Sabado, dia 27 de Setembro de 2008

S. Vicente de Paulo, presbítero, fundador, +1660

Livro de Eclesiastes 11,9-10.12,1-8.

Jovem, regozija-te na tua mocidade e alegra o teu coração na flor dos teus anos. Segue os impulsos do teu coração e o que agradar aos teus olhos, mas sabe que, de tudo isso, Deus te pedirá contas. Lança fora do teu coração a tristeza, poupa o sofrimento ao teu corpo: também a meninice e a juventude são ilusão.

Lembra-te do teu Criador nos dias da tua juventude,antes que venham os dias maus e cheguem os anos, dos quais dirás: «Não sinto neles prazer algum»; antes que escureçam o Sol e a luz, a Lua e as estrelas, e voltem as nuvens depois da chuva; quando os guardas da tua casa começarem a tremer, e os homens robustos, a vergar; quando as mós deixarem de moer por serem poucas, e se escurecer a vista dos que olham pela janela; quando se fecham as portas da rua, quando enfraquece a voz do moinho, quando se acorda com o piar de um pássaro e emudecem as canções.

Então, também haverá o medo das subidas, e haverá sobressaltos no caminho, enquanto a amendoeira abre em flor, o gafanhoto engorda, e a alcaparra perde as suas propriedades. Então, o homem encaminha-se para a sua casa da eternidade, e as carpideiras percorrem as ruas; antes que se rompa o cordão de prata e se quebre a bacia de oiro; antes que se parta a bilha na fonte, e se desenrole a roldana sobre a cisterna. Então o pó voltará à terra de onde saiu e o espírito voltará para Deus que o concedeu. Ilusão das ilusões – disse Qohélet – tudo é ilusão.

Livro de Salmos 90(89),3-4.5-6.12-13.14.17.

Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: "Voltai ao pó, filhos de Adão!" Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou.

— Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca.Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria!

— Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos! Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.

 

Evangelho segundo S. Lucas 9,43-45.

E todos estavam maravilhados com a grandeza de Deus. Estando todos admirados com tudo o que Ele fazia, Jesus disse aos seus discípulos :
«Prestai bem atenção ao que vou dizer-vos: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens.» Eles, porém, não entendiam aquela linguagem, porque lhes estava velada, de modo que não compreendiam e tinham receio de o interrogar a esse respeito.

Da Bíblia Sagrada

Cardeal Joseph Ratzinger [Papa Bento XVI]
Sermões para a Quaresma 1981, n.º 3

«O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens»

Depois de O terem flagelado, coroado de espinhos e de Lhe vestirem um manto de escárnio, os soldados romanos levaram Jesus a Pilatos. Este militar de coração duro ficou aparentemente incomodado com a visão daquele homem destruído, alquebrado. Apresentou-O à multidão, declarando: «Idou anthropos; Ecce homo», que traduzimos habitualmente por «Eis o homem!» (Jo 19,5).

Mas em grego isto quer dizer mais exactamente: «Vede, isto é o homem!» Na boca de Pilatos, estas palavras eram as de um cínico que queria dizer: «Nós gloriamo-nos de ser homens, mas agora, vede pois, ei-lo, este verme de terra é o homem! Como é desprezível e pequeno!» Nestas palavras cínicas, o evangelista João reconheceu igualmente palavras proféticas que transmitiu à cristandade.

Sim, Pilatos tem razão quando diz: «Vede, isto é o homem!» N’Ele, em Jesus Cristo, podemos ler o que o homem é, o projecto de Deus, e que tratamento lhe reservamos. Em Jesus dilacerado, podemos ver como o homem consegue ser cruel, pequeno e mesquinho. N’Ele, podemos ler a história do ódio do homem e a história do pecado.

N’Ele, no seu amor que sofre por nós, podemos ver ainda melhor a resposta de Deus: Sim, isto é o homem, que Deus amou até ao pó, que Deus amou a ponto de o seguir até ao derradeiro sofrimento da morte. Mesmo na humilhação extrema, ele é o chamado de Deus, o irmão de Jesus Cristo, chamado a tomar parte do amor eterno de Deus.

A pergunta «O que é o homem?» encontra resposta na imitação de Jesus Cristo. Fazendo nossos os seus passos, podemos aprender, dia após dia, o que é o homem, na paciência do amor e no sofrimento com Jesus Cristo, tornando-nos, assim, homens.

Então, quereremos erguer os olhos para Aquele que Pilatos, que a Igreja, nos apresentam. O homem é Ele. Oremos-Lhe, pedindo que nos ensine a nos tornarmos verdadeiramente homens, a sermos homens.

Paz e Bem!