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SEM A FAMÍLIA, A SOCIEDADE SE ESFACELA, TORNA-SE UMA TRAGÉDIA…

O Sacramento do Matrimônio é uma instituição divina, pois foi Deus quem fez o primeiro Matrimônio no Jardim do Éden: ”Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher. Deus os abençoou: “Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a”. (Gn 1,27-28a). Ele vem acompanhado do amor esponsal e da fidelidade como fontes da união que Deus faz, é daí que advém a grandíssima importância desse sacramento, pois, é dele que depende o futuro da humanidade. Logo, ele precisa de harmonia e solidez para que a prole que dele nascer seja uma prole santa e digna dessa vocação. Na verdade, este sacramento é uma profunda aliança de amor entre um homem e uma mulher e Deus, por isso, o Senhor, diz: “Aquilo Deus uniu o homem não separa”.

Quando há separação, isto se dá porque a aliança de amor feita entre o casal e Deus foi rompida por falta de cultivo do amor a Deus e do amor conjugal, arrefecimento da fé e da piedade, a falta de participação nos sacramentos, infidelidade, traição, etc. Isto porque, o Sacramento do Matrimônio e em sua ajuda, os sacramentos da confissão e da Eucaristia são a trincheira-fortaleza onde essa aliança de amor com Deus se mantém e se sente amparada, protegida e guardada pela fidelidade, virtude excepcional, que faz crescer o amor conjugal, a manutenção e a unidade da família; ninguém pode deixar essa trincheira pela porta da infidelidade e se sentir seguro ou apto para a salvação eterna de sua alma ou de sua família, pois o abandono da comunhão sacramental com Deus deixa a família exposta ao mal e em total abandono ou em frangalhos quase que totalmente. Aliás, nunca vimos um traidor ou traidora ser feliz ou morrer em paz; pelo contrário vivem no inferno de sua traição e só morre na desgraça, isto quando não se arrepende e não repara o seu pecado.

Ora, onde não há fidelidade, há desarmonia; onde não há comunhão com Deus, há desordem de toda espécie. Pois, a destruição da família gera seres egoístas, perversos, assassinos, desonestos, cruéis, e uma sociedade profundamente violenta, sem rumo; sociedade formada por seres irreconhecíveis que só visam os bens materiais e o poder temporal; ou ainda o sucesso malfadado da fama repentina posta pelos meios transitórios, meros cabedais de ilusões; seres que buscam o prazer hediondo em lugar do prazer da alma; e, desse modo, a morte e a perdição imperam em todos os recônditos desse mundo estranho e desumano. Porque, o que mais o mal quer é destruir a família e os sacramentos que a mantêm, pois assim fica mais fácil destruir também, no coração humano, a fé em Deus e no seu poder salvador que é Cristo Jesus, o Senhor de toda a vida. Ora, sem a família sacramental e a fé em Deus que a nutre e sustenta, a sociedade se esfacela, a vida torna-se uma tragédia, um inferno abismal. Porque sem a unidade familiar, a coletividade dá lugar à subjetividade, ao individualismo egoísta e aos mais hediondos crimes, sem contar os vícios e todos os malefícios da desobediência humana. E, o que se pode esperar de uma sociedade assim?

Por outro lado, a grande maioria das famílias desfeitas tenta se refazer em uma segunda união, para ver se quem sabe dará certo, ou ainda, buscando se recompor da tragédia da má escolha ou da queda da boa escolha. E assim vão tentando, buscando, se recompondo, atravessando o caudaloso mar revolto deste estado tenebroso; onde a fidelidade foi atraiçoada, onde Deus foi posto de lado; onde o pecado deu as cartas para jogar o jogo da morte sacramental e espiritual de seres criados para a santidade, mas que agora se encontram mergulhados num abismo colossal de torturas psíquicas, causadas pelas mágoas, decepções e as angustias das separações em que se encontram envolvidas. Às vezes conseguem voltar e obter alguma vitória, mas isto quando há conversão e encontro com Deus; porém, não totalmente como antes devido à falta dos sacramentos. Todavia, os incentivo e exorto, a nunca desistirem da misericórdia divina; Deus é fiel e justo e conhece o coração de cada um de seus filhos, sejam eles ingratos ou não, e está sempre pronto a perdoar a todos, desde que haja um profundo arrependimento de coração, para voltarem ao convívio do Senhor na esperança de uma reconciliação deveras sólida por toda a vida.

