Quarta-feira, dia 21 de Janeiro de 2009
Homilia pascal, 71-73 (trad. SC 123, p. 99 rev.)

Santa Inês, virgem mártir, +304

Carta aos Hebreus 7,1-3.15-17.

Este Melquisedec, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, foi ao encontro de Abraão quando ele voltava da derrota infligida aos reis e abençoou-o; Abraão concedeu-lhe o dízimo de todas as coisas; o seu nome significa, em primeiro lugar, rei de justiça, e depois, «rei de Salém», que quer dizer «rei de paz».

Sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, assemelha-se ao Filho de Deus e permanece sacerdote para sempre.

E isto é ainda mais evidente, quando aparece outro sacerdote à semelhança de Melquisedec, instituído, não segundo o mandamento de uma lei humana, mas segundo o poder de uma vida indestrutível.

Na verdade, dele se testemunha: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec.

Livro de Salmos 109,1.2.3.4.

— Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem do rei Melquisedec!

— Palavra do Senhor ao meu Senhor: "Assenta-te ao lado meu direito até que eu ponha os inimigos teus como escabelo por debaixo de teus pés!"

— O Senhor estenderá desde Sião vosso cetro de poder, pois Ele diz: "Domina com vigor teus inimigos; tu és príncipe desde o dia em que nasceste; na glória e esplendor da santidade, como o orvalho, antes da aurora, eu te gerei!"

Jurou o Senhor e manterá sua palavra: "Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedec!"

Evangelho segundo S. Marcos 3,1-6.

Novamente entrou na sinagoga. E estava lá um homem que tinha uma das mãos paralisada. Ora eles observavam-no, para ver se iria curá-lo ao sábado, a fim de o poderem acusar.

Jesus disse ao homem da mão paralisada: «Levanta-te e vem para o meio.»

E a eles perguntou: «É permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar uma vida ou matá-la?» Eles ficaram calados. Então, olhando-os com indignação e magoado com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão.» Estendeu-a, e a mão ficou curada.

Assim que saíram, os fariseus reuniram-se com os partidários de Herodes para deliberar como haviam de matar Jesus.

Da Bíblia Sagrada

Melito de Sardes (?–c.195), Bispo
Homilia pascal, 71-73 (trad. SC 123, p. 99 rev.)

«Olhando-os […] magoado com a dureza dos seus corações»

Ele é o cordeiro sem voz, o cordeiro degolado, Ele, que nasceu de Maria, a graciosa ovelhinha. Ele é Aquele que foi tirado de seu rebanho para ser levado à morte, que foi morto ao cair da noite, que foi de noite amortalhado […], para ressuscitar de entre os mortos e para fazer ressuscitar cada homem do fundo do seu túmulo.

Foi portanto levado à morte. E levado à morte onde? No coração de Jerusalém. Por quê? Porque tinha curado os coxos, tinha purificado os leprosos, tinha dado a ver a luz aos cegos, e tinha ressuscitado os seus mortos (Lc 7,22). Eis por que Ele sofreu. Está escrito na Lei e nos profetas: «Os que me pagam o bem com o mal perseguem-me, porque procuro fazer o bem. E eu, como manso cordeiro conduzido ao matadouro, ignorava as maquinações contra mim.» (Sl 37,21; cf. Jer 11, 19)

Porque cometeste este crime inominável? Desonraste Aquele que te tinha honrado, humilhaste Aquele que te tinha exaltado, renegaste Aquele que te tinha reconhecido, rejeitaste Aquele que te tinha chamado, mataste Aquele que te vivificava […]. Era preciso que Ele sofresse, mas não por tua intervenção. Era preciso que Ele fosse humilhado, mas sem que fosses tu a fazê-lo.

Era preciso que Ele fosse julgado, mas não por ti. Era preciso que Ele fosse crucificado, mas não por tuas mãos. Eis as palavras que deverias ter gritado a Deus: «Senhor, se é preciso que Teu Filho sofra, se é essa a Tua vontade, que Ele sofra, então, mas não por minha intervenção».

Paz e Bem!