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AS VIRTUDES TEOLOGAIS: FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE…

“Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade. Por sua vontade é que nos gerou pela palavra da verdade, a fim de que sejamos como que as primícias das suas criaturas”. (Tg 1,17-18). É assim que São Tiago define os dons de Deus, como dádivas perfeitas que nos levam à plenitude da felicidade, da perfeição, e com isso, à mais alta condição da glória de Deus, que é a nossa permanência Nele por toda a eternidade.

Fé, esperança e caridade são as chamadas virtudes teologais. “Segundo o Compêndio do Catecismo da [nossa] Igreja Católica, as virtudes teologais “têm como origem, motivo e objeto imediato o próprio Deus. São infundidas no homem com a graça santificante [no batismo], e tornam-nos capazes de viver em relação com a Trindade e fundamentam e animam o agir moral do cristão, vivificando as virtudes humanas. Elas são o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano”. (CIC nº 384). São Paulo, na 1ª Carta aos Coríntios 13, as define como as virtudes que permanecem, porém, sendo a maior delas a caridade (o amor) (1Cor 13,13). Na Carta ao Gálatas, ele define a relação que há entre essas virtudes, primeiro a fé e o amor, dizendo que a fé opera pelo amor (cf. Gl 5,6b); depois, na carta aos Hebreus, entre fé e esperança, onde lemos: “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê”. (Hb 11,1).

Todavia, precisamos entender que essas virtudes precisam da autenticidade do Espírito Santo, para serem o que elas são. Então, como entender essa autenticidade e por consequência sua genuinidade? Por Cristo Jesus, e somente por Ele, na pessoa de Pedro e dos outros apóstolos e seus sucessores, que Ele mesmo escolheu e confirmou como fundamento de sua Igreja (cf. Mt 16,18-20; Lc 10,3.16). Com efeito, o profeta Isaías, assim profetizou sobre o Messias, o Ungido do Senhor: “Eis meu Servo que eu amparo, meu eleito ao qual dou toda a minha afeição, faço repousar sobre ele meu espírito, para que leve às nações a verdadeira religião” (Is 42,1). Assim, entendemos que Jesus, ao fundar a sua Igreja como seu corpo místico (Col 1,3.22-29;2,1-23), ele permanece nela e a conduz por seus representantes, com todos os sacramentos, virtudes e profissão de fé, para a salvação de toda humanidade. Desse modo, se firma a autenticidade de nossa fé católica, dom do Espírito Santo, recebido no batismo.

Então, vamos às virtudes teologais, primeiro a fé, como já disse, dom do Espírito Santo, que nos leva a crer firmemente sem nunca duvidar das verdades reveladas por Deus aos seus santos profetas e cumpridas no Novo Testamento, primeiro em Maria, mãe do Senhor, e depois em Jesus e em todos os filhos e filhas de Deus santificados pelo seu sacrifício de cruz, morte e ressurreição. Jesus nos ensinou que essa virtude teologal é sumamente importante para realizarmos a vontade do Pai, por isso, afirma: “Tudo é possível ao que crê.” (Mc 9,23). Logo, a fé é um instrumento da graça de Deus que nos capacita para toda boa obra, como escreveu São Paulo: “Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das obras, para que ninguém se glorie. Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos”. (Ef 2,8-10).

Quanto à virtude da esperança, esta é também derramada em nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5,5); ela é a certeza da fé, e nunca decepciona, porque ela é uma convicção a respeito daquilo que Deus realiza em nosso favor, por isso, Ele já nos antecipa para nos ater seguros quanto aos seus desígnios a respeito da nossa salvação. Então, oremos ao Senhor por meio desta virtude: Senhor, tudo está em tuas mãos e ninguém conhece mais a nossa vida do que o Senhor; tudo o que somos e vivemos, tem como destino único o teu Reino de amor, por isso, estamos convictos de que jamais nos abandonarás, visto que teu amado Filho, Jesus Cristo, deu-se em sacrifício de cruz para que tivéssemos a paz definitiva na glória que preparastes para todos aqueles que ele redimiu. Assim, Senhor, seja feita a tua vontade, aqui na terra como nos céus.

E a virtude da caridade (do amor)? Esta é o “Ágape” de Deus que leva o ser humano à plenitude da perfeição de nossa natureza. Por ela somos plenamente santificados, porque Deus é amor e quem ama permanece em Deus e Deus nele (cf. 1Jo 4,8.16). Ora, em quem Deus permanece não há lugar para o pecado, mas somente para o estado de graça permanente e para os seus desígnios amorosos. Daí a necessidade do cultivo dessa e de todas as outras virtudes, porque esta é a vontade de Deus a nosso respeito, conforme o seu santo mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito” (Dt 6,5). E ainda, quem ama a Deus, ame também o seu irmão (cf. 1Jo 4,21): “Amarás teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Portanto, o amor é a essência da vida, sem o amor não há vida, não há nada, tudo é caos infindável; destarte, amemos sempre porque o Amor é próprio Deus que nos criou por amor e para o amor, e deu-nos o seu Filho para a nossa salvação.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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