CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A ATUALIDADE DA GRAÇA DE DEUS, FRENTE À NEGLIGÊNCIA HUMANA…

Sem sobra nenhuma de dúvida, a graça que santificou Nossa Senhora, São José, São Paulo, São Pedro, São Francisco de Assis, Santa Clara e todos os santos, é a mesma que nos é dada para nossa santificação pessoal. Pois Jesus veio do céu enviado por Deus Pai para nos redimir, nos santificar, nos fazer participantes de sua Natureza Divina. É isso o que nos ensina São Pedro em sua segunda carta: “O poder divino deu-nos tudo o que contribui para a vida e a piedade, fazendo-nos conhecer aquele que nos chamou por sua glória e sua virtude. Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo”. (2Ped 1,3-4).

Ora, e por que não somos santos desde já como todos os santos? É simples explicar isto, porque toda graça que nos é dada, precisa ser cultivada até que apresente os frutos esperados e necessários para nossa santificação, como eles a cultivaram. É isto que nos ensina São Pedro nessa mesma carta: “Por estes motivos, esforçai-vos quanto possível por unir à vossa fé a virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência a piedade, à piedade o amor fraterno, e ao amor fraterno a caridade. Se estas virtudes se acharem em vós abundantemente, elas não vos deixarão inativos nem infrutuosos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Porque quem não tiver estas coisas é míope, cego: esqueceu-se da purificação dos seus antigos pecados”. (2Ped 1,5-9).

Com efeito, à esse ensinamento de São Pedro, associa-se também São Paulo quando nos diz, na Carta aos Filipenses: “Assim, meus caríssimos, vós que sempre fostes obedientes, trabalhai na vossa salvação com temor e tremor, não só como quando eu estava entre vós, mas muito mais agora na minha ausência. Porque é Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar. Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo, a ostentar a palavra da vida”. (Fil 2,12-16a).

De fato, vivemos num mundo em que os seres humanos se acham donos da vida; os afamados que o digam: basta ter saúde, dinheiro e fama, para apresentarem os mais bizarros comportamentos, contrariando em tudo a vontade de Deus. E os menos abastados não ficam atrás em nada dos afamados, isto porque encontram nas drogas, no mau uso da liberdade e na prática de atrocidades, um meio nefasto de enriquecimento fácil, trilhando o caminho da criminalidade; sem contar ainda os que, a cada eleição, vendem seus votos se corrompendo de igual modo que seus corruptores, e isto sem um mínimo de bom senso, de ética ou moral; é, talvez nem saibam o que significa isso. E o prejuízo social fica evidente no descaso com a vida, o bem público, as leis constituídas, etc. E assim os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais miseráveis. E como vimos, o pecado reina em todas as camadas sociais, cada uma ao seu modo, porém, todas marchando sem rumo para o abismo mais que profundo da perdição eterna.

E assim, segue essa nossa humanidade pervertida, imunda, perdida, adentrando as trevas da incredulidade e indiferença, defendendo a falsa liberdade e os mais espúrios comportamentos com a desculpa do “politicamente correto”: legalização do aborto; liberalismo sexual; legalização das drogas ilícitas; falsa liberdade de imprensa, etc. Sem contar a falsa tolerância à ditadura do judiciário corrupto; aos políticos “fichas sujas” e à insuportável chaga da desigualdade e injustiça social.

Caríssimos, Deus não está dormindo nem fechou os olhos para tudo isto que está acontecendo não; ao contrário, está passando a limpo essa velha humanidade com seus vícios e concupiscências: Logo, “O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim. Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira!” (Apo 22,11-15).

“Mas há uma coisa, caríssimos, de que não vos deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como, um dia. O Senhor não retarda o cumprimento de sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam. Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém”. (2Ped 3,8-10).

“Portanto, irmãos, cuidai cada vez mais em assegurar a vossa vocação e eleição. Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, enquanto esperais e apressais o dia de Deus. Procedendo deste modo, não tropeçareis jamais. Assim vos será aberta largamente a entrada no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. (2Pd 1,10-11; 2Ped 3,11-12a). A Ele seja a glória aqui e por toda eternidade. Amém! Vem, Senhor Jesus, vem!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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