“VONTADE DE DEUS ÉS MEU PARAISO…”

Verdadeiramente Deus nos criou com um propósito eterno, por isso, precisamos compreender qual é a Sua vontade para a nossa vida, isto por que, no mais das vezes, colocamos Deus no centro de nossas discussões sejam elas teológicas ou não e agimos a partir daí, como se o Senhor estivesse presente apenas como mero espectador de nossos discursos e de nosso viver, mas não interagindo conosco numa relação paterna filial íntima pela ação do seu Espírito.

Bem nos testemunhou Jesus, falando de sua intimidade com o Pai aos apóstolos: “Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta. Respondeu Jesus: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai… Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras.     Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa destas obras. Eu e o Pai somos um”. (Jo 10,8-11.30).

Ora, o batismo nos liga diretamente ao Senhor, pois, por ele nos tornamos templos do Espírito Santo, filhos de Deus, por isso, todas as ações do cristão são em Cristo e para Cristo, visto que o Senhor é a videira verdadeira e nós somos os seus ramos. Todavia, quando essas ações não são conformes a vontade de Deus, logo sentimos os efeitos negativos do mal praticado, ou seja, nos tornamos galhos improdutivos ou secos que precisam ser podados – pelo arrependimento sincero, o perdão sacramental e a reconciliação – para que produzam bons frutos; ou extirpados, isto é, lançados fora, mas isto só acontecerá no fim de tudo se não houver arrependimento de nossa parte, pois a misericórdia do Senhor é infinita…

Destarte, tenhamos em conta que o que fazemos para a eternidade é que fazemos, tal qual escreveu São Lucas nos Atos dos Apóstolos, relatando o que dissera São Paulo: “É em Deus que vivemos, nos movemos e somos…” (Cf. At 17,28). Porque, de fato, a vontade de Deus para nossa vida, nós a encontramos em Jesus Cristo, modelo perfeito de obediência, como nos ensina a carta aos hebreus: “Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, porque Deus o proclamou sacerdote segundo a ordem de Melquisedec.” (Heb 5,7-10).

Muito se discutiu e se discute ainda em nossos dias sobre o livre arbítrio humano em relação à vontade de Deus, mas isso é fácil de entender, porque a vontade de Deus é livre, soberana, santa e eterna e é a nossa única Fonte de felicidade; a nossa vontade existe em função da Vontade do Senhor. Desse modo, só existe liberdade verdadeira em Deus, porque fora do Altíssimo tudo é escravidão (“Em verdade em verdade vós digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo” Jo 8,34), ou seja,”O Senhor é Espírito e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. (2Cor 3,17).

Ora, a lei de Deus é como um código genético escrito na alma humana e na criação como um todo, a que chamamos lei natural; temos ainda os santos mandamentos, expressos por revelação nas Sagradas Escrituras à toda humanidade; por essas leis entramos em comunhão com a vontade do Senhor diretamente em nossa vida, como o fez Jesus, o Filho de Deus muito amado; Ele é o ápice de toda a lei. Basta que lhe sejamos fiéis, amando-o com todo o nosso ser, guardando os seus santos mandamentos para que se realize em nossa vida a plenitude de sua vontade, que é a nossa salvação eterna.

Portanto, somos filhos de Deus e precisamos viver como filhos de Deus neste mundo para sua maior glória, para isto é que o Senhor permanece conosco até o fim do mundo, pois, aqui tudo passa, mas aquele que permanece no Senhor, permanece para sempre… Quanto às discussões teóricas, não passam de vãs filosofias e ridículos solfismos, porque “a realidade é Cristo” e é com Ele, Nele e para Ele que devemos viver nossos dias neste mundo até que nos leve consigo para sua glória eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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