Category: DAS COISAS ETERNAS


TU ÉS PEDRO…

Pedro, tu és pedra

A IGREJA É CRISTO E CRISTO É A IGREJA, JUNTAMENTE COM SEUS APÓSTOLOS, TENDO PEDRO À FRENTE DELES…

«Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja»

Cristo, ao instituir os Doze, «deu-lhes a forma dum corpo colegial, quer dizer, dum grupo estável, e colocou À sua frente Pedro, escolhido de entre eles». «Assim como, por instituição do Senhor, Pedro e os outros apóstolos formam um só colégio apostólico, assim de igual modo o pontífice romano, sucessor de Pedro, e os bispos, sucessores dos Apóstolos, estão unidos entre si»; pelo Espírito Santo que lhes foi dado.

Foi só de Simão, a quem deu o nome de Pedro, que o Senhor fez a pedra da sua Igreja. Confiou-lhe as chaves desta e instituiu-o pastor de todo o rebanho (cf. Jo 21,15ss.). «Mas o múnus de ligar e desligar, que foi dado a Pedro, também foi dado, sem dúvida alguma, ao colégio dos Apóstolos unidos ao seu chefe». Este múnus pastoral de Pedro e dos outros apóstolos pertence aos fundamentos da Igreja e é continuado pelos bispos sob o primado do Papa.

O Papa, bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, «é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, tanto os bispos como a multidão dos fiéis». “Com efeito, em virtude do seu cargo de vigário de Cristo e pastor de toda a Igreja, o pontífice romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal, que pode sempre livremente exercer».

«O colégio ou corpo episcopal não tem autoridade a não ser em união com o pontífice romano […] como sua cabeça». Como tal, este colégio é «também sujeito do poder supremo e pleno sobre toda a Igreja, poder que, no entanto, só pode ser exercido com o consentimento do pontífice romano».

«O colégio dos bispos exerce de modo solene o poder sobre toda a Igreja no concílio ecumênico». Mas «não há concilio ecumênico se não for, como tal, confirmado, ou pelo menos aceite, pelo sucessor de Pedro».

«Pela sua múltipla composição, este colégio exprime a variedade e a universalidade do povo de Deus; enquanto reunido sob uma só cabeça, revela a unidade do rebanho de Cristo».

Paz e Bem!

Referências: Lumen Gentium, 22-23.

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a transfiguração do Senhor

SENHOR, É BOM ESTARMOS AQUI…

Jesus manifestou a seus discípulos este mistério no monte Tabor. Havia andado com eles, falando-lhes a respeito de seu reino e da segunda vinda na glória. Mas talvez não estivessem muito seguros daquilo que lhes anunciara sobre o reino. Para que tivessem firme convicção no íntimo do coração e, mediante as realidades presentes, cressem nas futuras, deu-lhes ver maravilhosamente a divina manifestação do monte Tabor, imagem prefigurada do reino dos céus.

Foi como se dissesse: Para que a demora não faça nascer em vós a incredulidade, logo, agora mesmo, eu vos digo, alguns dos que aqui estão não provarão a morte antes de verem o Filho do homem vindo na glória de seu Pai (cf. Mt 16,28). Mostrando o Evangelista ser um só o poder de Cristo com sua vontade, acrescentou: E seis dias depois, tomou Jesus consigo Pedro, Tiago e João e levou-os a um monte alto e afastado. E transfigurou-se diante deles; seu rosto brilhou como o sol, as vestes se fizeram alvas como a neve. E eis que apareceram Moisés e Elias a falar com ele (cf. Mt 17,1-3).

São estas as maravilhas da presente solenidade, é este o mistério de salvação para nós que agora se cumpriu no monte: ao mesmo tempo, congregam-nos agora a morte e a festa de Cristo. Para penetrarmos junto àqueles escolhidos dentre os discípulos, inspirados por Deus, na profundeza destes inefáveis e sagrados mistérios, escutemos a voz divina que do alto, do cume da montanha, nos chama instantemente.

Para lá, cumpre nos apresarmos, ouso dizer, como Jesus, que agora nos céus é nosso chefe e precursor, com quem refulgiremos aos olhos espirituais – renovadas de certo modo as feições de nossa alma – conformados à sua imagem; e à semelhança dele, incessantemente transfigurados, feitos consortes da natureza divina e prontos para as alturas.

Para lá corramos cheios de ardor e de alegria; entremos na nuvem misteriosa, semelhantes a Moisés e Elias ou Tiago e João. Sê tu também como Pedro, arrebatado pela divina visão e aparição, transfigurado por esta linda Transfiguração, erguido do mundo, separado da terra. Deixa a carne, abandona a criatura e converte-te para o Criador a quem Pedro, fora de si, diz: Senhor, é bom para nós estarmos aqui (Mt 17,4).

