Category: LITURGIA DIÁRIA


SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS

SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS

Quando as cruzes foram levantadas, foi coisa admirável ver a constância de todos, à qual eram exortados pelo Padre Passos e pelo Padre Rodrigues. O Padre Comissário permaneceu sempre de pé, sem se mexer e com os olhos fixos no céu. O Irmão Martinho cantava salmos de ação de graças à bondade divina, aos quais acrescentava o versículo: Em vossas mãos, Senhor (Sl 30,6). Também o Irmão Francisco Blanco dava graças a Deus com voz clara. O Irmão Gonçalo recitava em voz alta o Pai-nosso e a Ave-Maria.

O nosso Irmão Paulo Miki, vendo-se colocado diante de todos no mais honroso púlpito que nunca tivera, começou por declarar aos presentes que era japonês e pertencia à Companhia de Jesus, que ia morrer por haver anunciado o Evangelho e que dava graças a Deus por lhe conceder tão imenso benefício. E por fim disse estas palavras: “Agora que cheguei a este momento de minha vida, nenhum de vós duvidará que eu queira esconder a verdade. Declaro-vos, portanto, que não há outro caminho para a salvação fora daquele seguido pelos cristãos. E como este caminho me ensina a perdoar os inimigos e os que me ofenderam, de todo o coração perdôo o Imperador e os responsáveis pela minha morte, e lhes peço que recebam o batismo cristão.

Em seguida, voltando os olhos para os companheiros, começou a encorajá-los neste momento extremo. No rosto de todos transparecia uma grande alegria, mas era no de Luís que isto se percebia de modo mais nítido. Quando um cristão gritou que em breve estaria no paraíso, ele fez com as mãos e o corpo um gesto tão cheio de contentamento que os olhares dos presentes se fixaram nele. Antônio estava ao lado de Luís, com os olhos voltados para o céu. Depois de invocar os santíssimos nomes de Jesus e de Maria, entoou o salmo Louvai, louvai, ó servos do Senhor (Sl 112,1), que tinha aprendido na escola de catequese em Nagasaki; de fato, durante o catecismo, costumavam ensinar alguns salmos às crianças.

Alguns repetiam com o rosto sereno: “Jesus, Maria”; outros exortavam os presentes a levarem uma vida digna de cristãos; e por estas e outras ações semelhantes demonstravam estar prontos para a morte. Finalmente os quatro carrascos começaram a tirar as espadas daquelas bainhas que os japoneses costumam usar. Vendo cena tão horrível, os fiéis gritavam: “Jesus! Maria!” Seguiram-se lamentos tão sentidos de tocar os próprios céus. Ferindo-os com um primeiro e um segundo golpe, em pouco tempo os carrascos mataram a todos.

Responsório Cf. Gl 6,14; Fl 1,29

R. Nós devemos gloriar-nos na cruz de Jesus Cristo; nele está a salvação, ressurreição e nossa vida; * Pelo qual nós fomos salvos, pelo qual fomos libertos.
V. A vós foi dada a graça, não só de crer em Cristo, mas também sofrer por ele. * Pelo qual.

Oração

Ó Deus, força dos santos, que em Nagasaki chamastes à verdadeira vida São Paulo Miki e seus companheiros pelo martírio da cruz, concedei-nos, por sua intercessão, perseverar até a morte na fé que professamos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Fonte: Da História do martírio dos santos Paulo Miki e seus companheiros, escrita por um autor do tempo – (Cap.14,109-110:Acta Sanctorum Febr. 1, 769) (Séc.XVI) http://www.liturgiadashoras.org/index.html (06/02/12).

“SOMOS SERVOS INÚTEIS”

Terça-feira, dia 11 de Novembro de 2008

S. Martinho (de Tours), bispo, +397

Carta a Tito 2,1-8.11-14.

Tu, porém, ensina o que é conforme à sã doutrina. Os anciãos sejam sóbrios, dignos, prudentes, firmes na fé, na caridade e na paciência. Do mesmo modo, as anciãs tenham um comportamento reverente, não sejam caluniadoras nem escravas do vinho, mas mestras de virtude, a fim de ensinarem as jovens a amar os maridos e os filhos, a serem prudentes, castas, boas donas de casa e dóceis aos maridos, de modo que a palavra de Deus não seja difamada.

Exorta igualmente os jovens a serem moderados, apresentando-te em tudo a ti próprio como exemplo de boas obras, de integridade na doutrina, de dignidade, de palavra sã e irrepreensível, para que os adversários fiquem confundidos, por não terem nada de mal a dizer de nós.

Com efeito, manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens, para nos ensinar a renúncia à impiedade e aos desejos mundanos, a fim de vivermos no século presente com sobriedade, justiça e piedade, aguardando a bem-aventurada esperança e a gloriosa manifestação do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo.

Ele entregou-se por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade e de purificar e constituir um povo de sua exclusiva posse e zeloso na prática do bem.

Livro de Salmos 36,3-4.18.23.27.29.

— A salvação de quem é justo vem de Deus!

— Confia no Senhor e faze o bem, e sobre a terra habitarás em segurança. Coloca no Senhor tua alegria, e ele dará o que pedir teu coração.

— O Senhor cuida da vida dos honestos, e sua herança permanece eternamente. É o Senhor quem firma os passos dos mortais e dirige o caminhar dos que lhe agradam.

— Afasta-te do mal e faze o bem, e terás tua morada para sempre. Os justos herdarão a nova terra e nela habitarão eternamente.

Evangelho segundo S. Lucas 17,7-10.

«Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá, quando ele regressar do campo: ‘Vem cá depressa e senta-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires,enquanto eu como e bebo; depois, comerás e beberás tu’? Deve estar grato ao servo por ter feito o que lhe mandou? Assim, também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.’»

Da Bíblia Sagrada

S. Patrício (c. 385 – c.461), monge missionário, bispo
Confissão, 12-14

"Somos servos inúteis"

Eu, que, de início, não era mais do que um fugitivo frustre e sem instrução e que "não sei prever o futuro" (Qo 4,13 Vulg), sei, no entanto, uma coisa com toda a certeza: é que, "antes de ser humilhado" (Sl 118,67), eu era como uma pedra que jazia numa lama profunda. Mas Ele veio, "aquele que é poderoso" (Lc 1,49) e agarrou em mim na sua misericórdia; ergueu-me verdadeiramente bem alto e colocou-me em cima do muro. Por isso, eu tenho de elevar a voz com toda a força, a fim de devolver qualquer coisa ao Senhor em troca dos seus benefícios, tanto aqui em baixo como pela eternidade, benefícios tão grandes que o espírito dos homens não pode enumerar.

Ficai, pois, em admiração, "grandes e pequenos que temeis a Deus" (Ap 19,5); e vós, senhores e bem-falantes, escutai e examinai com atenção. Quem foi que me ergueu, a mim, o insensato, de entre os que passam por sábios, peritos da lei, "poderosos em palavras" (Lc 24,19) e em todas as outras coisas? Quem foi que me inspirou, mais do que aos outros, a mim, o rebotalho deste mundo, a fim de que "no temor e no respeito" (He 12,28)… eu faça lealmente bem aos povos a quem o amor de Cristo me conduziu e me entregou para, se for digno disso, os servir toda a minha vida com humildade e verdade?

É por isso que, "segundo a medida da minha fé" (Rm 12,6) na Trindade, eu tenho de reconhecer e… proclamar o dom de Deus e a sua "eterna consolação" (2Tes 2,16). Tenho que espalhar sem temor mas com confiança o nome de Deus por toda a parte para que, mesmo após a minha morte, eu deixe uma herança aos meus irmãos e aos meus filhos, a tantos milhares de homens que baptizei no Senhor.

Paz e Bem!

São MartinhoHoje celebramos a Memória do Bispo São Martinho que tornou-se intercessor e modelo de apostolado para todos nós. Nasceu em 316 na Panônia, atual Hungria, numa família pagã que da parte do pai fez de Martinho um militar, enquanto o Pai do Céu o estava fazendo cristão, já que começou a fazer catecumenato.

Certa vez quando o militar, mas ainda não batizado, Martinho partiu em duas partes seu manto para dá-lo a um pobre, e assim Jesus aparece-lhe na noite seguinte e disse-lhe: "Martinho, principiante na fé, cobriu-me com este manto". Homem de Deus foi batizado e abandonou a vida militar para viver intensamente a vida religiosa e as inspirações do Espírito Santo para sua vida.

Com a direção e ajuda do Bispo Hilário, Martinho tornou-se monge, Diácono, fundador do primeiro Mosteiro da França e depois Sacerdote que formava os seus "filhos" para a contemplação e ao mesmo tempo para a missão de evangelizar os pagãos; diferenciando-se com isso dos Mosteiros do Oriente. Por ser fiel no pouco, São Martinho recebeu o mais, que veio com a sua ordenação para Bispo em Tours e não o impediu de fundar muitos outros Mosteiros a fim de melhor evangelizar sua Diocese. Entrou no Céu em 397.

São Martinho, rogai por nós.

Terça-feira, dia 22 de Julho de 2008

Santa Maria Madalena, penitente

2ª Carta aos Coríntios 5,14-17.

Sim, o amor de Cristo nos absorve completamente, ao pensar que um só morreu por todos e, portanto, todos morreram.
Ele morreu por todos, a fim de que, os que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.
Por conseguinte, de agora em diante, não conhecemos ninguém à maneira humana. Ainda que tenhamos conhecido a Cristo desse modo, agora já não o conhecemos assim.
Por isso, se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas.

Livro de Salmos 63,2.3-4.5-6.8-9.

Deus, Tu és o meu Deus! Anseio por ti! A minha alma tem sede de ti; todo o meu ser anela por ti, como terra árida, exausta e sem água.

Quero contemplar-te no santuário, para ver o teu poder e a tua glória.
teu amor vale mais do que a vida; por isso, os meus lábios te hão-de louvar.

Quero bendizer-te toda a minha vida e em teu louvor levantar as minhas mãos.
Minha alma será saciada com deliciosos manjares, com vozes de júbilo te louvarei.

Porque Tu és o meu auxílio, e à sombra das tuas asas eu exulto.
Minha alma está unida a ti, a tua mão direita me sustenta.

Evangelho segundo S. João 20,1-2.11-18.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro, e viu retirada a pedra que o tapava.
Correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.»

Maria estava junto ao túmulo, da parte de fora, a chorar. Sem parar de chorar, debruçou-se para dentro do túmulo, e contemplou dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha estado o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés.
Perguntaram-lhe: «Mulher, porque choras?» E ela respondeu: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.»
Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus, de pé, mas não se dava conta que era Ele.

E Jesus disse-lhe: «Mulher, porque choras? Quem procuras?» Ela, pensando que era o encarregado do horto, disse-lhe: «Senhor, se foste tu que o tiraste, diz-me onde o puseste, que eu vou buscá-lo.»
Disse-lhe Jesus: «Maria!» Ela, aproximando-se, exclamou em hebraico: «Rabbuni!» que quer dizer: «Mestre!»