Portanto, se faz necessário que os casais de segunda união não percam a santa Missa, mesmo sem acesso direto ao sacramento da Eucaristia, todavia em compasso de espera no Senhor que a todos conhece muito bem e não deixa de os assistir em suas próprias necessidades; também não deixem de se fazer presentes nas pastorais e nos trabalhos voluntários em favor dos mais necessitados, pois assim aumentam, pela caridade e vida fraterna, o favor divino para o bem de suas almas e de todas de suas famílias. O que há mais importante nesta vida é servir e amar a Deus e se deixar amar e conduzir por Ele, pois a quem a Deus se confia, sabe que o Senhor não falha nunca, e que esperando em sua misericórdia, o seu dia da graça chegará.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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tentação e expulsão do paraíso

A LEI PERFEITA DA LIBERDADE

Existem duas maneiras da alma humana ser penetrada, cursada e exposta em seu mistério. A primeira é a permanência na Verdade que a criou e sustenta, desta permanência nasce seu gozo e testemunho; fora disto ninguém a pode penetrar, a não ser que ela ceda ao mal a liberdade que a verdade lhe dá. A segunda diz respeito exatamente a essa sedição, ou seja, à insurreição, que consiste na aceitação da mentira e prática dela; quando isso acontece, a alma se ensoberbece e perde sua comunhão com Deus; assim, ela enfraquece e mergulha em um estado mórbido por causa das lascívias que a envenena; e só é possível sair daí pelo arrependimento sincero e conversão à Fonte da Verdade que a criou, Deus.

Escrevendo aos Romanos, São Paulo, assim se expressou: “Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz. Porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não se submete à lei de Deus, e nem o pode. Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o Espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. (Rom 8,5-9.12-14).

Ora, a respeito da queda e perca da liberdade humana, lemos no Livro do Gêneses, o seguinte: “A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?” A mulher respondeu-lhe: Podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais.” “Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis!” Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.” (Gen 3,1-5). Assim, por esse texto da revelação, percebemos como o mal injetou o seu veneno da desobediência na alma humana, e como nossos primeiros pais perderam sua liberdade e nos transmitiram a mesma perda.

Geralmente quem se entrega ao pecado não mede, antes, as consequências dos seus atos, e o resultado que se segue é sempre catastrófico, nefasto; porque não age conforme a graça de Deus em sua vida, mas a partir do pecado que o atrai e alicia, e o pecado uma vez consumado, gera a morte (cf. Jo 8,34; Tg 1,15). De fato, Deus nos deu o livre arbítrio, que significa o poder que temos de decidir pelo bem e não pelo mal. Ocorre que muitos perdem esse poder, porque se deixam conduzir pelos instintos carnais, e não pelo Espírito Santo de Deus.

Nós, porém, podemos reverter esse trágico quadro em nossa vida, por meio da conversão espiritual, que consiste no arrependimento, confissão e perdão dos pecados para vivermos em estado de graça; pois uma alma em estado de graça permanente é intocável pelo mal, porque a luz do Espírito de Deus que nela habita, dissipa as trevas do pecado e o espírito maléfico que se esconde no pecado.

São João bem nos ensinou a nos livrarmos do espírito das trevas, quando nos exortou: “Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente”. (1Jo 2,15-17).

Com efeito, Deus não apenas nos criou, mas também nos ensinou a viver conforme sua vontade e permanecermos Nele, por meio das leis naturais e de seus Mandamentos expressos nas Sagradas Escrituras; também por meio dos exemplos dos Patriarcas, dos profetas, do Seu Filho, Jesus Cristo, e de todos os santos que o seguiram, especialmente a Virgem Maria, Mãe do Senhor e nossa mãe. Porém, constatamos que a grande maioria não leva em conta as orientações que Deus nos dá nas Sagradas Escrituras e nesses exemplos (cf. Mt 7,13-14); por isso, caem nas armadilhas do mal e na perdição eterna. De fato, “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra”. Todavia, quem faz das Sagradas Escrituras sua via de perfeição? Somente aqueles que temem o Senhor de coração e buscam se orientar pelos seus preceitos.