Sim, Pedro, verdadeiramente é bom para nós estarmos aqui com Jesus e aqui permanecermos pelos séculos. Que pode haver de mais delicioso, de mais profundo, de melhor do que estar com Deus, conformar-se a ele, encontrar-se na luz? De fato, cada um de nós, tendo Deus em si, transfigurado em sua imagem divina, exclame jubiloso: É bom para nós estarmos aqui, onde tudo é luminoso, onde está o gáudio, a felicidade e a alegria. Onde no coração tudo é tranquilo, sereno e suave. Onde se vê a Cristo, Deus. Onde ele junto com o Pai tem sua morada e ao entrar, diz: Hoje chegou a salvação para esta casa (Lc 19,9). Onde com Cristo estão os tesouros e se acumulam os bens eternos. Onde as primícias e figuras dos séculos futuros se desenham como em espelho.

Paz e Bem!

Fonte: Do Sermão no dia da Transfiguração do Senhor, de Anastásio Sinaíta, bispo
(Nn.6-10: Mélanges d’archéologie ET d’histoire 67[1955],241-244)(Séc.VII)

quem espera sempre alcança

PARA QUE SEJAIS PLENIFICADOS…

Das Homilias, de um autor espiritual do IV século
(Hom. 18,7-11: PG34,639-642)

Para que sejais plenificados com toda a plenitude de Cristo!

Todos os que são considerados dignos de se tornarem filhos de Deus e renascerem do alto no Espírito Santo, trazendo em si a Cristo – que os ilumina e os regenera – são guiados de diversos modos pelo Espírito e conduzidos invisivelmente pela graça, tendo no coração a paz espiritual. Às vezes, desfazem-se em lágrimas e gemidos pela humanidade, pelo gênero humano elevam preces e choram, ardendo de afeto por todos os homens. Outras vezes, de tal maneira se inflamam pelo Espírito, com tamanho entusiasmo e amor, que, se possível fosse, acolheriam em seu coração todos os homens, sem distinção entre bons e maus.

Entretanto, outros, pela humildade dos seus espíritos, colocam-se abaixo de todos, julgando-se os mais abjetos e desprezíveis. Por vezes, são guardados pelo Espírito numa alegria inefável. Ora, eles são como um valente, que, revestido com toda a armadura do rei, desce para o combate e luta contra os fortes inimigos e os vence. Assim o homem espiritual, munido com as celestes armas do Espírito, ataca os adversários e, no fim da peleja, calca-os aos pés.

Ora, em absoluto silêncio, repousa a alma em paz e sossego, entregue unicamente ao gozo espiritual e a uma paz indizível, no perfeito contentamento. Por vezes, por certa compreensão e sabedoria inefável e conhecimento secreto do Espírito, é instruído pela graça sobre coisas que a língua não consegue dizer. De outras vezes, é como qualquer outra pessoa. E assim a graça habita e age de várias maneiras na alma, renovando-a conforme a vontade divina, provando-a de modos diferentes para torná-la íntegra, irrepreensível e pura diante do Pai do céu.

Oremos, então, também nós a Deus, oremos no amor e imensa esperança de que ele nos concederá a celeste graça do dom do Espírito. A nós também o próprio Espírito nos governe e leve a realizar toda a vontade divina e nos restaure com a riqueza de sua paz a fim de que, conduzindo-nos e fazendo-nos viver sempre mais em sua graça e progresso espiritual, nos tornemos dignos de alcançar a perfeita plenitude de Cristo, segundo disse o Apóstolo: Para que sejais plenificados com toda a plenitude de Cristo.

Paz e Bem!

vontade_Deus

COMO DESCREVER O PARAÍSO? EXISTE UM PARAÍSO?

Caríssimos, compreender as coisas eternas sempre foi um desejo humano, pois por mais perfeito e belo que seja esse nosso habitat natural, ele é transitório como a vida que vivemos por pouco tempo, porque tudo o que há com o tempo se esvai, para onde (?) só a fé em Deus nos responde; isto porque, existe o pecado dos homens que a todo instante tenta estragar esse lindo paraíso terrestre que habitamos. Por toda bondade que há nas coisas que vemos, pelo amor com que amamos, pelo desejo de vida eterna que temos, pela felicidade que cultivamos, e pela paz que tanto queremos, entendemos que, sem dúvida alguma, há um lugar ou estado de perfeição onde todos esses valores eternos permanecerão com os que nele habitam. Não precisamos de nenhum esforço para entender que os dons de Deus, que estão em nossas almas, nos levam a experimentar a felicidade e paz de Sua divina presença; basta vivermos em estado de graça, isto é, na perfeita obediência aos seus mandamentos, para constatarmos isto.

