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AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XXII)

Consoladora dos aflitos

De fato, por causa dos pecados praticados neste mundo, somos constantemente açoitados e massacrados pelos mais terríveis flagelos que a humanidade talvez jamais tenha conhecido em tamanha proporção: guerras, fome, tsunamis, doenças incuráveis, famílias destroçadas, violência desenfreada; o flagelo das drogas e toda espécie de maldades, que ficamos pasmos ao ver ou ouvir tais relatos, a ponto de nos causarem asco e medonho pavor.

Todavia, somos observados constantemente por Deus que se faz presente e cuida de nós. Ele conhece todos os desafios existenciais e aflições que passamos, sabe também como nos dar alento e nos fortalecer em nossa fé, para vencermos o mal que se alastra neste mundo. Por isso, como Pai amoroso que é, nos deu uma mãe consoladora que nos consola em todas as aflições com sua santa interseção, para nos livrar das tentações e perseguições de toda espécie que o mundo se nos impõe, tentando nos desestabilizar e nos afastar da graça da salvação.

Quando do caminho da cruz, Maria foi a primeira a consolar o seu Filho amado em sua dor; já bem antes, quando da perseguição do menino Jesus por Herodes, a Virgem mãe lhe aconchegou em seus braços, livrando-o do medo e da morte que o infeliz tirano queria causar-lhe; também nas bodas de Canaã, Maria interviu e a aflição daquela família deu lugar ao vinho novo da alegria, que se lhe veio pelo milagre realizado por Jesus. Assim também nós, toda vez que recorremos à nossa mãe amada em nossas aflições, somos prontamente atendidos e consolados. Maria Santíssima, sabe muito bem como nos consolar, pois também ela sofreu a aflição da perca do seu Filho Jesus por três dias quando da visita anual ao Templo e também quando de sua morte na cruz. Ó Maria, consoladora dos aflitos, consolai-nos ó Mãe neste vale de lágrimas!

Auxílio dos cristãos

Com efeito, Jesus nos ensinou: “Tudo é possível ao que crê”. (Mc 9,23b), ele disse isso a um pai que lhe pedia a cura de seu filho, ao que o pai respondeu: “Eu creio, Senhor! Mas vem em socorro à minha falta de fé!” (Mc 9,24b). De fato, os homens usam o poder que têm, mas diante de certas circunstâncias se veem impotentes e logo recorrem a alguém que os ajude, para que possam vencer suas impotências ou incapacidades. Também nós que acreditamos, em certos momentos, nos vemos diante de fatos ou circunstâncias que nos levam a recorrer ao poder da fé, mas, às vezes, ficamos com que impotentes ou paralisados sem solução alguma, e por isso precisamos de um auxílio salvador que nos ajude. Ora, Deus em seu infinito amor, nos dá, na mãe de Jesus e nossa mãe, um auxílio perfeito para nos ajudar a vencer todos os obstáculos circunstanciais com os quais nos deparamos ao longo de nosso viver, ou no caminho de nosso calvário.

Antes de rezarmos o santo terço, normalmente fazemos a seguinte oração: “Debaixo de vossa proteção nos refugiamos, ó Santa mãe de Deus. Não desprezeis nossas súplicas em nossas necessidades, mais livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Senhora nossa, Advogada nossa, Medianeira nossa! Com vosso Filho nos reconciliai, ao vosso Filho nos recomendai, ao vosso Filho nos apresentai! Amém”. Aqui se percebe claramente quão maravilhosa é a nossa devoção à Santa Mãe de Deus e como somos amados por nosso Pai Celeste. Ó Maria, auxílio dos cristãos, rogai por nós que recorremos a vós e nos alcançai do Senhor os auxílios necessários para a nossa salvação!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.

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AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XX)

Casa de ouro

A casa é o lugar do aconchego onde nasce e se estabelece a família, lugar comum dos que se amam. Lugar de acolhida harmoniosa, onde a felicidade tem sua origem e crescimento a partir da unidade dos laços familiares. Deus, pois, começou a sua obra por meio de uma família, com intenção familiar definitiva; e pôs tudo que criou sob a responsabilidade dessa primeira família, que ele mesmo abençoou para que se multiplicasse ininterruptamente e vivesse sempre em sua presença até onde seu desígnio de amor o determinasse.

Por sua vez, para os Antigos Hebreus, o ouro era o metal mais precioso e puro; e essa preciosidade e pureza eles associavam à sua fé em Deus, e por ela reconheciam Javé como o único Deus e Senhor de sua vida e de todas as coisas. A Ele prestavam culto de louvor e adoração, pondo Nele toda sua confiança e esperança na certeza de que Deus jamais lhes abandonaria, porque é fiel com aqueles que a Ele se entregam e confiam esperando em seu amor. Por isso, procuravam ser fiéis em tudo, pois com Ele tinham feito aliança por meio de Moisés e Aarão no deserto a caminho da terra prometida.