Jesus disse-lhe: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: ‘Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus.’»

Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: «Vi o Senhor!» E contou o que Ele lhe tinha dito.

Da Bíblia Sagrada

S. Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja
Homilia 25

"Mulher, porque choras?"

Maria torna-se testemunha da compaixão de Deus; sim… aquela Maria a quem um fariseu queria quebrar o arroubo de ternura. "Se este homem fosse profeta, exclamava ele, saberia quem é esta mulher que o toca e o que ela é: uma pecadora" (Lc 7,39). Mas as suas lágrimas apagaram-lhe as manchas do corpo e do coração; ela precipitou-se a seguir os passos do seu Salvador, afastando-se dos caminhos do mal. Estava sentada aos pés de Jesus e escutava-o (Lc 10,39). Vivo, apertava-o nos seus braços; morto, procurava-o. E encontrou vivo aquele que procurava morto. Encontrou nele tanta graça que acabou por ser ela a levar a boa nova aos apóstolos, aos mensageiros de Deus!

Que devemos ver aqui, meus irmãos, senão a infinita ternura do nosso Criador, que, para dar novo ânimo à nossa consciência, nos dá constantemente exemplos de pecadores arrependidos. Lanço os meus olhos sobre Pedro, olho para o ladrão, examino Zaqueu, considero Maria e só vejo neles apelos à esperança e ao arrependimento. Foi a vossa fé tocada pela dúvida? Pensem em Pedro que chora amargamente a sua cobardia. Estais ardendo em cólera contra o vosso próximo? Pensai no ladrão: em plena agonia, arrepende-se e ganha as recompensas eternas.

A avareza seca-vos o coração? Prejudicastes alguém? Vede Zaqueu que devolve quatro vezes mais aquilo que tinha roubado a um homem. Por causa de uma paixão, perdestes a pureza da carne? Olhai para Maria que purifica o amor da carne com o fogo do amor divino.
Sim, Deus todo-poderoso oferece-nos constantemente exemplos e sinais da sua compaixão. Enchamo-nos, pois, de horror pelos nossos pecados, mesmo pelos mais antigos.

Deus todo-poderoso esquece com facilidade que nós cometemos o mal e está pronto a olhar para o nosso arrependimento como se fosse a própria inocência. Nós que, depois das águas da salvação, nos tínhamos de novo manchado, renasçamos das nossas lágrimas… O nosso Redentor consolará as vossas lágrimas com a sua alegria eterna.

O SINAL DE JONAS

Segunda-feira, dia 21 de Julho de 2008

S. Lourenço de Brindisi (Brindes), religioso, Doutor da Igreja, +1619

Livro de Miqueias 6,1-4.6-8.

Ouvi o que diz o Senhor: «Levanta-te! Advoga a tua causa diante das montanhas, e ouçam as colinas a tua voz!
Ouvi, ó montanhas, o processo do Senhor, prestai atenção, fundamentos da terra! Porque o Senhor entrou em litígio com o seu povo, e vai litigar com Israel:

‘Povo meu, que te fiz, ou em que te contristei? Responde-me.
Tirei-te da terra do Egipto, livrei-te da casa da escravidão e enviei, diante de ti, Moisés, Aarão e Míriam.
Com que me apresentarei ao Senhor, e me prostrarei diante do Deus excelso? Irei à sua presença com holocaustos, com novilhos de um ano?
Porventura o Senhor receberá com agrado milhares de carneiros ou miríades de torrentes de azeite? Hei-de sacrificar-lhe o meu primogénito pelo meu crime, o fruto das minhas entranhas pelo meu próprio pecado?
Já te foi revelado, ó homem, o que é bom, o que o Senhor requer de ti: nada mais do que praticares a justiça, amares a lealdade e andares humildemente diante do teu Deus.

Livro de Salmos 50(49),5-6.8-9.16-17.21.23.

«Reuni junto a mim os que me são fiéis, os que selaram a minha aliança com um sacrifício.»

Até os céus proclamarão a sua justiça, porque Deus é quem julga.
Não te repreendo por causa dos teus sacrifícios; os teus holocaustos estão sempre na minha presença.
Não reivindico os novilhos da tua casa, nem os cabritos dos teus currais;

Ao pecador, Deus declara: «Porque andas sempre a falar da minha lei e trazes na boca a minha aliança,
tu que detestas os meus ensinamentos e rejeitas as minhas palavras?

Tens feito tudo isto. Poderei Eu calar-me? Pensavas que Eu era igual a ti? Vou chamar-te a julgamento e lançar-te tudo isto em rosto!»

Honra-me quem oferece o sacrifício de louvor; a quem anda por este caminho farei participar da salvação de Deus. SALMOS

Evangelho segundo S. Mateus 12,38-42.

Intervieram, então, alguns doutores da Lei e fariseus, que lhe disseram: «Mestre, queremos ver um sinal feito por ti.»
Ele respondeu-lhes: «Geração má e adúltera! Reclama um sinal, mas não lhe será dado outro sinal, a não ser o do profeta Jonas.
Assim como Jonas esteve no ventre do monstro marinho, três dias e três noites, assim o Filho do Homem estará no seio da terra, três dias e três noites.

No dia do juízo, os habitantes de Nínive hão-de levantar-se contra esta geração para a condenar, porque fizeram penitência quando ouviram a pregação de Jonas. Ora, aqui está quem é maior do que Jonas!
No dia do juízo, a rainha do Sul há-de levantar-se contra esta geração para a condenar, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está alguém que é maior do que Salomão!»