Com efeito, o paraíso que almejamos não é aqui, mas começa aqui com a nossa existência, pois tudo em nós aponta para ele, por isso, será grande a surpresa de nossa humanidade logo que daqui partirmos; nós que estamos acostumados com o limite e a fragilidade de nossa condição, participaremos do ilimitado divino em todos os sentidos. Como seria bom que esse nosso mundo fosse sem maldade, sem injustiça, sem vícios, sem violência, sem discórdias, sem ganância, sem guerras, doenças ou morte. Creio que este seja o sonho de todo ser humano que vive em meio às contradições desta vida. Um mundo onde a verdade e o amor estejam em todos e com todos sempre; onde a bondade, a justiça e paz, não sejam apenas palavras, mas o que significam para a unidade de toda a humanidade. É esse o verdadeiro paraíso que Deus sempre quis em seu desígnio para todos nós.

Como escrevi acima, a fé que Deus pôs em nossas almas, quando nos criou, é um dom especial com o qual podemos comungar perfeitamente com Sua vontade que nos leva a experimentar o paraíso por nossa adesão a esse seu desígnio de amor. De fato, “Deus nos colocou no mundo para conhecê-lo, servi-lo e amá-lo e, assim, chegar ao paraíso. A bem-aventurança nos faz participar da natureza divina (cf. l Pd 1,4) e da vida eterna. Com ela, o homem entra na glória de Cristo e no gozo da vida trinitária”. (CIC 1721). “Este mistério de comunhão bem-aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo supera toda compreensão e toda imaginação. A Escritura fala-nos dele em imagens: vida, luz, paz, festim de casamento, vinho do Reino, casa do Pai, Jerusalém celeste, Paraíso. “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam” (1Cor 2,9). (CIC 1027).

Mas, como viver desde já as virtudes que nos qualificam para a vida em Deus definitivamente? Jesus no santo evangelho nos ensina: “Bem aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mt 5,8). Ora, essa “prometida bem-aventurança nos coloca diante de escolhas morais decisivas. Convida-nos a purificar nosso coração de seus maus instintos e a procurar o amor de Deus acima de tudo. Ensina que a verdadeira felicidade não está nas riquezas ou no bem-estar [aparente deste mundo], nem na glória humana ou no poder [temporal], nem em qualquer obra humana, por mais útil que seja, como as ciências, a técnica e as artes, nem em outra criatura qualquer, mas apenas em Deus, fonte de todo bem e de todo amor”. (CIC 1723).

Infelizmente, não é isto que vemos no mundo de hoje; pelo contrário, é como escreveu o Cardeal Newman: “A riqueza é o grande deus atual; a ela prestam homenagem instintiva a multidão e toda a massa dos homens. Medem a felicidade pelo tamanho da fortuna e, segundo a fortuna, medem também a honradez… Tudo isto provém da convicção de que, tendo riqueza, tudo se consegue. A riqueza é, pois, um dos ídolos atuais, da mesma forma que a fama… A fama, o fato de alguém ser conhecido e fazer estardalhaço na sociedade (o que poderíamos chamar de notoriedade da imprensa), chegou a ser considerada um bem em si mesma, um sumo bem, um objeto, também ela, de verdadeira veneração”. “Mas, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?” (Mc 8,36).

Por fim, como descrever o verdadeiro paraíso? São Paulo nos deixou um relato comovente sobre este, vejamos: “Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu. Se foi no corpo, não sei. Se fora do corpo, também não sei; Deus o sabe. E sei que esse homem – se no corpo ou se fora do corpo, não sei; Deus o sabe – foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir”. (2Cor 12,2-5). E São João, assim o descreve: “Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.

Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho”. (Ap 21,1-7).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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tentação e expulsão do paraíso

A LEI PERFEITA DA LIBERDADE

Existem duas maneiras da alma humana ser penetrada, cursada e exposta em seu mistério. A primeira é a permanência na Verdade que a criou e sustenta, desta permanência nasce seu gozo e testemunho; fora disto ninguém a pode penetrar, a não ser que ela ceda ao mal a liberdade que a verdade lhe dá. A segunda diz respeito exatamente a essa sedição, ou seja, à insurreição, que consiste na aceitação da mentira e prática dela; quando isso acontece, a alma se ensoberbece e perde sua comunhão com Deus; assim, ela enfraquece e mergulha em um estado mórbido por causa das lascívias que a envenena; e só é possível sair daí pelo arrependimento sincero e conversão à Fonte da Verdade que a criou, Deus.

Escrevendo aos Romanos, São Paulo, assim se expressou: “Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz. Porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não se submete à lei de Deus, e nem o pode. Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o Espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. (Rom 8,5-9.12-14).

Ora, a respeito da queda e perca da liberdade humana, lemos no Livro do Gêneses, o seguinte: “A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?” A mulher respondeu-lhe: Podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais.” “Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis!” Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.” (Gen 3,1-5). Assim, por esse texto da revelação, percebemos como o mal injetou o seu veneno da desobediência na alma humana, e como nossos primeiros pais perderam sua liberdade e nos transmitiram a mesma perda.

