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O QUE É SER SEM PECADO?

Nossa Senhora no Céu com anjos e luz

O QUE É SER SEM PECADO?

O homem foi criado à “imagem e semelhança” (cf. Gen 1,26-27) de Deus para permanecer em comunhão com Deus. Foi criado sem pecado, para permanecer ligado a Deus que é inacessível ao mal (cf. Tiag 1,27). Assim, percebemos que o homem foi criado pleno das virtudes divinas (amor, verdade, bondade, justiça, etc), e com discernimento e capacidade para governar a criação (cf. Gen 2,15-17), porém, em comunhão com o seu Criador. Percebemos ainda que toda a criação é boa, bela e perfeita, com suas leis naturais impressas em sua alma, ou ainda, como o código genético que carrega em suas entranhas físicas.

Mas, por que existe esse terrível desequilíbrio que ora percebemos numa obra que foi criada com tamanha perfeição e por Deus infinitamente perfeito? A resposta a essa pergunta, está na fonte do conhecimento de Deus, as Sagradas Escrituras. Pois, após o homem ter cometido o pecado de não permanecer em estado de comunhão com o seu criador (cf. Gen 3) lhe restou a comunhão com o Senhor, mas não face a face como antes, e sim pela revelação que Deus faz de si mesmo na criação e nas Sagradas Escrituras, e pessoalmente por Seu Filho, Jesus Cristo enviado para nossa salvação (cf. Heb 1,1-4). E como resposta a essa pergunta, temos a figura emblemática da face tenebrosa do mal, chamado satanás, gerador do pecado e de todo desequilíbrio causado pelos homens de todos os tempos.

De fato, conhecemos Deus a partir de nossa criação; mas antes da criação natural já existia a criação sobrenatural e um certo infortúnio causado pelos anjos decaídos, que Deus nos deu conhecer com clareza (cf. Gen 2,15-17; Is 14,12-15; 1Pd 5,8) para que nunca perdêssemos a comunhão com Ele. É como está escrito: “Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem de sua própria natureza. É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão”. (Sab 2,23-24).

Com efeito, como foi dito acima, Deus é inacessível ao mal, isto é, o mal nunca pode ter acesso a Deus; mas, como a criação não é Deus, ele pôde ter acesso à criação e causar o escarcéu (desordem) que causou, mesmo conhecendo a punição por ter gerado tal pecado de desobediência na obra da criação. Ao homem, porém, que não foi o causador do pecado em si, mas apenas colaborou para que este existisse, Deus ofereceu o perdão, livrando-o da punição eterna, pelo arrependimento e o novo nascimento na ordem da graça pelo batismo, com a vinda do Seu Filho Jesus Cristo. Só não tem perdão quem não se arrepende e por isso mesmo não deixa o pecado, porque todo homem que experimenta o perdão oferecido por Cristo Jesus Cristo e deixa o pecado, recebe a graça da salvação e da santificação de sua alma e passa a viver desde já como um filho de Deus.

Então, o que é um ser sem pecado? É o Ser perdoado por Deus e que permanece em estado puro, sem mácula; é o ser em plena posse da graça santificante do Senhor; é aquele que nasceu da água e do Espírito Santo pelo batismo e vive nesse estado de graça permanente, isto é, em plena comunhão com a vontade de Deus, praticando aquilo que é próprio aos filhos e filhas consagrados e destinados ao Reino dos Céus. Como nos ensinou São Paulo: “De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte”. (Rom 8,1-2).

Portanto, cabe a cada um de nós que somos batizados, a vivência do nosso batismo, isto é, a vivência de todas as virtudes eternas que estão em nossas almas e que dão os frutos de nossa permanência em Cristo Jesus, como ele mesmo nos ensinou: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim.

Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”. (Jo15,1-8).

Com toda certeza, Maria Santíssima mãe de Jesus e nossa mãe, é esse ser sem pecado, ela é imaculada por excelência, porque dela nasceu o Filho de Deus, gerado pelo Espírito Santo. Por isso, em vista de sua maternidade divina não conheceu pecado algum, pois vivia tão unida ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, que nenhuma sobra de pecado pairou sobre ela. Dos seres humanos ainda em vida, Maria Santíssima é a primeira redimida e assim permaneceu todos os dias de sua vida, por isso, Deus a elevou aos céus em corpo e alma, por não conhecer corrupção alguma. (cf. At 2,31). Assim também todo aquele que nasceu de Deus e permanece em Cristo não peca (cf. 1Jo 3,5-6), pode até cair em pecado se assim decidir, mas se permanecer em estado de graça, viverá conforme a santidade que lhe comunica o Senhor na eucaristia.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.

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CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A ALEGRIA DA ALMA NO SENHOR

A alma humana, criada “à imagem e semelhança de Deus” (cf. Gn1,26-27), é eterna como o Próprio Criador. Ora, porque Deus é eterno, tudo criou para a eternidade; essa verdade se aplica perfeitamente à alma humana, porque ela é soberana por seu livre arbítrio, que consiste no poder que lhe foi conferido de escolher permanecer em Deus ou não.

Todos os atributos divinos estão presentes como dons em nossas almas: amor, verdade, liberdade, fidelidade, misericórdia, bondade, justiça, mansidão, etc. Mas, por que então temos uma sociedade tão desumana, corrupta, violenta e injusta? Porque os homens não levam mais em conta a vida em sua essência; mas sim a terrível decadência dos valores existenciais, para cultivarem toda espécie de mal, destruindo com isso, a grandeza de sermos “a imagem e semelhança” de Deus. Ora, só é possível atingirmos a plenitude dos desígnios divinos a nosso respeito, se vivermos em conformidade com os dons que de Deus recebemos; caso contrário, nada teremos de bom, mas somente o mal que cultivarmos. É por isso que temos uma sociedade tão desigual, tão pervertida e infeliz.