Da Bíblia Sagrada

S. Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo de Jerusalém, doutor da Igreja
Catequese nº 20 / 2ª mistagógica

O sinal de Jonas

Fostes conduzidos pela mão à piscina baptismal, como Cristo o foi da cruz até ao túmulo que está diante de vós [nesta igreja do Santo Sepulcro]. Depois de terdes confessado a vossa fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo, fostes imersos três vezes na água e três vezes emergistes: era o símbolo dos três dias de Cristo no túmulo.

Tal como o nosso Salvador passou três dias e três noites no coração da terra, também vós, ao sairdes da água depois da vossa imersão, haveis imitado Cristo… Quando imergistes, estáveis na noite, não víeis nada; mas ao sairdes da água estáveis como que em pleno dia. Num mesmo movimento, morrestes e nascestes; essa água que salva foi ao mesmo tempo o vosso túmulo e a vossa mãe…     

Estranho paradoxo! Não estamos verdadeiramente mortos, não fomos verdadeiramente sepultados, não fomos verdadeiramente crucificados nem ressuscitados; mas, se esta nossa imitação não é mais do que uma imagem, a salvação, essa é uma realidade.

Cristo foi realmente crucificado, realmente sepultado e verdadeiramente ressuscitou, e toda esta graça nos é dada para que, participando nos seus sofrimentos e imitando-os, ganhemos na realidade a salvação. Que imenso amor pelos homens! Cristo recebeu os pregos nas suas mãos puras e sofreu; a mim, sem sofrimento e sem dor, Ele concede por esta participação a graça da salvação…

Sabemo-lo bem: se é certo que o baptismo nos purifica dos pacedos e nos dá o Espírito Sanrto, ele é também a réplica da Paixão de Cristo. É por isso que Paulo proclama: "Não o sabeis? Nós todos, que fomos baptizados em Jesus Cristo, foi na sua morte que fomos baptizados. Fomos portanto sepultados com ele no baptismo"… Tudo o que Cristo suportou, foi por nós e para nosso salvação, na realidade e não em aparência…

Quanto a nós, tornamo-nos participantes  dos seus sofrimentos. Por isso, Paulo continua a proclamar: "Se nos tornámos um só com Crisrto, por uma morte semelhanse à sua, sê-lo-emos também por uma ressureição que se lhe assemelhe" (Ro 6,3-5).

PAZ E BEM!

Sexta-feira, dia 27 de Junho de 2008

S. Cirilo de Alexandria, bispo, Doutor da Igreja, +444 ,   Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Livro de 2º Reis 25,1-12.

No nono ano do seu reinado, no dia dez do décimo mês, Nabucodonosor marchou com todo o seu exército contra Jerusalém. Acampou diante da cidade e levantou trincheiras em redor dela. O cerco da cidade durou até ao décimo primeiro ano do reinado de Sedecias.

No nono dia do quarto mês, como a cidade se visse apertada pela fome e a população não tivesse mantimentos, abriu-se uma brecha na muralha da cidade. Então o rei e todos os homens de guerra fugiram de noite pela porta que está entre os dois muros, junto do jardim do rei. Entretanto, os caldeus cercavam a cidade. Os fugitivos tomaram o caminho da planície do Jordão, mas o exército dos caldeus perseguiu o rei e alcançou-o na planície de Jericó. Então as tropas, que o acompanhavam, abandonaram-no e dispersaram-se.

O rei Sedecias foi preso e conduzido a Ribla, diante do rei da Babilónia, que pronunciou a sentença contra ele. Degolou os filhos na presença de Sedecias, furou-lhe os olhos e levou-o para a Babilónia, ligado com duas cadeias de bronze.
No sétimo dia do quinto mês, no décimo nono ano do reinado de Nabucodonosor, rei da Babilónia, Nebuzaradan, chefe da guarda e servo do rei da Babilónia entrou em Jerusalém.
Incendiou o templo do Senhor, o palácio real e todas as casas da cidade, começando pelas casas dos mais importantes de Jerusalém.

E as tropas que acompanhavam o chefe da guarda, destruíram o muro que cercava Jerusalém.
Nebuzaradan, chefe da guarda, levou cativos para Babilónia, os que restavam da população da cidade, os que já se tinham rendido ao rei da Babilónia e o resto da população.
O chefe da guarda só deixou ali alguns pobres para cultivarem as vinhas e os campos.

Livro de Salmos 137(136),1-2.3.4-5.6.

Junto aos rios da Babilónia nos sentámos a chorar, recordando-nos de Sião. Nos salgueiros das suas margens pendurámos as nossas harpas.

Os que nos levaram para ali cativos pediam-nos um cântico; e os nossos opressores, uma canção de alegria: «Cantai-nos um cântico de Sião.»
Como poderíamos nós cantar um cântico do SENHOR, estando numa terra estranha?

Se me esquecer de ti, Jerusalém, fique ressequida a minha mão direita!
Pegue-se-me a língua ao paladar, se eu não me lembrar de ti, se não fizer de Jerusalém a minha suprema alegria!

Evangelho segundo S. Mateus 8,1-4.

Ao descer do monte, seguia o uma enorme multidão.
Foi, então, abordado por um leproso que se prostrou diante dele, dizendo-lhe: «Senhor, se quiseres, podes purificar-me.»
Jesus estendeu a mão e tocou-o, dizendo: «Quero, fica purificado!» No mesmo instante, ficou purificado da lepra.
Jesus, porém, disse-lhe: «Vê, não o digas a ninguém; mas vai mostrar-te ao sacerdote e apresenta a oferta que Moisés preceituou, para que lhes sirva de testemunho.»