Geralmente quem se entrega ao pecado não mede, antes, as consequências dos seus atos, e o resultado que se segue é sempre catastrófico, nefasto; porque não age conforme a graça de Deus em sua vida, mas a partir do pecado que o atrai e alicia, e o pecado uma vez consumado, gera a morte (cf. Jo 8,34; Tg 1,15). De fato, Deus nos deu o livre arbítrio, que significa o poder que temos de decidir pelo bem e não pelo mal. Ocorre que muitos perdem esse poder, porque se deixam conduzir pelos instintos carnais, e não pelo Espírito Santo de Deus.

Nós, porém, podemos reverter esse trágico quadro em nossa vida, por meio da conversão espiritual, que consiste no arrependimento, confissão e perdão dos pecados para vivermos em estado de graça; pois uma alma em estado de graça permanente é intocável pelo mal, porque a luz do Espírito de Deus que nela habita, dissipa as trevas do pecado e o espírito maléfico que se esconde no pecado.

São João bem nos ensinou a nos livrarmos do espírito das trevas, quando nos exortou: “Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente”. (1Jo 2,15-17).

Com efeito, Deus não apenas nos criou, mas também nos ensinou a viver conforme sua vontade e permanecermos Nele, por meio das leis naturais e de seus Mandamentos expressos nas Sagradas Escrituras; também por meio dos exemplos dos Patriarcas, dos profetas, do Seu Filho, Jesus Cristo, e de todos os santos que o seguiram, especialmente a Virgem Maria, Mãe do Senhor e nossa mãe. Porém, constatamos que a grande maioria não leva em conta as orientações que Deus nos dá nas Sagradas Escrituras e nesses exemplos (cf. Mt 7,13-14); por isso, caem nas armadilhas do mal e na perdição eterna. De fato, “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra”. Todavia, quem faz das Sagradas Escrituras sua via de perfeição? Somente aqueles que temem o Senhor de coração e buscam se orientar pelos seus preceitos.

Eis o que São Paulo escreveu a esse respeito: “Também eu, quando fui ter convosco, irmãos, não fui com o prestígio da eloquência nem da sabedoria [humana] anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado. Eu me apresentei em vosso meio num estado de fraqueza, de desassossego e de temor. A minha palavra e a minha pregação longe estavam da eloquência persuasiva da sabedoria; eram, antes, uma demonstração do Espírito e do poder divino, para que vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (1Cor 2,1-5).

São Paulo nos deixou ainda outro legado perfeito, verdadeiro itinerário espiritual, para termos um discernimento preciso da vontade de Deus em nossa vida, quando escreveu: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito”. (Rom 12,1-2). “Além disso, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos. O que aprendestes, recebestes, ouvistes e observastes em mim, isto praticai, e o Deus da paz estará convosco”. (Fil 4,8-9). Desse modo, cabe a nós seguirmos tais orientações, para que assim vivamos intimamente tudo o que Deus nos dá a ser e praticar de sua vontade neste mundo.

Portanto, como vimos a perca ou não da liberdade resulta de nossas escolhas e decisões. Pois, em todas elas há sempre um resultado; por parte da verdade seu resultado é a liberdade conservada e fortalecida (estado de graça perfeito); por parte da mentira, a alma se torna amarga, imbecilizada, exposta às paixões desordenadas e a toda espécie de desiquilíbrio, que afasta os homens do convívio com Deus e com os outros, e os mergulha na incredulidade e nas mais diversas perversões. Não se esqueçam, por trás de todo pecado se esconde o demônio.

Destarte, “Não procureis a morte por uma vida desregrada, não sejais o próprio artífice de vossa perda. Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. Nelas nenhum princípio é funesto, e a morte não é a rainha da terra, porque a justiça é imortal. Mas, (a morte), os ímpios a chamam com o gesto e a voz. Crendo-a amiga, consomem-se de desejos, e fazem aliança com ela; de fato, eles merecem ser sua presa”. (Sab 1,12-16).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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A VERDADEIRA LIBERDADE

A GRAÇA DE CADA MOMENTO

Jesus nos ensinou que a revelação divina nos envolve em todos os sentidos de nosso ser e existir no mundo; ora, quando os acontecimentos adversos se dão em nosso meio, na maioria das vezes, ficamos estarrecidos ou impotentes diante deles; ou ainda procuramos respostas para tais acontecimentos, e quando não as encontramos ficamos confusos sem entendermos o porquê de tais acontecimentos, ficamos como que “a ver navios”, como reza o ditado popular; quando na verdade deveríamos buscar refúgio no Senhor que fez o céu e a terra, pois Nele encontramos todas as graças necessárias para superarmos todas as situações embaraçosas de nossa viver. É como o Senhor mesmo nos ensinou: ”Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. Nisso é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”. (Jo 15,7-8).