A verdadeira alegria da alma nasce da profunda união com Deus e de sua permanência Nele, pois Deus é a Fonte do Amor, do Sumo Bem, da Santidade, da Felicidade e da verdadeira satisfação. “Quem a Deus tem, dizia Santa Tereza D’avila, nada lhe falta”. Assim é a alma imersa em Deus e comandada por Ele em suas inspirações e ações; tudo faz para a glória de Deus (cf. Col 3,17), porque Deus é a causa de sua alegria. Vemos essa experiência, por exemplo, no Cântico do Magnificat: “Maria canta o que Lhe vai na alma (“eu glorifico, eu exulto”). Mas é um eu em relação, dirigido a Deus, para descrever o que Deus fez nela e faz pelo Seu povo”.

De fato, a verdadeira alegria é compartilhada, porque é transbordante; na verdade, ela é um bem eterno que se expande, porque irradiante de beleza e esplendor, alcança tudo e todos, até mesmo os corações mais distantes de Deus. A alegria verdadeira é fruto do acolhimento da vontade de Deus em nossa vida, pois ela é revelação da presença de Cristo em nossas almas, que pela Eucaristia nos une a Si, para vivermos Nele a unicidade divina recebida no batismo.

Sei que não estamos ainda na posse definitiva da verdadeira alegria, porque ela é atributo divino; por isso, enquanto aqui estivermos, ela é dom da graça de Deus para nós. Todavia, quando a recebemos como revelação permanente, ela é completa, como nos ensinou São João: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que temos contemplado e as nossas mãos têm apalpado no tocante ao Verbo da vida – porque a vida se manifestou, e nós a temos visto; damos testemunho e vos anunciamos a vida eterna, que estava no Pai e que se nos manifestou -, o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo. Escrevemos-vos estas coisas para que a vossa alegria seja completa”. (1Jo 1,1-4).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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CRÔNICAS DE MINHA ALMA

PARA TUDO O QUE ACONTECE, HÁ RESPOSTA…

Em tudo na vida existe um sentido eterno; sem isto, a vida seria só um exercício para a morte. Porque aqui, naturalmente, tudo tende para um fim e este fim está sempre presente, dada a fragilidade de nossa natureza mortal. Todavia, somos mais do que aparentamos ser, porque, por Deus que nos criou, somos almas viventes, isto é, almas imortais a caminho da eternidade; tanto é assim que, em sã consciência, ninguém quer a morte; a não ser os mártires das causas justas e santas, caso contrário, fugimos da morte por mais que ela naturalmente se faça presente.

Ao criar-nos Deus tomou a iniciativa e nos comunicou todos os dons para permanecermos na vida conforme seus desígnios; por isso, nos comunicou também sua presença permanente e sua vontade para que nada nos faltasse. Qualquer coisa que buscamos fora de Deus, não é de Deus, mas sim loucura… E o que buscamos fora de Deus? Existe algo fora de Deus? Sim, existe o pecado…

Sem dúvida, com a vida recebemos também o livre arbítrio, porém, somente para fazer o bem, nunca para o mal. Ele é o poder que temos aqui de decidir o nosso devir (nosso vir a ser a cada instante e eterno); nele se encontra a manutenção de nossa liberdade ou a perca dela. Jesus nos ensinou que a liberdade é fruto da verdade, pois só é livre quem é verdadeiro em tudo o que pensa, vive e faz conforme a vontade do Senhor (cf. Jo 8,31-36). Ninguém vive por si mesmo e para si mesmo, pois se assim o fosse, seria o cúmulo do egoísmo; ora, no egoísmo não existe felicidade nem futuro promissor, porque toda forma de egoísmo é esterilidade perversa e abismo de solidão.

Ora, pensarmos que podemos algo sem Deus é a mais terrível das ilusões (cf. Gn 3,1-5). Porque pensarmos assim é pensarmos desligados do Senhor, que em seu infinito amor nos criou para sermos Um em comunhão com Ele (cf. At 17,28). A pior insensatez que há é não crer em Deus, é não amá-lo, é não glorifica-lo, é não adorá-lo, é não servi-lo. Pois só existimos porque Deus é infinitamente Bom e nos faz existir, quer obedeçamos a Ele ou não (cf. Mt 5,44-45). Porquanto, não crer em Deus é a maior de todas as injustiças que um ser pode cometer em toda criação.

Com efeito, o Livro de Sabedoria nos ensina: “Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança; com efeito, os pensamentos tortuosos afastam de Deus, e o seu poder, posto à prova, triunfa dos insensatos. A Sabedoria não entrará na alma perversa, nem habitará no corpo sujeito ao pecado; o Espírito Santo educador (das almas) fugirá da perfídia, afastar-se-á dos pensamentos insensatos, e a iniquidade que sobrevém o repelirá”. (Sab 1,1-5).

Portando, na vida, o nosso único objetivo é encontrar Deus e permanecer Nele (cf. Is 55,6-11; Mt 6,24-34). Ninguém jamais viu a Deus, a não ser Jesus Cristo, o Seu Filho, ou aquele a quem o Filho o quiser revelar. Assim, quem ama Jesus e permanece nele, não somente ver a Deus, mas também convive intimamente com Ele, porque a união com Jesus pelo Espírito Santo na Eucaristia é perfeita união com Deus, nosso Pai. (cf. Jo 17,21-26; Jo 6,43-47.65).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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