Da Bíblia Sagrada

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
Um caminho simples

«Jesus estendeu a mão e tocou-o»

Hoje em dia, a doença mais terrível do Ocidente não é a tuberculose nem a lepra, é a sensação de ser indesejado, de não ser amado, se ser abandonado. Tratamos as doenças do corpo por meio da medicina; mas o único remédio para a solidão, para a confusão e para o desespero é o amor. São muitas as pessoas que morrem neste mundo por falta de um pedaço de pão, mas são muitas mais as que morrem por falta de um pouco de amor.

A pobreza no Ocidente é outra espécie de pobreza; não se trata apenas de uma pobreza de solidão, é também uma pobreza de espiritualidade. Há uma fome que é fome de amor, como também há uma fome de Deus.

RECONCILIAÇÃO

Quinta-feira, dia 12 de Junho de 2008

Nossa Senhora do Sameiro ,   Beato Ludovico Mzyk, presbítero, e companheiros mártires (+1940)

Livro de 1º Reis 18,41-46.

Livro de Salmos 65,10.10-11.12-13.

Cuidaste da terra e tornaste-a fértil, cumulando-a de riquezas. Enches, a transbordar, os rios caudalosos e fazes brotar o trigo; assim preparas a terra.

Cuidaste da terra e tornaste-a fértil, cumulando-a de riquezas. Enches, a transbordar, os rios caudalosos e fazes brotar o trigo; assim preparas a terra.

Regas os seus sulcos e aplanas as leivas; amoleces a terra com chuvas abundantes e abençoas as suas sementeiras.

Coroas o ano com os teus benefícios; por onde passas, brota a abundância.
Vicejam as pastagens do deserto, as colinas vestem-se de festa.

Evangelho segundo S. Mateus 5,20-26.

Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu.»
«Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás. Aquele que matar terá de responder em juízo.
Eu, porém, digo-vos: Quem se irritar contra o seu irmão será réu perante o tribunal; quem lhe chamar ‘imbecil’ será réu diante do Conselho; e quem lhe chamar ‘louco’ será réu da Geena do fogo.

Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; depois, volta para apresentar a tua oferta.
Com o teu adversário mostra-te conciliador, enquanto caminhardes juntos, para não acontecer que ele te entregue ao juiz e este à guarda e te mandem para a prisão.
Em verdade te digo: Não sairás de lá até que pagues o último centavo.»

Da Bíblia Sagrada

S. João Crisóstomo (cerca 345-407), bispo de Antioquia depois de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilias sobre a 1ª Carta aos Coríntios, nº 24

«Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta»

«Uma vez que há um só pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão» (1Cor 10,17). O que é este pão? O Corpo de Cristo. E no que se tornam os que o recebem? No corpo de Cristo. Não são muitos corpos, mas um só. Quantos grãos de trigo entram na composição do pão! Mas quem vê esses grãos? Estão no pão que eles formam, mas nada os distingue uns dos outros, de tão unidos que estão.

Assim estamos nós unidos uns aos outros e com Cristo. Não há mais muitos corpos alimentados por diversos alimentos; nós formamos um só corpo, alimentado pelo mesmo pão. Por isso Paulo disse: «Todos participamos do mesmo pão». Se participamos todos do mesmo pão, se estamos unidos nele ao ponto de nos tornarmos um só corpo, porque é que não estamos unidos por um mesmo amor, estreitamente ligados pela mesma caridade?

Voltai a ler a história dos nossos antepassados na fé e encontrareis este quadro notável: «A multidão dos que abraçavam a fé tinham um só coração e uma só alma» (Ac 4,32). Mas, infelizmente, hoje não é assim. Nos nossos dias a Igreja oferece o espectáculo contrário; não vemos senão dolorosos conflitos, encarniçadas divisões entre irmãos… Estáveis longe dele, mas Cristo não hesitou em vos unir a ele. E agora vós não vos dignais imitá-lo para vos unirdes de todo o coração ao vosso irmão?…

Por causa do pecado, os nossos corpos formados do pó da terra (Gn 2,7) tinham perdido a vida e estavam sob a escravatura da morte; o Filho de Deus juntou-lhe o fermento da sua carne, ele, livre de todo o pecado, numa plenitude de vida. E deu o seu corpo em alimento a todos os homens, para que, renovados pelo sacramento do altar, tenham todos parte na sua vida imortal e bem-aventurada.   

Sabado, dia 17 de Maio de 2008

S. Pascoal Bailão, religioso leigo, +1592

Carta de S. Tiago 3,1-10.

Meus irmãos, não haja muitos entre vós que pretendam ser mestres, sabendo que nós teremos um julgamento mais severo,
pois todos nós falhamos com frequência. Se alguém não peca pela palavra, esse é um homem perfeito, capaz também de dominar todo o seu corpo. Quando pomos um freio na boca do cavalo para que nos obedeça, dirigimos todo o seu corpo.

Vede também os barcos: por grandes que sejam e fustigados por ventos impetuosos, são dirigidos com um pequeno leme para onde quer a vontade do piloto.
Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede como um pequeno fogo pode incendiar uma grande floresta!

Assim também a língua é fogo, é um mundo de iniquidade; entre os nossos membros, é ela que contamina todo o corpo e, inflamada pelo Inferno, incendeia o curso da nossa existência.
Todas as espécies de animais selvagens, de aves, de répteis e de animais do mar se podem domar e têm sido domadas pelo homem.
A língua, pelo contrário, ninguém a pode dominar: é um mal incontrolável, carregado de veneno mortal.

Com ela bendizemos quem é Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.
De uma mesma boca procedem a bênção e a maldição. Mas isto não deve ser assim, meus irmãos.