Assim, precisamos entender que não podemos ser os causadores dos problemas que geram as situações adversas da vida, pois, como nos ensina São Paulo: ”Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé”. (Gal 6,7-10).

Em nosso dia a dia temos grande facilidade de olharmos para os pecados dos outros; ora, mas do pecado não vem nada de bom, por isso, nos angustiamos com a maldade alheia que constatamos e terminamos julgando e condenando tais indivíduos. Não convém que seja assim. De fato, não podemos ser coniventes com o pecado de ninguém, mas também não precisamos carregá-lo em nossas almas, pois se o fizermos certamente ele ocupará o lugar que é de Deus em nossa vida, e nos fará um grande mal. Logo, precisamos ouvir e obedecer ao Senhor que nos exorta: ”Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e vos será dado. Será colocada em vosso regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também”. (Lc 6,36-38). Realmente, um coração misericordioso é semelhante ao coração de Deus.

Um coração quieto que descansa em Deus sabe que Ele não falha nunca. Escutemos, pois, este conselho de Santa Tereza de Ávila, e sigamos o que ela diz: “Nada te perturbe nada te espante, tudo passa, Deus não muda, a paciência tudo alcança; Quem a Deus tem, nada lhe falta: só Deus basta. Eleva o pensamento, ao céu sobe, por nada te angusties, nada te perturbe. A Jesus Cristo segue, com grande entrega, e, venha o que vier, nada te espante. Vês a glória do mundo? É glória vã; nada tem de estável, tudo passa. Deseje às coisas celestes, que sempre duram; fiel e rico em promessas, Deus não muda. Ama-o como merece, Bondade Imensa; Quem a Deus tem, mesmo que passe por momentos difíceis; sendo Deus o seu tesouro, nada lhe falta. Porque só Deus basta!” (Santa Tereza de Ávila).

Então, qual é a graça de cada momento? É aquela que buscamos em Deus sempre, porque Deus se faz presente em todo tempo do nosso viver, haja vista, que se pararmos de respirar cinco minutos morreremos, no entanto, a cada respirar nosso sentimos como que o Senhor nos dizer: filho, filha, eu te amo, por isso te dou a vida constantemente a cada respirar teu, mesmo que não correspondas ao meu amor. Escrevendo a esse respeito, assim se expressou São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus”. (Fil 4,4-7).

Portanto, aprendamos a nos relacionar com Deus Pai, por meio de nossa oração, pois sua realidade divina envolve nossa vida natural para além do nosso entendimento, e é pelo dom da fé que compreendemos isto e o praticamos. Vejamos a atitude orante do Senhor, Jesus, nos ensinando como devemos nos portar diante de Deus, nosso Pai: “Jesus afirmou essas coisas e depois, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti; e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste. Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste. Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer. Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e deste-mos e guardaram a tua palavra. Agora eles reconheceram que todas as coisas que me deste procedem de ti. Porque eu lhes transmiti as palavras que tu me confiaste e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me enviaste. Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado”. (Jo 17,1-10). Façamos o mesmo e do mesmo modo que o Senhor nos ensinou. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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tentação e expulsão do paraíso

QUEM SOMOS NÓS SEM CRISTO?

O que temos neste mundo? A vida natural, um tempo para vivê-la; algumas coisas materiais conquistadas; algum tempo para a família, trabalho; e também para viver a fé; um tempo para amizades, divertimentos, etc. O fato é que nem sempre sabemos dividir corretamente o nosso tempo. Assim, priorizamos mais o que decidimos que é o melhor, o que nos convém; mas nem sempre nos damos bem com isso, pelo contrário, quase sempre perdemos tempo com vícios e outros malefícios da vida hodierna; e o que é essencial mesmo, na verdade, deixamos de lado.

Todavia, quando damos uma pausa e analisamos nosso comportamento, vemos que perdemos muito da vida e daqueles que amamos ou deveríamos amar mais; e assim o sofrimento aparece, cresce e se multiplica; e o pior é que no mais das vezes não sabemos como reconquistar o tempo perdido pela nossa vida desregrada; isso acontece, talvez, por causa de nossa insensatez e egoísmo, ou inda por causa da cegueira espiritual que cultivamos por não vivermos a fé devidamente.

Não podemos esquecer que nossa vida neste mundo é uma resposta que estamos dando a Deus; e essa resposta precisa ser uma resposta de amor, que realmente convença o Senhor, para que obtenhamos todas as graças que Ele dispôs a nosso favor. Quando lemos São Paulo sobre isto, entendemos melhor o que significa essa resposta: “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda benção espiritual em Cristo, e nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos”. (Ef 1,3-4).