Eis o que São Paulo escreveu a esse respeito: “Também eu, quando fui ter convosco, irmãos, não fui com o prestígio da eloquência nem da sabedoria [humana] anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado. Eu me apresentei em vosso meio num estado de fraqueza, de desassossego e de temor. A minha palavra e a minha pregação longe estavam da eloquência persuasiva da sabedoria; eram, antes, uma demonstração do Espírito e do poder divino, para que vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (1Cor 2,1-5).

São Paulo nos deixou ainda outro legado perfeito, verdadeiro itinerário espiritual, para termos um discernimento preciso da vontade de Deus em nossa vida, quando escreveu: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito”. (Rom 12,1-2). “Além disso, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos. O que aprendestes, recebestes, ouvistes e observastes em mim, isto praticai, e o Deus da paz estará convosco”. (Fil 4,8-9). Desse modo, cabe a nós seguirmos tais orientações, para que assim vivamos intimamente tudo o que Deus nos dá a ser e praticar de sua vontade neste mundo.

Portanto, como vimos a perca ou não da liberdade resulta de nossas escolhas e decisões. Pois, em todas elas há sempre um resultado; por parte da verdade seu resultado é a liberdade conservada e fortalecida (estado de graça perfeito); por parte da mentira, a alma se torna amarga, imbecilizada, exposta às paixões desordenadas e a toda espécie de desiquilíbrio, que afasta os homens do convívio com Deus e com os outros, e os mergulha na incredulidade e nas mais diversas perversões. Não se esqueçam, por trás de todo pecado se esconde o demônio.

Destarte, “Não procureis a morte por uma vida desregrada, não sejais o próprio artífice de vossa perda. Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. Nelas nenhum princípio é funesto, e a morte não é a rainha da terra, porque a justiça é imortal. Mas, (a morte), os ímpios a chamam com o gesto e a voz. Crendo-a amiga, consomem-se de desejos, e fazem aliança com ela; de fato, eles merecem ser sua presa”. (Sab 1,12-16).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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JESUS TINHA CONSCIÊNCIA QUE ERA DEUS?

A vida em si é um grande mistério que transpõe a nossa natureza e não depende de nossa consciência para ela ser o mistério que é. Pois a vida não depende de nós, mas de Deus que a criou e a sustenta, independentemente de nossa presença ou não. De fato, somos colaboradores do Senhor na obra da criação, mas não sua causa primeira; porque só Deus é a causa Primeira e Única de todas as coisas. Porém, o habitat natural em que vivemos depende de nossas ações para ele permanecer agradável como foi criado, ou seja, um verdadeiro paraíso terrestre.

Com efeito, como seres pensantes, temos consciência de nossa finitude e do além dela, ao qual buscamos incessantemente, pois ninguém em sã consciência quer a morte, mesmo sabendo que ela acontece naturalmente a cada instante e que um dia acontecerá definitivamente. Todavia, pensar a possibilidade da vida sem Deus, é pensar o óbvio do pecado humano, que se resume nesta frase de São Paulo: “Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”. (Rm 6,23).

Por acaso quem deu existência a tudo o que há, também não deu consciência de sua condição? E olha que não estou falando somente da consciência racional, mas do próprio ato de existir e permanecer na existência. Podemos discutir a questão das crenças e outras tantas questões advindas delas, pois se trata de adesão, correspondência ao plano de Deus para a nossa permanência na vida; mas a questão da consciência, não é tão simples assim, não basta dizer que temos ou não temos consciência de quem somos, é preciso comprovar isto, e é essa comprovação que autentica quem somos de fato.

O ser humano por si mesmo jamais conseguiu responder às questões existenciais: quem somos, de onde vimos, para onde vamos? Já houve inúmeras tentativas racionais para se explicar a origem da vida fora do âmbito da fé, sem a presença de Deus; mas todas foram em vão, sem nenhuma comprovação convincente, porque tratam sempre da existência a partir dela mesma e não de sua Causa Primeira, Deus.

