Quinta-feira, dia 25 de Setembro de 2008

S. Firmino, bispo, mártir, séc. III

Livro de Eclesiastes 1,2-11.

Ilusão das ilusões – disse Qohélet – ilusão das ilusões: tudo é ilusão.
Que proveito pode tirar o homem de todo o esforço que faz debaixo do Sol? Uma geração passa, outra vem; e a terra permanece sempre. O Sol nasce e o Sol põe-se e visa o ponto donde volta a despontar. O vento vai em direcção ao sul, depois ruma ao norte; e gira, torna a girar e passa, e recomeça as suas idas e vindas.

Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche. Para onde sempre correram, continuam os rios a correr. Todas as palavras estão gastas, o homem não consegue já dizê-las. A vista não se sacia com o que vê, nem o ouvido se contenta com o que ouve. Aquilo que foi é aquilo que será; aquilo que foi feito, há-de voltar a fazer-se: e nada há de novo debaixo do Sol!

Se de alguma coisa alguém diz: «Eis aí algo de novo!», ela já existia nas eras que nos precederam. Não há memória das coisas antigas; e também não haverá memória do que há-de suceder depois; nem ficará disso memória entre aqueles que hão-de vir mais tarde.

Livro de Salmos 90(89),3-4.5-6.12-13.14.17.

— Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: "Voltai ao pó, filhos de Adão!" Pois mil anos para nós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou.

— Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca.

— Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos!

— Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.

Evangelho segundo S. Lucas 9,7-9.

O tetrarca Herodes ouviu dizer tudo o que se passava; e andava perplexo, pois alguns diziam que João ressuscitara dos mortos; outros,
que Elias aparecera, e outros, que um dos antigos profetas ressuscitara.
Herodes disse: «A João mandei-o eu decapitar, mas quem é este de quem oiço dizer semelhantes coisas?» E procurava vê-lo.

Da Bíblia Sagrada

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão e doutor da Igreja
Comentário sobre o evangelho de S. Lucas, I, 27

"Herodes procurava vê-lo"

Neste mundo, o Senhor só é visto quando quer. Não há de que nos espantarmos. Mesmo na ressurreição, só foi dado ver Deus aos que tinham o coração puro: "Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus" (Mt 5,8). Quantos bem-aventurados não tinha Jesus enumerado já e, contudo, não lhes tinha prometido esta possibilidade de verem Deus. Se, portanto, aqueles que têm o coração puro hão-de ver Deus, seguramente que os outros não o verão…; aquele que não quis ver Deus não pode ver Deus.

Porque Deus não se vê num lugar mas através de um coração puro. Não são os olhos do corpo que procuram Deus; ele não é captado pelo olhar, nem tocado pelo tacto, nem ouvido numa conversa, nem reconhecido numa atitude. Julgamo-lo ausente e vemo-lo; está presente e não o vemos. Aliás, nem todos os apóstolos viam Cristo; foi por isso que ele lhes disse: "Há tanto tempo que estou convosco e ainda não me conheceis?" (Jo 19,9)

Com efeito, todo aquele que conheceu qual é "a largura, o comprimento, a altura e a profundidade – o amor de Cristo que ultrapassa todo o conhecimento" (Ef 3,18-19), esse viu também Cristo, viu também o Pai. Porque, no que nos toca, não é segundo a carne que conhecemos Cristo (2Co 6,16), mas segundo o Espírito: "O Espírito que está diante da nossa face é o Ungido do Senhor, o Cristo" (Lm 420). Que ele se digne, na sua misericórdia, cumular-nos com toda a plenitude de Deus, a fim de que o possamos ver!

Paz e Bem!

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