Não temos como duvidar que a vida é um grande presente que Deus nos deu. Por isso, não podemos nos desligar Dele nunca, porque Ele é a Fonte que alimenta nosso ser e bem estar no mundo. Sem Ele a vida seca, se esvai e tudo que foi feito para o bem, torna-se presa fácil do mal, que se faz presente em todos os que se deixam levar pelos seus conselhos maléficos.

De fato, é como nos ensina o Salmo primeiro: “Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite. Ele é como a árvore plantada na margem das águas correntes: dá fruto na época própria, sua folhagem não murchará jamais. Tudo o que empreende, prospera. Os ímpios não são assim! Mas são como a palha que o vento leva. Por isso não suportarão o juízo, nem permanecerão os pecadores na assembleia dos justos. Porque o Senhor vela pelo caminho dos justos, ao passo que o dos ímpios leva à perdição”.

Então, o que estamos esperando do nosso pós-morte? Ou seja, como será a eternidade de nossas almas após nossa páscoa? Bem, se a resposta de nossa vida for uma reposta de amor a Deus acima de todas as coisas, é sinal de que ressuscitamos com Cristo e vivemos a fé da ressurreição; em outras palavras, desde já, vivemos a dimensão da salvação eterna que Deus preparou por Seu Filho Jesus Cristo, para aqueles que o amam. Porém, se a nossa resposta for um não a Deus em todos os sentidos, é sinal que atraímos o castigo que pesa sobre os rebeldes contumazes que fazem de sua vida um antro de perdição.

A vida sem Cristo não é vida, é morte; a vida em Cristo é eterna. De que lado nós estamos? De fato, cabe a nós tomarmos essa decisão. Mas, por que é assim? Porque a vida nos ensina que, quem planta, colhe o que se plantou. Desse modo, entendemos que no pós-morte, só existe a colheita e o que se sucede a ela, o juízo final, como nos ensinou o Senhor (cf. Mt 25,31-46). Portanto, “Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé”. (Gal 6,9-10).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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pantocrator

JESUS TINHA CONSCIÊNCIA QUE ERA DEUS?

A vida em si é um grande mistério que transpõe a nossa natureza e não depende de nossa consciência para ela ser o mistério que é. Pois a vida não depende de nós, mas de Deus que a criou e a sustenta, independentemente de nossa presença ou não. De fato, somos colaboradores do Senhor na obra da criação, mas não sua causa primeira; porque só Deus é a causa Primeira e Única de todas as coisas. Porém, o habitat natural em que vivemos depende de nossas ações para ele permanecer agradável como foi criado, ou seja, um verdadeiro paraíso terrestre.

Com efeito, como seres pensantes, temos consciência de nossa finitude e do além dela, ao qual buscamos incessantemente, pois ninguém em sã consciência quer a morte, mesmo sabendo que ela acontece naturalmente a cada instante e que um dia acontecerá definitivamente. Todavia, pensar a possibilidade da vida sem Deus, é pensar o óbvio do pecado humano, que se resume nesta frase de São Paulo: “Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”. (Rm 6,23).

Por acaso quem deu existência a tudo o que há, também não deu consciência de sua condição? E olha que não estou falando somente da consciência racional, mas do próprio ato de existir e permanecer na existência. Podemos discutir a questão das crenças e outras tantas questões advindas delas, pois se trata de adesão, correspondência ao plano de Deus para a nossa permanência na vida; mas a questão da consciência, não é tão simples assim, não basta dizer que temos ou não temos consciência de quem somos, é preciso comprovar isto, e é essa comprovação que autentica quem somos de fato.

O ser humano por si mesmo jamais conseguiu responder às questões existenciais: quem somos, de onde vimos, para onde vamos? Já houve inúmeras tentativas racionais para se explicar a origem da vida fora do âmbito da fé, sem a presença de Deus; mas todas foram em vão, sem nenhuma comprovação convincente, porque tratam sempre da existência a partir dela mesma e não de sua Causa Primeira, Deus.

Ora, cada ser é o que é em sua essência. Assim, Deus é Deus e não há Nele necessidade alguma. Já o homem é homem, porém, criado por Deus à sua “imagem e semelhança”. Todavia, quando tratamos de Jesus Cristo, tratamos de Deus feito homem, pois assim como Adão foi feito à “imagem e semelhança” de Deus; Deus, em Seu Filho Jesus Cristo, se fez homem e habitou no meio de nós. Ou seja, Deus, assumiu a natureza humana, sem deixar a sua Natureza Divina, para divinizar a natureza humana. E como comprovamos isto? Pela revelação que Deus fez de si mesmo. Primeiro, naturalmente, pois, em tudo o que vemos, lemos a Sabedoria Divina, ou seja, a verdade se faz presente em tudo o que há e não tem como duvidar. Segundo, espiritualmente, aqui se trata da revelação que Deus faz de Si mesmo por meio do Seu Espírito Santo, seja pelos profetas, seja por Seu Filho amado, Jesus Cristo, a quem Deus constituiu Senhor e Salvador de todas as coisas que há. Desse modo, perguntar se Jesus tinha consciência que era Deus, equivale a perguntar se a Verdade é Verdade, ou seja, perguntar a Deus se ele tem consciência que é Deus. Mas, enquanto homens, precisamos de comprovação, então, vamos a ela.

