A oração de um Monge, intimo e assíduo na meditação das Escrituras, ajuda-nos a entrar na escuta da Palavra de Deus a partir do exemplo de Maria: «Nós te pedimos, Senhor, que nos faças conhecer aquele que amamos, pois nada procuramos fora de Ti. Tu és tudo para nós: a nossa vida, a nossa luz, a nossa salvação, o nosso alimento, a nossa bebida, o nosso Deus. Eu te suplico, ó Jesus, inspira os nossos corações com o sopro do teu Espírito e trespassa com teu amor nossas almas para que cada um de nós possa dizer com toda a verdade: faz-me conhecer aquele que minha alma ama; estou na verdade ferido por teu amor.

Oh Senhor como desejo que elas fiquem impressas em mim. Feliz a alma trespassada pela caridade! Ela procurará a nascente e aí beberá. Bebendo-a, sempre terá sede. Matando a sede, almejará ardentemente aquele de quem sempre tem sede, embora dele beba continuamente. Deste modo o amor é sede para a alma que sempre o procura com ânsia, é ferida que cura» (S. Columbano, Istruzione 13 su Cristo fonte de vita, 2-3, Opera, Dublino 1957, 118-120).

Só o amor abre ao conhecimento do Amado: «Podia compreender o sentido das palavras de Jesus, somente aquele que repousou sobre o peito de Jesus» (Origene, In Joannem 1,6:Pg 14,31). Apóia também tu a cabeça sobre o peito do Senhor, como o discípulo amado na Ultima Ceia (cf. Jo 13, 25) e escuta as Suas palavras, deixando que o Seu coração fale ao teu! È quanto peço a Deus para ti, enquanto «te confio ao Senhor e à Palavra da Sua graça que tem o poder de edificar e de te conceder a herança com todos os santos» (cf. Act 20,32). Ámen!

Bruno Forte, Arcebispo de Rieti-Vasto

[tradução de Mário Rui de Oliveira]

Fonte: http://o-bom-pastor.blogspot.com/2007_01_01_archive.html