Ora, cada ser é o que é em sua essência. Assim, Deus é Deus e não há Nele necessidade alguma. Já o homem é homem, porém, criado por Deus à sua “imagem e semelhança”. Todavia, quando tratamos de Jesus Cristo, tratamos de Deus feito homem, pois assim como Adão foi feito à “imagem e semelhança” de Deus; Deus, em Seu Filho Jesus Cristo, se fez homem e habitou no meio de nós. Ou seja, Deus, assumiu a natureza humana, sem deixar a sua Natureza Divina, para divinizar a natureza humana. E como comprovamos isto? Pela revelação que Deus fez de si mesmo. Primeiro, naturalmente, pois, em tudo o que vemos, lemos a Sabedoria Divina, ou seja, a verdade se faz presente em tudo o que há e não tem como duvidar. Segundo, espiritualmente, aqui se trata da revelação que Deus faz de Si mesmo por meio do Seu Espírito Santo, seja pelos profetas, seja por Seu Filho amado, Jesus Cristo, a quem Deus constituiu Senhor e Salvador de todas as coisas que há. Desse modo, perguntar se Jesus tinha consciência que era Deus, equivale a perguntar se a Verdade é Verdade, ou seja, perguntar a Deus se ele tem consciência que é Deus. Mas, enquanto homens, precisamos de comprovação, então, vamos a ela.

São Paulo, se referindo à revelação natural, escreveu: “A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade. Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o leem em si mesmos, pois Deus lho revelou com evidência. Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar. Porque, conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato”. (Rom 1,18-21).

Quanto à revelação espiritual, São João, escreveu o seguinte: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”. (JO 1,1-4). E também São Lucas, escreveu: ”O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus”. (Lc 1,31-35).

Ora, será que temos como duvidar da divindade do Senhor ou se Ele tinha consciência de sua divindade? Só os incrédulos duvidam e contestam, porque negam a verdade. Aliás, São Paulo, já dizia: “Pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para a nossa glória. Sabedoria que nenhuma autoridade deste mundo conheceu (pois se a houvessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória). É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus”.

“Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as coisas espirituais em termos espirituais. Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem ponderar. O homem espiritual, ao contrário, julga todas as coisas e não é julgado por ninguém. Por que quem conheceu o pensamento do Senhor, se abalançará a instruí-lo (Is 40,13)? Nós, porém, temos o pensamento de Cristo”. (1Cor 2,7-16).

Portanto, creio que Jesus Cristo sempre teve consciência de que era Deus, mesmo assumindo nossa natureza humana. Pois, a consciência em cada um de nós, nasce de quem somos e não é algo adquirido de fora para dentro, mas inata. Assim também podemos dizer a partir do nosso batismo, que somos novas criaturas, nascidas da água e do Espírito Santo, para a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. Amém!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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o tempo

O TEMPO DO HOMEM E O TEMPO DE DEUS…

Existe um tempo, dois tempos, três tempos…
Mas todos os tempos são apenas o tempo…
Porque o tempo é existência que passa, que vai adiante…
Que não para nem mesmo quando o fim de uma história acontece…
Porque já chegou a eternidade para ela…
Pois a missão do tempo é nos levar para a eternidade mesmo…
E com toda certeza ele cumpre perfeitamente sua missão…

Deus é Eterno,
e criou o homem no tempo para a eternidade…
Ora, aquilo que para nós é temporário, para Deus não é…
Por isso, precisamos viver por Ele e para Ele todo tempo que temos…
E mais ainda, tudo o que para nós é mistério,
é plenamente conhecido por Deus…
Porque Ele que fez a essência de tudo o que existe…
E tudo o que existe, só existe porque Deus dá existência…

Todavia, não confunda o bem com o mal,
porque o mal não vem de Deus…
Antes, saiu Dele como bem, mas tornou-se mal…
e como mal se perpetuará…
E ai de quem o seguir na estrada da maldade…
Terá por castigo a mesma eternidade da maldade que impôs…