São Paulo, se referindo à revelação natural, escreveu: “A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade. Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o leem em si mesmos, pois Deus lho revelou com evidência. Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar. Porque, conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato”. (Rom 1,18-21).

Quanto à revelação espiritual, São João, escreveu o seguinte: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”. (JO 1,1-4). E também São Lucas, escreveu: ”O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus”. (Lc 1,31-35).

Ora, será que temos como duvidar da divindade do Senhor ou se Ele tinha consciência de sua divindade? Só os incrédulos duvidam e contestam, porque negam a verdade. Aliás, São Paulo, já dizia: “Pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para a nossa glória. Sabedoria que nenhuma autoridade deste mundo conheceu (pois se a houvessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória). É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus”.

“Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as coisas espirituais em termos espirituais. Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem ponderar. O homem espiritual, ao contrário, julga todas as coisas e não é julgado por ninguém. Por que quem conheceu o pensamento do Senhor, se abalançará a instruí-lo (Is 40,13)? Nós, porém, temos o pensamento de Cristo”. (1Cor 2,7-16).

Portanto, creio que Jesus Cristo sempre teve consciência de que era Deus, mesmo assumindo nossa natureza humana. Pois, a consciência em cada um de nós, nasce de quem somos e não é algo adquirido de fora para dentro, mas inata. Assim também podemos dizer a partir do nosso batismo, que somos novas criaturas, nascidas da água e do Espírito Santo, para a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. Amém!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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Jesus pregando

CONHECENDO E CONVIVENDO COM A VERDADE…

Só conhece a verdade quem a vive e se dispõe a ver para além das razões preconcebidas, pois enquanto não atingirmos a essência de cada ser, sua intimidade, ainda não os conhecemos de verdade. Tudo o que é falso é falho; aparenta ter uma força incomum, um poder extraordinário, seja de persuasão, seja belicoso; mas logo sua fraqueza se revela pela inverdade com a qual procura macular ou maquiar aquilo a que tem acesso ou de certa forma está sob seu domínio. Ao contrário, a Verdade não precisa de alvoroço para se dar a conhecer, porque tudo nela é transparente como a luz, aliás, ela é a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo (cf. Jo 1,9). Quem a busca, encontra Jesus Cristo, e quem o encontra, encontra Deus e a vida eterna Nele (cf. Jo 14,8-11).

Não existe verdade fora de Deus porque só Deus é a Verdade; existem verdades que os homens vivem, que são suas condições existenciais, às quais nascem das escolhas e decisões que fazem, mas se elas não forem compatíveis com a Verdade Divina, tornam-se caminhos sem volta, labirintos existenciais esmos, sujeitos a todo tipo de kenósis, isto é, de esvaziamentos, confusos, estéreis, mortais; a não ser que se convertam e voltem ao estado de graça original, ou seja, à comunhão com Deus para desfrutar das delícias de sua companhia.

De fato, vivemos hoje num mundo hediondo que privilegia acima de tudo a busca do prazer momentâneo e fugaz; e para tê-lo, muitos são capazes de destruir os mais belos sentimentos e até a própria vida. E o pior de tudo, não importa o calão, o que importa é a busca de satisfação instintiva seja de que forma for. Tomo como exemplos, as perversões sexuais, o mundo das drogas, das bebidas, das falcatruas e engodos, sinônimo de corrupção e enriquecimento ilícito; mundo das aberrações de toda espécie; das fantasias e desvios comportamentais; da mentira e suas cúmplices, calúnia, difamação, intriga, fofoca, etc. Tudo isto afasta os homens do caminho da salvação e os desliga de Deus, fazendo-os amargar o inferno que cultivam por suas decisões funestas.

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32). A verdadeira liberdade se encontra no poder de decisão que temos; e quando acompanhado da obediência à Verdade, Cristo, torna-se para nós o paraíso. Tudo o que fazemos na vida, depende sempre de nossas escolhas e decisões, por isso, somos responsáveis pela vida e pelo que vivemos; em tudo isto se encontra a verdade; seja a Verdade Divina que nos salva, cura e faz feliz pela nossa obediência a Ela; seja a verdade que resulta da não comunhão com Deus, isto é, da desobediência aos seus Santos Mandamentos. Pois, “Todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo” (Jo 8,32b). Então, não perca a sua liberdade, decida sempre e somente por Deus e Seu Poder de salvação, que se encontra no perdão que Dele recebemos pela morte e ressurreição de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor.

