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COMO DESCREVER O PARAÍSO? EXISTE UM PARAÍSO?

Caríssimos, compreender as coisas eternas sempre foi um desejo humano, pois por mais perfeito e belo que seja esse nosso habitat natural, ele é transitório como a vida que vivemos por pouco tempo, porque tudo o que há com o tempo se esvai, para onde (?) só a fé em Deus nos responde; isto porque, existe o pecado dos homens que a todo instante tenta estragar esse lindo paraíso terrestre que habitamos. Por toda bondade que há nas coisas que vemos, pelo amor com que amamos, pelo desejo de vida eterna que temos, pela felicidade que cultivamos, e pela paz que tanto queremos, entendemos que, sem dúvida alguma, há um lugar ou estado de perfeição onde todos esses valores eternos permanecerão com os que nele habitam. Não precisamos de nenhum esforço para entender que os dons de Deus, que estão em nossas almas, nos levam a experimentar a felicidade e paz de Sua divina presença; basta vivermos em estado de graça, isto é, na perfeita obediência aos seus mandamentos, para constatarmos isto.

Com efeito, o paraíso que almejamos não é aqui, mas começa aqui com a nossa existência, pois tudo em nós aponta para ele, por isso, será grande a surpresa de nossa humanidade logo que daqui partirmos; nós que estamos acostumados com o limite e a fragilidade de nossa condição, participaremos do ilimitado divino em todos os sentidos. Como seria bom que esse nosso mundo fosse sem maldade, sem injustiça, sem vícios, sem violência, sem discórdias, sem ganância, sem guerras, doenças ou morte. Creio que este seja o sonho de todo ser humano que vive em meio às contradições desta vida. Um mundo onde a verdade e o amor estejam em todos e com todos sempre; onde a bondade, a justiça e paz, não sejam apenas palavras, mas o que significam para a unidade de toda a humanidade. É esse o verdadeiro paraíso que Deus sempre quis em seu desígnio para todos nós.

Como escrevi acima, a fé que Deus pôs em nossas almas, quando nos criou, é um dom especial com o qual podemos comungar perfeitamente com Sua vontade que nos leva a experimentar o paraíso por nossa adesão a esse seu desígnio de amor. De fato, “Deus nos colocou no mundo para conhecê-lo, servi-lo e amá-lo e, assim, chegar ao paraíso. A bem-aventurança nos faz participar da natureza divina (cf. l Pd 1,4) e da vida eterna. Com ela, o homem entra na glória de Cristo e no gozo da vida trinitária”. (CIC 1721). “Este mistério de comunhão bem-aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo supera toda compreensão e toda imaginação. A Escritura fala-nos dele em imagens: vida, luz, paz, festim de casamento, vinho do Reino, casa do Pai, Jerusalém celeste, Paraíso. “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam” (1Cor 2,9). (CIC 1027).

Mas, como viver desde já as virtudes que nos qualificam para a vida em Deus definitivamente? Jesus no santo evangelho nos ensina: “Bem aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mt 5,8). Ora, essa “prometida bem-aventurança nos coloca diante de escolhas morais decisivas. Convida-nos a purificar nosso coração de seus maus instintos e a procurar o amor de Deus acima de tudo. Ensina que a verdadeira felicidade não está nas riquezas ou no bem-estar [aparente deste mundo], nem na glória humana ou no poder [temporal], nem em qualquer obra humana, por mais útil que seja, como as ciências, a técnica e as artes, nem em outra criatura qualquer, mas apenas em Deus, fonte de todo bem e de todo amor”. (CIC 1723).

Infelizmente, não é isto que vemos no mundo de hoje; pelo contrário, é como escreveu o Cardeal Newman: “A riqueza é o grande deus atual; a ela prestam homenagem instintiva a multidão e toda a massa dos homens. Medem a felicidade pelo tamanho da fortuna e, segundo a fortuna, medem também a honradez… Tudo isto provém da convicção de que, tendo riqueza, tudo se consegue. A riqueza é, pois, um dos ídolos atuais, da mesma forma que a fama… A fama, o fato de alguém ser conhecido e fazer estardalhaço na sociedade (o que poderíamos chamar de notoriedade da imprensa), chegou a ser considerada um bem em si mesma, um sumo bem, um objeto, também ela, de verdadeira veneração”. “Mas, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?” (Mc 8,36).

Por fim, como descrever o verdadeiro paraíso? São Paulo nos deixou um relato comovente sobre este, vejamos: “Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu. Se foi no corpo, não sei. Se fora do corpo, também não sei; Deus o sabe. E sei que esse homem – se no corpo ou se fora do corpo, não sei; Deus o sabe – foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir”. (2Cor 12,2-5). E São João, assim o descreve: “Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.

Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho”. (Ap 21,1-7).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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