Livro de Salmos 12(11),2-3.4-5.7-8.

Salva-nos, SENHOR, pois cada vez há menos justos!

A lealdade desapareceu de entre os filhos dos homens.
Mentem uns aos outros; na sua língua só há engano, só há duplicidade no seu coração.

Que o SENHOR acabe com esses lábios de mentira, com toda a língua que profere arrogâncias, como aqueles que dizem: «Confiamos na força da nossa língua; os nossos lábios nos defenderão; quem nos poderá dominar?»

As palavras do SENHOR são verdadeiras; são como a prata limpa no crisol, sete vezes refinada.
Tu, SENHOR, cuidarás de nós e nos defenderás para sempre dessa gente.

Evangelho segundo S. Marcos 9,2-13.

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os, só a eles, a um monte elevado. E transfigurou-se diante deles.
As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que lavadeira alguma da terra as poderia branquear assim.
Apareceu-lhes Elias, juntamente com Moisés, e ambos falavam com Ele.
Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Mestre, bom é estarmos aqui; façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias.»

Não sabia que dizer, pois estavam assombrados.
Formou-se, então, uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o.» De repente, olhando em redor, já não viram ninguém, a não ser só Jesus, com eles.
Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, senão depois de o Filho do Homem ter ressuscitado dos mortos.

Eles guardaram a recomendação, discutindo uns com os outros o que seria ressuscitar de entre os mortos.
E fizeram-lhe esta pergunta: «Porque afirmam os doutores da Lei que primeiro há-de vir Elias?» Jesus respondeu-lhes: «Sim; Elias, vindo primeiro, restabelecerá todas as coisas; porém, não dizem as Escrituras que o Filho do Homem tem de padecer muito e ser desprezado?
Pois bem, digo-vos que Elias já veio e fizeram dele tudo o que quiseram, conforme está escrito.»

Da Bíblia Sagrada

Pedro, o Venerável (1092-1156), abade de Cluny
Sermão n.º 1 para a Transfiguração; PL 189, 959

«Mestre, bom é estarmos aqui»

«O seu rosto resplandeceu como o Sol» (Mt 17,2) […] Envolvida pela aura da carne, hoje resplandeceu a Luz verdadeira que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina (Jo 1,9). Hoje ela glorifica esta mesma carne, mostra-a deificada aos apóstolos para que estes a revelem ao mundo. E tu, cidade beatífica, fruirás eternamente a contemplação deste Sol, ao desceres do «céu, de junto de Deus […], já preparada, qual noiva adornada para o seu esposo» (Ap 21,2). Nunca mais esse Sol se porá para ti; para sempre Ele próprio fará raiar a manhã eterna.

Nunca mais esse Sol será velado por nuvem alguma, mas brilhará sem cessar, e cumular-te-á de uma luz que não declinará nunca. Nunca mais esse Sol te toldará os olhos, antes dar-te-á forças para que o olhes, e encantar-te-á com o seu esplendor divino […] «Não mais haverá morte nem luto, nem pranto, nem dor» (Ap 21,4) que ensombre o brilho que Deus te deu, pois, como foi dito a João: «O antigo mundo pereceu».

Eis o Sol de que fala o profeta: «Já não será o Sol que te iluminará durante o dia, nem a Lua durante a noite. O Senhor será a tua luz eterna, o teu Deus será o teu esplendor. (Is 60,19). Eis a luz eterna que resplandece para ti no rosto do Senhor. Escutas a voz do Senhor, contemplas o seu rosto resplandecente, e tornas-te como o Sol. Pois é pelo rosto que reconhecemos cada pessoa, e reconhecê-la, é como ficar iluminado por ela.

Aqui na terra acreditas pela fé; nos céus, reconhecerás. Aqui captas com a inteligência; lá, serás captado. Aqui, vês «como num espelho»; lá, verás «face a face» (1 Co 13,12) […] Assim se cumprirá o desejo do profeta: «Que Ele faça resplandecer em nós o seu rosto» (Sl 67,2) […] Nessa luz exultarás para sempre; nessa luz caminharás sem cansaço. Nessa luz, verás a luz eterna.

Paz e Bem!

Sexta-feira, dia 16 de Maio de 2008

São João Nepomuceno, mártir, +1383

Carta de S. Tiago 2,14-24.26.

De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo?
Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: «Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome», mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará?

Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta.
Mais ainda: poderá alguém alegar sensatamente: «Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé.
Tu crês que há um só Deus? Fazes bem. Também o crêem os demônios, mas enchem-se de terror.» Queres tu saber, ó homem insensato, como é que a fé sem obras é estéril?

Não foi porventura pelas obras que Abraão, nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaac? Repara que a fé cooperava com as suas obras e que, pelas obras, a sua fé se tornou perfeita. E assim se cumpriu a Escritura que diz: Abraão acreditou em Deus e isso foi-lhe contado como justiça, e foi chamado amigo de Deus. Vedes, pois, como o homem fica justificado pelas obras e não somente pela fé. Assim como o corpo sem alma está morto, assim também a fé sem obras está morta.

Livro de Salmos 112(111),1-2.3-4.5-6.

Feliz o homem que teme o SENHOR e se compraz nos seus mandamentos.

Sua descendência será poderosa sobre a terra, e bendita, a geração dos justos. Haverá na sua casa abundância e riqueza e a sua prosperidade durará para sempre.

Brilha para os homens rectos como luz nas trevas: ele é piedoso, clemente e compassivo.

Feliz o homem que se compadece e empresta e administra os seus bens com justiça. Este jamais sucumbirá. O justo deixará memória eterna.

Evangelho segundo S. Marcos 8,34-38.9,1.

