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AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XXIII)

Rainha dos Anjos

A oração, como dádiva do Espírito Santo em nossa alma, sempre foi e sempre será o dom que mais nos aproxima de Deus, especialmente quando nos dedicamos a ela ou pedimos a intercessão da Virgem Mãe, e dos santos e santas. Por esse dom, gozamos da intimidade divina e de todas as graças que Deus dispõe à nosso favor. Ora, nenhuma criatura é mais íntima de Deus que a Santíssima Virgem Maria, pois, Deus mesmo gerou em seu ventre Seu Filho amado, aquele que é o Senhor e Rei do céu e da terra, e fez de sua Mãe rainha dos anjos, dos homens e de todos os santos e santas de Deus.

Existe uma oração belíssima dirigida a Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, pedindo sua intercessão, na luta contra o pecado e contra as hostes do maligno os anjos decaídos; a fim de nos mantermos de pé diante do Altíssimo, para caminharmos sempre pelo caminho da salvação com o auxílio dos santos anjos, guiados pela Virgem Mãe. Essa oração foi confeccionada pelo Padre Luis Eduardo Cestac, fundador da Congregação das Servas de Maria (Anglet); e depois, “foi aprovada por vários Bispos e Arcebispos. Em 8 de junho de 1908, o Papa São Pio X concedeu 300 dias de indulgência a todas as pessoas que a recitarem”.(*)

Eis a oração: “Augusta Rainha do Céu e altíssima soberana dos Anjos, vós que desde os primórdios recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, humildemente vos rogamos, enviai vossas santas legiões de Anjos, a fim de que à Vossa Ordem e pelo vosso poder persigam os espíritos infernais e em toda a parte os combatam, confundindo-os em sua arrogância e arrojando-os para o abismo”.(*)

Rainha dos Patriarcas

Com o pecado de Adão e Eva, Deus foi, como que posto de lado, por causa do pecado, pois em Deus não há pecado. Deus, porém, em seu infinito amor jamais abandonou o homem nesse seu infortúnio, pelo contrário, teve compaixão e prometeu um salvador (cf. Gen 3,16) que viria a este mundo para libertar a humanidade e toda criação. Ao longo da história humana Deus renovou constantemente sua promessa, fazendo alianças com os homens, até que se cumprisse plenamente o que houvera prometido; assim foi com Noé, Abração, Isaac, Jacó, Moisés e todos justos que vieram depois deles.

Com a encarnação do Verbo, no seio virginal de Maria, Deus cumpriu a sua promessa e se estabeleceu definitivamente no meio de nós. De fato, Jesus mesmo nos ensinou:”Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem! Eu vos declaro, em verdade: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram”. (Mt 13,16-17). Desse modo, compreendemos que em Maria, Deus cumpriu o que houvera prometido aos Antigos Patriarcas, enviando o Messias nascido de seu ventre. Assim, Jesus é a plenitude do cumprimento dessa promessa; e por ele, Maria tornou-se Mãe e Rainha de todo o povo de Deus, desde os santos Patriarcas do Antigo Testamento, até nós que formamos a Igreja da Nova e Eterna Aliança, firmada em Seu Sangue Redentor.

Rainha dos Profetas

Por que Maria é invocada como mãe dos profetas? Porque “a grande missão de todos os profetas foi anunciar ao mundo a vinda do Salvador, e Maria sempre esteve no coração desta grande profecia”. No início do Evangelho de São Mateus, Deus confirmou essa verdade revelando-a a São José: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco” (Mt 1,20-23).

De fato, à todos os profetas Deus sempre se deu a conhecer como “Deus conosco”, isto é, o sempre presente, porém, na Encarnação do Seu Verbo, Deus foi além, tornou-se “carne de nossa carne e sangue de nosso sangue”, obviamente no seio da santíssima Virgem Maria. Assim, os profetas tiveram um papel fundamental na revelação desse Grande Mistério e do seu anúncio, e Maria como Mãe do Salvador, tornou-se Rainha de todos esses profetas que hoje se encontram no paraíso, participando do Reino de Deus. Por fim, como Rainha dos Profetas, ela mesma assumiu esse dom da profecia quando profetizou as maravilhas de Deus, no seu belíssimo Cântico do Magnificat (cf. Lc 1,46-55).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

(*)(http://saopio.wordpress.com/2008/01/25/oracao-a-rainha-dos-anjos/)

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