a cruz de Jesus

ATÉ AS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS…

Por seu Filho, Jesus Cristo, Deus fez uma profícua aliança de amor conosco; Ele se deu à nós totalmente, para também nós nos darmos a Ele totalmente e assim formamos uma só comunidade de amor, que comporta o seu plano de salvação para as suas criaturas. Ora, nesse encontro amoroso, o mistério divino começa a ser desvendado em nós, e assim nos tornamos para o Senhor agentes de transformação da obra da criação, e somos amados por Ele até a última gota do Sangue de Seu Filho, derramado para o perdão dos nossos pecados, até que atinjamos a perfeição desejada por Ele que assim nos amou primeiro.

Quando o Senhor nos diz: “Sede santos como o vosso Pai celeste é Santo”. (Mt 5,48); Ele está dizendo que, como “imagem e semelhança de Deus”, potencialmente, todos somos santos ao infinito; é como a semente que já traz nela potencialmente a plenitude de milhões de plantas, flores, frutos e grãos e a saciedade das necessidades da natureza à qual se destina, isto é, ela traz em si o propósito divino de perfeição que lhe cabe; mas para isto, é preciso que ela morra, pois: “se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto”. (Jo 12,24). Ou seja, a semente que não morre, não ressuscita, não tem vida, ela é só presença fútil; pelo contrário, a que morre produz fruto cem por um, porque plantada na terra boa da redenção.

A nossa experiência de Deus se fundamenta em sua visita, ou seja, em seu toque especial em nossa alma, como uma espécie de êxtase espiritual que nos envolve e cresce à medida que o cultivamos com o empenho de quem busca a verdadeira santidade de vida. Mas é preciso que queiramos receber esse toque especial do Senhor por meio da fé, que está impressa em nossa alma; assim como está impresso em nosso corpo o nosso código genético. E como se dá esse toque divino? Cada um o experimenta de acordo com a sua realidade, todavia, na maioria ele se dá pela cruz, que consiste em uma espécie de esvaziamento total, quando nos sentimos sós e a dor nos toma por demais, a exemplo de Cristo na cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27,46). Ou seja, na cruz Jesus deixa Deus livre a ponto de sentir-se até abandonado por Ele; porém, não deixa de fazer o seu maior ato de amor e doação: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46). De fato, na cruz, Jesus não tem mais nada, tiraram-lhe tudo até mesmo a própria vida, mas não puderam tirar a sua dignidade, a sua liberdade de amar e dizer sim ao Pai. Então, o que é o amor? O amor é isso, deixar o outro livre para decidir amar ou não, mas nunca abrir mão de amar até as últimas consequências, ou seja, por meio da obediência incondicional.

Na vida Deus nos ama assim, até as últimas consequências e nos deixa livres para amá-lo ou não, porém, nos diz: “filho tu podes me amar ou se tornar um demônio, mas tu nunca poderás esquecer que eu te amo, e por isso te perdoou sempre, mesmo que não aceites o meu perdão e o meu amor, como o fazem os demônios”. Portanto, caríssimos, a cruz não se entende, se vive, mesmo que não queiramos; todavia, quer queira quer não, um dia este mundo será passado a limpo; felizes os filhos e filhas de Deus que nunca rejeitaram o seu amor. Pois: ”É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (cf. Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. (1Cor 2,9).

Paz Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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