Então, precisamos ficar atentos…
Porque com o tempo e o bem que somos…
Deus nos deu também a capacidade de que dispomos…
Para trabalharmos com afinco a nossa salvação…
Por isso, precisamos aproveitar todo o tempo e capacidade…
Para nos firmarmos na verdade que fundamenta nossa vida em Deus…

E a verdade que fundamenta nossa vida é Cristo Jesus,
O Filho de Deus e da Virgem Maria…
Que disse um dia com suas Palavras Eternas:
“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vai ao Pai senão por mim”.
Assim é e sempre será, porque ninguém pode mudar o que Deus falou…

Com efeito, hoje vemos como num espelho…
Todavia, no dia eterno, veremos como tudo é em sua essência…
E o que hoje conhecemos com carência,
na eternidade conheceremos face a face…
Porque, na verdade, a nossa realidade natural…
é apenas o começo da Realidade Eterna que nos espera para ela…
Porque Deus que nos ama tudo dispôs para o nosso bem,
desde que o amemos acima de todas as coisas,
no cumprimento de sua vontade como convém…

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (VIII)

VASO ESPIRITUAL

Normalmente pensamos vasos como invólucros onde colocamos aquilo que é específico para o qual foram criados. Mas, quando tratamos da fé e daquilo que diz respeito à Deus e aos seus desígnios de amor, não tem como não usar de analogia (comparação) para dizermos algo que se refira à vontade de Deus e ao seu plano para a nossa salvação. De fato, Jesus muito usou de analogias em suas parábolas para revelar, não só a presença de Deus em suas ações, mas também o modo como Deus age na criação, para beneficiar nossas almas, libertar-nos do pecado, do poder do maligno e da morte, dando-nos assim a vida eterna para a qual nos criou.

Em Maria santíssima, Vaso espiritual, o nosso salvador encontrou tudo o que a criatura amada pode lhe oferecer para a realização do Plano de Deus para a nossa salvação. (cf. Lc 1,26-28). E nela, Ele, o Verbo de Deus, se fez carne e habitou entre nós; e a ela deu viver permanentemente habitada e conduzida pelo Espírito Santo, para fazer em tudo, a Santa Vontade de Deus Pai. De todas as criaturas, Maria santíssima é, de fato, o único Vaso infinitamente santo, pois nela não há pecado nem nunca houve; porque trabalhada pelo Oleiro Divino desde toda a eternidade, em vista de Seu Filho Santo, assim foi criada para que trouxesse a este mundo Aquele que nos santificaria com sua vinda bendita.

VASO DIGNO DE HONRA

Honrar é reconhecer o que de fato é. Ora, tudo o que é autentico é permanente, porque revela a fonte que gerou o que é. Todos os seres que Deus criou são únicos, porque não existem cópias no Reino de Deus. Sem dúvida alguma, nós, seres humanos, trazemos em nossas entranhas a unicidade do nosso criador e é isto que nos faz ser suas imagens e semelhanças autênticas. Diante de Deus ninguém pode se gloriar, mas podemos reconhecer a glória de Deus que se manifesta em seus filhos e filhas pela prática das virtudes eternas.

Assim sendo, quando honramos a Virgem Mãe de Jesus, reconhecemos nela a perfeição das graças que Deus lhe prodigalizou. Vejamos os exemplos a seguir: sua perfeita obediência para com o Criador ao aceitar ser a Mãe do Verbo Encarnado (cf. Lc 1,38); a perfeita sintonia com seu Filho amado na antecipação de sua hora no milagre das bodas (cf. Jo 2,3-5); a perfeita oferta que fez do seu Filho no patíbulo da cruz quando recebeu dele a maior de todas a graças, ser a mãe da Nova Criação (cf. Jo 19,25-27); e a perfeita sintonia com o Espírito Santo quando de sua vinda, conforme a promessa de Jesus, sobre toda a Igreja (cf. At 1,6-8.12-14). Por tudo isso, ó Virgem Santíssima, recebe a nossa honra e o nosso louvor “porque o Senhor fez em ti maravilhas, Santo é o Seu Nome”. “Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria”; mãe nossa, senhora nossa! Amém!