“Todo o que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus; e todo o que ama aquele que o gerou, ama também aquele que dele foi gerado. Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Eis o amor de Deus: que guardemos seus mandamentos. E seus mandamentos não são penosos, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor do mundo senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (1Jo 5,1-5).

Ora, ninguém conheceu a Deus Pai e o amou e o revelou mais perfeitamente que se Filho Jesus Cristo; e ninguém conheceu e amou mais a Cristo do que sua Mãe, a Virgem Maria, que o trouxe nove meses em seu ventre e com Ele conviveu toda sua vida. Eis o que está escrito no Evangelho de São João: ”Aquele que vem de cima é superior a todos. Aquele que vem da terra é terreno e fala de coisas terrenas. Aquele que vem do céu é superior a todos. Ele testemunha as coisas que viu e ouviu, mas ninguém recebe o seu testemunho. Aquele que recebe o seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro. Com efeito, aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque ele concede o Espírito sem medidas. O Pai ama o Filho e confiou-lhe todas as coisas. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus”. (Jo 3,31-36).

Conclusão: conhecer a verdade não é mero esforço racional ou apenas um saber intelectual; muito menos um conhecimento qualquer; trata-se de um relacionamento íntimo com Deus, a única Verdade que há e que sustenta todas as coisas, baseado nos valores eternos movidos pela fé; como está escrito na carta aos Hebreus: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram”. (Heb 11,6).

“Assim, apressemo-nos a entrar neste descanso para não cairmos por nossa vez na mesma incredulidade [dos que negam a Deus e o seu sempiterno poder]. Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração. Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas”. (Heb 4,11-13).

Portanto, conhecer a Verdade é conhecer Deus, é amá-lo, obedecê-lo, servi-lo; e, assim, conviver com Ele no tempo e no espaço de nossa existência até que sejamos chamados deste mundo, por Seu Filho, Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo, à Glória do Seu Reino de Amor para vivermos a felicidade dos justos por toda a eternidade. (cf. Jo 14,1-3). Amém!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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jesus na cruz..

A VERDADE NÃO É TEORIA

A verdade não é teoria, porque ela é o fundamento da vida e tem sua origem em Deus e em Deus permanece. Todo ser inteligente ou não, busca sempre a verdade, porque nela encontra segurança, por isso, nada e ninguém permanece sem que a verdade o sustente. Desde o primeiro momento de nossa existência, fazemos parte da eternidade criadora de Deus, pois, em sua Sabedoria criou tudo e em tudo pôs o seu propósito divino, a fim de que participemos de sua glória eterna.

Aqui estamos, é verdade, em nossa naturalidade, mas não sem a proteção divina; a não ser que a dispensemos por nossas práticas pecaminosas, neste caso, afundamos na lama da maldade que cultivamos e a nossa integridade torna-se frágil, porque nos expondo ao mal, não somos capazes de nos defender por nós mesmos. O resultado são as tragédias que constatamos pela desobediência demostrada, pois sempre que pecamos nos desligamos de Deus, porque em Deus não há pecado. Porém, por sua misericórdia, Ele nos acompanha, para que mediante o arrependimento, a confissão e a absolvição dos pecados cometidos, voltemos ao perfeito estado de graça, isto é, à plena comunhão com o Senhor que no Seu amor nos quer sempre felizes sob o seu amparo. (cf. Lc.13,34).

A verdade do Senhor está sempre presente em tudo e em toda parte de sua obra, basta o bom senso para se perceber isto. Seja lá onde for, fazendo o que estivermos fazendo, não podemos nos ocultar dela ou a ocultarmos com nossas maquinações, porque mais cedo ou mais tarde ela virá à tona e revelará o que tentamos esconder nos bastidores de nossa existência (cf. Mt 10,26). Ao falar sobre isto, São Paulo assim se expressou: “A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade. Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o leem em si mesmos, pois Deus lho revelou com evidência. Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar”. (Rom 1,18-20).

Não obstante a negativa dos homens em conhecer a verdade e permanecer nela, Deus enviou o Seu Filho, Jesus Cristo, para que por Ele tivéssemos o pleno conhecimento de Sua Presença Pessoal, transparente aos olhos do mundo, e profundamente visível aos olhos (entendimento) dos que creem. “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus. Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más. Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus”. (Jo 3,16-21).

A respeito da Pessoa de Jesus Cristo, eis o que escreveu São João: ”No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz. [O Verbo] era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem”.

“Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade”.

“João dá testemunho dele, e exclama: Eis aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim. Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça. Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou”. (Jo 1,1-18).

Portanto, a verdade que estamos vivendo é com ela que entraremos na glória de Deus ou não. Pois, como dizia São Francisco de Assis: “Somos o que somos aos olhos de Deus e nada mais”. E se referindo ao nosso devir, assim nos ensinou São Paulo: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção [e a morte]; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé”. (Gal 6,7-10).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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