Chamando a si a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, há-de salvá-la.
Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida?
Ou que pode o homem dar em troca da sua vida?

Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos.»
Disse-lhes também: «Em verdade vos digo que alguns dos aqui presentes não experimentarão a morte sem terem visto o Reino de Deus chegar em todo o seu poder.»

Da Bíblia Sagrada

Santa Teresa d’Ávila (1515-1582), carmelita, doutora da Igreja
Poema : « En la cruz está la vida »

«Tome a sua cruz, e siga-Me»

Na cruz está a vida
E a consolação.
Só ela é o caminho
Que conduz ao céu.

Na cruz está «O Senhor
Do céu e da terra» (Act 17,24).
Nela fruímos uma paz imensa,
Mesmo em plena guerra;
Ela aniquila todos os males
deste mundo.
E só ela é o caminho
Que conduz ao céu.

Acerca da cruz, a Esposa diz
Ao seu Bem-Amado
Que é «a palmeira preciosa»
A que subiu (Ct 7,9).
E cujo fruto foi provado
Pelo Deus dos céus.
E só ela é o caminho
Que conduz ao céu.

A cruz é «a árvore verdejante
E desejada» (Ct 2,3).
Da Esposa que, à sua sombra
Se senta
Para desfrutar o seu Bem-Amado,
O Rei do céu.
Só ela é o caminho
Que conduz ao céu.

É uma «oliveira preciosa» (Sir 24,14),
A Santa Cruz
Que com seu óleo nos unge
E nos dá luz.
Ó alma minha, toma a cruz
Para tua grande consolação,
Porque só ela é o caminho
Que conduz ao céu.

Para as almas que por completo
Se submeteram a Deus
E se afastaram verdadeiramente
Do mundo,
A cruz é «árvore de vida» (Gn 2,9)
E de consolação,
E um caminho de delícias
Que conduz ao céu.

E porque na cruz foi posto
O Salvador,
Na cruz está «a glória
E a honra» (Ap 4,11),
E na dor
Vida e felicidade,
E o mais seguro caminho
Que conduz ao céu.

Terça-feira, dia 13 de Maio de 2008

Nossa Senhora de Fátima ,   Nossa Senhora de Fátima

Carta de S. Tiago 1,12-18.

Feliz o homem que resiste à tentação, porque, depois de ter sido provado, receberá a coroa da vida que o Senhor prometeu aos que o amam. Ninguém diga, quando for tentado para o mal: «É Deus que me tenta.» Porque Deus não é tentado pelo mal, nem tenta ninguém.
Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e seduz.

E a concupiscência, depois de ter concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, no qual não há mudanças nem períodos de sombra. Por sua livre decisão, nos gerou com a palavra da verdade, para sermos como que as primícias das suas criaturas.

Livro de Salmos 94(93),12-13.14-15.18-19.

SENHOR, feliz o homem a quem tu corriges e instruis na tua lei!

Esse terá descanso nos dias maus, enquanto se abre a cova para o ímpio. SENHOR não abandona o seu povo nem despreza a sua herança.

De novo há-de voltar a haver justiça, e hão-de segui-la todos os de coração recto.
Quando digo: «Os meus pés vacilam», logo a tua bondade, SENHOR, me ampara.

Quando se avolumam as angústias dentro em mim, as tuas consolações confortam a minha alma.

Evangelho segundo S. Marcos 8,14-21.

Os discípulos tinham-se esquecido de levar pães e só traziam um pão no barco.
Jesus começou a avisá-los, dizendo: «Olhai: tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.»
E eles discorriam entre si: «Não temos pão.»
Mas Ele, percebendo-o, disse: «Porque estais a discorrer que não tendes pão? Ainda não entendestes nem compreendestes? Tendes o vosso coração endurecido?

Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis? E não vos lembrais de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil?» Responderam: «Doze.»
«E quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de bocados recolhestes?» Responderam: «Sete.»
Disse-lhes então: «Ainda não compreendeis?»

Da Bíblia Sagrada

Jean Pierre de Caussade (1675-1751), jesuita
Abandono na Providência divina (§26)

«Ainda não entendestes nem compreendestes?»

Se perfurássemos o véu, e se estivéssemos vigilantes e atentos, Deus revelar-Se-nos-ia sem cessar e usufruiríamos da Sua acção em tudo quanto nos acontece, dizendo perante todas as coisas: «Dominus est, é o Senhor!» (Jo, 21, 7). E descobriríamos em todas as circunstâncias um dom de Deus.

Consideraríamos as criaturas frágeis instrumentos nas mãos de um obreiro omnipotente; e reconheceríamos sem dificuldade que nada nos falta, e que a contínua atenção de Deus O leva a proporcionar-nos em cada instante aquilo que nos convém. Se tivéssemos fé, teríamos boa vontade para com todas as criaturas; haveríamos de as acariciar, interiormente gratos pelo facto de elas servirem e se tornarem favoráveis à nossa perfeição, aplicada pela mão de Deus. Se vivêssemos ininterruptamente uma vida de fé, estaríamos em permanente comércio com Deus, falando com Ele a todo o momento.

A fé é intérprete de Deus; sem os esclarecimentos que ela proporciona, não compreendemos a linguagem das criaturas. Esta é uma escrita em números, onde apenas vemos confusão; uma amálgama de espinhos, de onde não nos ocorre que Deus possa falar. Mas a fé permite-nos ver, como Moisés, o fogo da caridade divina que arde no seio destes espinhos (Ex 3, 2); a fé dá-nos a chave destes números, permitindo-nos descobrir, no meio da confusão, as maravilhas da sabedoria do alto. A fé confere um rosto celeste a toda a terra; é por meio dela que o coração é transportado, arrebatado, para conversar no céu. […] A fé é a chave dos tesouros, a chave do abismo, a chave da ciência de Deus.