Vaso insigne de devoção

A verdadeira devoção tem como marca principal, a comunhão de coração, a participação no Plano Salvífico de nossa redenção, a vida vivida em permanente estado de graça, ou seja, totalmente conduzida pelo Espírito Santo de Deus. Então, quem é o verdadeiro devoto, devota? É alguém que ama a Deus profundamente, alguém que lhe obedece fielmente e se dedica a Ele de todo coração, e por isso, se põe ao Seu serviço, procurando viver em tudo Sua Santa Vontade.

Neste sentido, a Mãe de Deus e nossa Mãe, pela graça santificante do Senhor fez valer, por sua devoção ao Pai Celeste e ao Seu Filho amado, as palavras que Ele mesmo dissera: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.” (Mt 5,48). Portanto, admiramos a Santa Mãe do Senhor por sua devoção e total consagração ao Pai celestial e ao seu Filho, Jesus Cristo; procuremos, pois, imitá-la em sua santa devoção; porque nela são notáveis todas as qualidades divinas com as quais o Espírito Santo a cumulou e quer nos cumular também. Ó Maria, vaso insigne de devoção, rogai por nós!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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PERDOAR É UM DOS MAIORES ATOS DE AMOR…

Caríssimos, sabemos que Deus, em sua infinita bondade, nos criou por amor e somente para amar, por isso, quando não amamos, ficamos confusos e perturbados, isto é, nos perdemos por nós mesmos e vivemos sem o verdadeiro sentido de vida. Ora, somente um coração que ama é feliz e capaz de discernir qual seja a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.

O ser misericordioso é uma virtude que eleva nossa dignidade à condição divina, porque Deus que nos perdoa sempre nos deu também a virtude de perdoar-nos uns aos outros, e assim nos fazer participantes de sua misericórdia, transbordando-a até atingirmos o perfeito atributo, que é viver permanentemente sob sua graça. Com efeito, são Tiago nos ensina: “Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento.” (Tiag 2,12-13).

Ora, Cristo Jesus nos libertou do pecado, da morte e de todo o mal para nos conduzir santos e imaculados à Deus, que é nosso Pai, porque fomos adotados como seus filhos em Cristo; desse modo, fomos perdoados para perdoarmos, porque doravante o perdão se tornou para nós fonte de justiça e de liberdade definitiva. Só quem ama é que perdoa perfeitamente, porque o maior ato de amor é dar a vida por seus irmãos, como o fez Cristo Jesus, o Filho de Deus. Logo, só pode haver paz no coração humano reconciliado com Deus e com toda humana criatura; por isso, não podemos, em hipótese alguma, guardar mágoas, ódios, rixas ou qualquer espécie ressentimento, porque se isso acontecer, não haverá espaço para Deus em nosso coração, mas somente para o veneno mortal do não perdão.

E como devemos perdoar? Nunca tome como base de sua vida o pecado de quem quer que seja, em outras palavras, não dê atenção ao pecado dos outros, seja esse pecado contra sua pessoa ou contra as pessoas que amas, mas perdoe sempre sem nunca deixar de fazê-lo. Pois, assim nos exortou são Paulo: “Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis lugar ao demônio.” (Ef 4,26-27).

E Jesus mesmo nos ensinou: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também”. (Lc 6,36-38). E ainda: “Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.” (Mt 5,44-48).

Caríssimos, o primeiro ato de defesa contra a ofensa é o perdão, porque ele é um escudo de proteção, pois uma alma que perdoa conserva o estado de graça e é intocável pelo mal; visto que nada acontece em nossa vida por acaso ou sem a nossa permissão. Assim, meus irmãos, não podemos esquecer que estamos aqui unicamente para que a vontade de Deus aconteça e que nós somos os protagonistas de sua realização, porque Deus está sempre conosco e nunca nos deixa sozinhos; tudo o que o Senhor quer de nós é que obedeçamos aos seus mandamentos e lhe sejamos fiéis por toda a nossa vida, para que vivendo do seu amor o tenhamos sempre conosco a nos conduzir ao Seu Reino Eterno, morada definitiva dos seus eleitos.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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