Quinta-feira, dia 22 de Janeiro de 2009
Sermões sobre a primeira carta de São João, 1,1 (trad. cf. SC 75, p. 113)

S. Vicente, diácono e mártir, +304 ,   Beata Laura Vicunha, virgem, +1904

Carta aos Hebreus 7,25-28.8,1-6.

Sendo assim, Ele pode salvar de um modo definitivo, os que por meio dele se aproximam de Deus, pois Ele está vivo para sempre, a fim de interceder por eles. Tal é, com efeito, o Sumo Sacerdote que nos convinha: santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e elevado acima dos céus, que não tem necessidade, como os outros sacerdotes, de oferecer vítimas todos os dias, primeiro pelos seus próprios pecados e depois pelos do povo, porque Ele o fez uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo.

A Lei, com efeito, constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à debilidade; mas a palavra do juramento, posterior à Lei, constitui o Filho perfeito para sempre. O ponto principal do que estamos a dizer é que temos um Sumo Sacerdote que se sentou nos céus à direita do trono da Majestade, como ministro do santuário e da verdadeira tenda, construída pelo Senhor e não pelo homem.

Todo o Sumo Sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios; daí a necessidade de também ele ter algo para oferecer. Se Cristo estivesse na terra, nem sequer seria sacerdote, pois já existem aqueles que oferecem os dons segundo a Lei. Esses prestam um culto que é uma imagem e uma sombra das realidades celestes, como foi revelado a Moisés quando estava para construir a tenda. Foi-lhe dito: Presta atenção, faz tudo segundo o modelo que te foi mostrado no monte.

Mas, de facto, ele obteve um ministério tanto mais elevado, quanto maior é a aliança de que é mediador, a qual foi estabelecida sobre melhores promessas.

Livro de Salmos 39,7-8.8-9.10.17.

— Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!

— Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados, e então eu vos disse: "Eis que venho!"

— Sobre mim está escrito no livro: "Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!"

— Boas novas de vossa justiça anunciei numa grande assembléia; vós sabeis: não fechei os meus lábios!

— Mas se alegre e em vós rejubile todo ser que vos busca, Senhor! Digam sempre: "É grande o Senhor!" os que buscam em vós seu auxílio.

Evangelho segundo S. Marcos 3,7-12.

Jesus retirou-se para o mar com os discípulos. Seguiu-o uma imensa multidão vinda da Galileia. E da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, de além-Jordão e das cercanias de Tiro e de Sídon, uma grande multidão veio ter com Ele, ao ouvir dizer o que Ele fazia.

E disse aos discípulos que lhe aprontassem um barco, a fim de não ser molestado pela multidão, pois tinha curado muita gente e, por isso, os que sofriam de enfermidades caíam sobre Ele para lhe tocarem.

Os espíritos malignos, ao vê-lo, prostravam-se diante dele e gritavam: «Tu és o Filho de Deus!» Ele, porém, proibia-lhes severamente que o dessem a conhecer.

Da Bíblia Sagrada

Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África), Doutor da Igreja
Sermões sobre a primeira carta de São João, 1,1 (trad. cf. SC 75, p. 113)

A Vida manifestou-se na carne

«O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram é o Verbo da Vida.» (1Jo 1,1) Como podemos nós tocar com as nossas mãos o Verbo, se não porque: «o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco» (Jo 1,14)?

Este Verbo, que se fez carne para ser tocado pelas nossas mãos, começou por se fazer carne no ventre da Virgem Maria. Mas não foi nessa altura que Ele começou a ser o Verbo, porque já o era «desde o princípio», diz São João. […]

Talvez alguns entendam «Verbo da Vida» como uma expressão vaga para designar Cristo, e não rigorosamente o próprio corpo de Cristo, que as mãos tocaram. Mas vede a continuação: «de facto, a Vida manifestou-se» (1Jo 1,2). Cristo é, pois, o Verbo da Vida.

E como se manifestou essa Vida? Ela existia desde o princípio, mas ainda não se tinha manifestado aos homens: mas apenas aos anjos, que a viam e que dela se alimentavam como se fosse o seu pão. É o que diz a Escritura: «Comeram todos o pão dos fortes» (Sl 77, 25).

Portanto, a Vida manifestou-se, a si mesma, na carne; foi colocada em plena evidência para que uma realidade anteriormente apenas aparente ao coração se torne igualmente visível aos olhos, a fim de curar os corações.

Porque apenas este vê o Verbo; a carne e os olhos do corpo não o vêem. Nós éramos capazes de ver a carne, mas incapazes de ver o Verbo. O Verbo fez-se carne, que nós podíamos ver, para curar em nós aquilo que devia ver o Verbo.

Paz e Bem!