descobrimos esse Espírito criador a quem devemos igualmente a razão. Albert Einstein escreveu que, nas leis da natureza, "se manifesta uma razão tão superior que toda a racionalidade do pensamento e da vontade humana parece ser, por comparação, um reflexo absolutamente insignificante".

Constatamos que o infinitamente grande, o universo das estrelas, é regido pelo poder de uma Razão [Logos]. Mas aprendemos igualmente cada vez mais acerca do infinitamente pequeno, a célula, os elementos fundamentais do ser vivo. Também aí descobrimos uma racionalidade que nos espanta, de tal forma que temos de dizer, com S. Boaventura: "Quem não vê isso, é cego. Quem não o ouve, é surdo. E quem não começa a rezar e a louvar o Espírito criador, é mudo"…

Através da racionalidade da criação, o próprio Deus nos olha. A física e a biologia, todas as ciências em geral, nos ofereceram uma nova e inaudita narrativa da criação. Essas imagens grandes e novas fazem-nos conhecer o rosto do Criador. Recordam-nos que, no princípio, e no mais profunco de cada ser, está o Espírito criador. O mundo não saíu das tevas e do absurdo. Brotou da inteligência, da liberdade, da beleza que é amor. Ver tudo isto dá-nos a coragem que nos permite viver e nos torna capazes de, com confiança, tomar sobre os nossos ombros a aventura da vida.

PAZ E BEM!

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