A CHAVE DA ORAÇÃO

A oração é um dos pilares da vida cristã; ela é um dom de Deus posto em nossa alma que nos dá acesso a todas as suas graças e bênçãos sempre que a vivemos em conformidade com sua vontade eterna. Assim sendo, a oração nos faz incidir nas mais diversas situações da vida de tal forma, que vemos o seu resultado quase que ou mesmo de imediato, dependendo da situação que estamos vivendo.

A chave que abre o coração humano para o exercício legítimo da oração é o dom do perdão; pois assim nos ensinou Jesus: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará”. (Mt 6,14-15). Logo, quem perdoa o faz seguindo a determinação do Senhor.

Por isso, oração é condição de vida e é por meio dessa condição que comungamos com o querer de Deus e o realizamos plenamente como plano de nossa salvação, isto porque a oração nos faz alçar vôos para além das fronteiras de nossa natureza. Rezar, pois, é, antes de tudo, manter a vigilância e a piedade interior na prática da fé visando à perfeição e a santidade que Deus nos oferece.

Por isso, “Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto”. (Is 55,6). “Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face”. (Sl 104, 3-4).

Por fim, nos ensina São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus”. (Fil 4,4-7).

Destarte, “reza sempre a Deus com o coração puro”, como escreveu São Francisco de Assis (RB 10,10); porque quem reza assim, permanece na presença do Senhor, contempla pela fé a Sua Divina Face e goza de todas as suas graças.

A HUMILDADE

“Se me é possível, pois, alguma consolação em Cristo, algum caridoso estímulo, alguma comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão, completai a minha alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus”. (Fil 2,1-5).

A virtude da humildade nos ensina qual é o nosso verdadeiro lugar na vida, pois ela é virtude santificante que nos leva a cultivar a Vontade de Deus em nosso viver. Os humildes não procuram os primeiros lugares nem interesses próprios, mas estão sempre abertos às inspirações divinas para que se realize o Plano da Salvação.

O humilde enxerga nos outros, o que ele experimenta da parte do Senhor em si mesmo e se alegra com isso. Sente-se bem porque vê o bem que os outros estão vivendo e fazendo. E quando percebe o mal, recolhe-se em oração e não divulga o mal percebido, mas intercede ao Senhor para que esse mal seja extinto.

Em toda pessoa humilde se constata a ação do Espírito Santo com mais evidência. Creio que seja por isso que São Paulo escreveu: “Deixai-vos conduzir pelo Espírito Santo e não satisfareis os desejos da carne.” (Gl 5,16).

Por isso, “Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (Pr 3,34). Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno.” (1Ped 4,5b-6).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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