VIVENDO O MISTÉRIO DA FÉ

Caríssimos, a vida é um dos mistérios mais enigmáticos que existe e que dele  participamos diretamente, mas não o conhecemos plenamente; aliás, mistério é tudo aquilo que nos envolve e que o vivemos de certa maneira, mas não conhecemos sua essência. Desse modo, um dos maiores mistérios que nos envolve é o Mistério da Santíssima Trindade, Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, uma única Natureza em pessoas três; além desse Mistério Divino, temos o mistério da iniquidade; o Mistério da fé; o mistério da salvação e outros tantos mistérios; todavia, o objeto desse artigo é a vivência do mistério da fé que professamos com o nosso ser e estar no mundo.

São Paulo nos ensina: “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê.” (Heb 11,1). Ora, de que fé fala São Paulo? Da fé dom de Deus que nos foi dada no batismo, para participarmos da Nova Criação como filhos e filhas de Deus. É como está escrito na primeira carta de São Paulo aos Coríntios: “A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito, etc., (1Cor 12,7-9). Ou seja, a fé dom do Espírito Santo que nos capacita a vivermos o Mistério de Deus, conforme a Vontade de Deus.

Em que consiste essa fé e o que resulta na vida dos fiéis? Ouçamos São Gregório de Nissa: “Começou o reino da vida e foi dissolvido o império da morte. Apareceu um novo nascimento, uma vida nova, um novo modo de viver; a nossa própria natureza foi transformada. Que novo nascimento é este? É o daqueles que “não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da

vontade do homem, mas de Deus mesmo” (Jo 1,13).

Tu perguntas: como isto pode acontecer? Escuta-me, vou te explicar em poucas palavras.

Este novo ser é concebido pela fé; é dado à luz pela regeneração do batismo; tem por mãe a Igreja que o amamenta com sua doutrina e tradições. Seu alimento é o pão celeste; sua idade adulta é a santidade; seu matrimônio é a familiaridade com a sabedoria; seus filhos são a esperança; sua casa é o reino; sua herança e riqueza são as delícias do paraíso; seu fim não é a morte, mas aquela vida feliz e eterna que está preparada para os que dela são dignos”. (Dos Sermões de São Gregório de Nissa, bispo – (Oratio 1 in Christi resurrectionem: PG 46, 603-606.626-627) (Séc.IV).

Portanto, viver o mistério da fé é viver como nova criatura feita “à imagem e semelhança” de Deus no amor, pois aqui estamos em vista do Reino dos Céus que a cada dia se aproxima; sabemos que a nossa estadia neste mundo é de curta duração, por isso, a cada instante que passa sentimos a proximidade do dia eterno, quando nos apresentaremos ao Senhor de nossas almas para vivermos a plenitude que aqui experimentamos pela fé.

É como nos exortou São Paulo: “Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, a maior delas é a caridade”. (1Cor 13,10.12-13).

“Eis que sucumbe o que não tem a alma íntegra, mas o justo vive por sua fidelidade”. (Hab 2,4).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.