Terça-feira, dia 06 de Maio de 2008

S. Domingos Sávio, jovem religioso, +1857 ,   Santo André Kim e 102 Companheiros, mártires coreanos, entre 1791 e 1866

Livro dos Actos dos Apóstolos 20,17-27.

De Mileto, Paulo mandou chamar os anciãos da igreja de Éfeso.
Quando chegaram junto dele, disse-lhes: «Sabeis como, desde o primeiro dia em que cheguei à Ásia, procedi sempre convosco.
Tenho servido o Senhor com toda a humildade e com lágrimas, no meio das provações, que as ciladas dos judeus me acarretaram.

Jamais recuei perante qualquer coisa que vos pudesse ser útil. Preguei e instruí-vos, tanto publicamente como nas vossas casas, afirmando a judeus e gregos a necessidade de se converterem a Deus e de acreditarem em Nosso Senhor Jesus.
E agora, obedecendo ao Espírito, vou a Jerusalém, sem saber o que lá me espera;
só sei que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me avisa de que me aguardam cadeias e tribulações.

Mas, a meus olhos, a vida não tem valor algum; basta-me poder concluir a minha carreira e cumprir a missão que recebi do Senhor Jesus, dando testemunho do Evangelho da graça de Deus.
Agora sei que não vereis mais o meu rosto, todos vós, no meio de quem passei, proclamando o Reino.
Por isso, tomo-vos hoje por testemunhas de que estou limpo do sangue de todos,
pois jamais recuei, quando era preciso anunciar-vos todos os desígnios de Deus.

Livro de Salmos 68(67),10-11.20-21.

Fizeste cair, ó Deus, a chuva com abundância; restauraste as forças à tua herança extenuada.

Teu povo ficou restabelecido, e Tu, ó Deus, reconfortaste o pobre com a tua bondade.
Bendito seja o Senhor, dia após dia; Ele cuida de nós; Ele é o Deus da nossa salvação.

Ele é o nosso Deus, é um Deus que salva. Na verdade, o SENHOR Deus é aquele que nos livra da morte!

Evangelho segundo S. João 17,1-11.

Assim falou Jesus. Depois, levantando os olhos ao céu, exclamou: «Pai, chegou a hora! Manifesta a glória do teu Filho, de modo que o Filho manifeste a tua glória,
segundo o poder que lhe deste sobre toda a Humanidade, a fim de que dê a vida eterna a todos os que lhe entregaste.

Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste.
Eu manifestei a tua glória na Terra, levando a cabo a obra que me deste a realizar.
E agora Tu, ó Pai, manifesta a minha glória junto de ti, aquela glória que Eu tinha junto de ti, antes de o mundo existir.

Dei-te a conhecer aos homens que, do meio do mundo, me deste. Eles eram teus e Tu mos entregaste e têm guardado a tua palavra.
Agora ficaram a saber que tudo quanto me deste vem de ti,
pois as palavras que me transmitiste Eu lhas tenho transmitido. Eles receberam-nas e reconheceram verdadeiramente que Eu vim de ti, e creram que Tu me enviaste.
É por eles que Eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me confiaste, porque são teus.

Tudo o que é meu é teu e o que é teu é meu; e neles se manifesta a minha glória.
Doravante já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, e Eu vou para ti. Pai santo, Tu que a mim te deste, guarda-os em ti, para serem um só, como Nós somos!

Da Bíblia Sagrada

Santo Irineu de Lyon (c. 130 – c. 208), bispo, teólogo e mártir
Contra as Heresias, IV, 14

"… a fim de que dê a vida eterna a todos os que lhe entregaste"

No princípio, não foi porque precisasse do homem que Deus modelou Adão, mas para ter alguém em quem depositasse os seus benefícios. Porque, não só antes de Adão mas mesmo antes de toda a criação, já o Verbo glorificava o Pai, permanecendo n’Ele, e era glorificado pelo Pai, tal como Ele próprio disse: "Pai, glorifica-Me com a glória que Eu tinha junto de Ti antes do princípio do mundo". Também não foi porque tivesse necessidade do nosso serviço que Ele nos ordenou que O seguíssemos, mas para nos obter a salvação. Porque seguir o Salvador é participar da salvação, tal como seguir a luz é tomar parte da luz.

Quando os homens estão na luz, não são eles que iluminam a luz e a fazem resplandecer, antes são iluminados e tornados resplandecentes por ela; longe de lhe acrescentar o que quer que seja, eles beneficiam da luz e por ela são iluminados. O mesmo acontece com o serviço prestado a Deus; o nosso serviço não acrescenta nada a Deus, porque Deus não precisa do serviço dos homens; mas, àqueles que O servem e O seguem, Deus dá a vida, a incorruptibilidade e a glória eterna…

Se Deus solicita o serviço dos homens é para poder, Ele que é bom e misericordioso, conceder os seus benefícios aos que perseveram no seu serviço. Porque, se Deus não precisa de nada, o homem precisa da comunhão de Deus. A glória do homem é perseverar no serviço de Deus. É por isso que o Senhor dizia aos seus discípulos: "Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi a vós" (Jo 15,16).

Indicava assim que não eram eles que O glorificavam sguindo-O mas que, por terem seguido o Filho de Deus, eram glorificados por Ele. "Pai, quero que onde Eu estiver eles estejam também comigo, para contemplarem a minha glória" (Jo 17,24).