De fato, Maria Santíssima representa a fé mais pura; ela é como o ouro que nunca se estraga e que se mantém puro sempre, sobre todos os outros metais existentes, isto é, sobre todos nós. Ela é a Casa de Ouro que acolhe Deus com toda a sua grandeza; nela, o próprio Deus se torna um de nós e dar início a grande redenção prometida a Abraão e seus descendentes, e a toda humanidade gerada no batismo pelo Espírito Santo enviado por Jesus Cristo, Seu Filho, nascido de Virgem Mãe.

Arca da aliança

Segundo o livro do Êxodo (cf. Ex 25,10-22), a Arca da Aliança, foi confeccionada sob a orientação de Moisés, que por instruções divinas indicou seu tamanho e forma. Nela foram guardadas as duas tábuas da lei, contendo os dez mandamentos que o Senhor tinha dado a Moisés na montanha; a vara de Aarão com a qual fez prodígios e portentos diante do Faraó e seus sequazes; e um vaso contendo o maná, que foi o alimento que Javé fez cair com o sereno sobre as areias do deserto para a multidão faminta durante os quarenta anos do êxodo até a terra prometida. Estas três coisas representavam a aliança de Deus com o povo de Israel. Para o povo Judeu a Arca da Aliança não era uma simples representação, mas a própria presença de Deus no meio deles.

A Arca era parte integrante do Tabernáculo do Altíssimo. Ela repousava sobre o altar, era de madeira, coberta de ouro, com uma coroa de ouro ao lado. Somente os sacerdotes levitas poderiam transportar e tocar nela; e apenas o sumo-sacerdote, uma vez por ano, no dia da expiação, quando a Luz de Shekiná (da presença de Deus) se manifestava, entrava no santíssimo do templo.

Com efeito, Maria Santíssima é a Arca da Nova Aliança de Deus com a humanidade, o Sacrário vivo de Deus; e Jesus, Sumo Sacerdote da Nova Aliança, é o Verbo Encarnado, ou seja, a Palavra de Deus ela mesma, que se fez Carne no seio virginal de Maria e habitou no meio de nós, povo novo de Deus a caminho da terra prometida, o Reino dos Céus. Por ele, o Pai realizou prodígios e portentos mostrando a revelação de sua glória no meio dos homens, presentes nas curas e milagres realizados por Jesus; por fim, Ele se nos deu como alimento de salvação eterna na Eucaristia, “Pão vivo que desceu dos céus”. Portanto, a mãe de Deus e nossa mãe, Arca da Nova Aliança, portadora de todos estes sinais, se faz presente sempre em nossa vida com seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém!

Porta do Céu

Escutando a canção “Porta do Céu” do Pe Fábio de Melo, ouso reproduzir aqui sua poesia, mostrando ao mundo a beleza de ter Maria Santíssima como mãe e senhora nossa.

Se a dor te toma por demais
Se o mundo não te crê jamais
Sabe, pois, que há alguém por ti
Orando, intercedendo, há sim!
Puro esplendor e amor de mãe
Sacrário vivo de Deus Pai
Em ti Maria eu encontrei
A vida que pra mim eu quis

Imaginei como seria o paraíso de Jesus
Com paz e harmonia em nossos corações
Pra sempre então seria eterno em louvor
Aquele que um dia veio e nos salvou

Ó Mãe santíssima, me leva a Deus.
E para sempre exultarei com cantos
Tenros de louvor, buscando a salvação.
E nessa hora em que eu te rogo aqui
Dentro em meu peito está vontade
De te conhecer, Maria tu que és porta do céu.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (VII)

Espelho de justiça

A justiça é tão importante para a unidade e o bem estar da humanidade, que o Senhor reservou uma bem-aventurança só pra ela: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!” (Mt 5,6). De fato, não existe paz, alegria, amor, felicidade, onde a injustiça impera, por isso, a justiça é condição “sini qua non” (sem a qual não pode ser) para que haja equilíbrio em nossa sociedade, para que a verdade e a igualdade prevaleçam e sejam fundamentos de nossas mútuas relações.

Deus é infinitamente Justo e quando quis revelar sua Divina Justiça, fez vir a este mundo o Seu Filho, Justo e Santo, nascido do ventre santo de Maria, para justificar, pelo derramamento de Seu Sangue, todo homem nascido neste mundo, como nos ensinou São Paulo: ”Deus o destinou para ser, pelo seu sangue, vítima de propiciação mediante a fé. Assim, ele manifesta a sua justiça; porque no tempo de sua paciência, ele havia deixado sem castigo os pecados anteriores. Assim, digo eu, ele manifesta a sua justiça no tempo presente, exercendo a justiça e justificando aquele que tem fé em Jesus.” (Rom 3,25-26). Desse modo, compreendemos que Maria santíssima, reflete como num espelho, qual aurora vespertina, a Justiça do Altíssimo, trazendo-a visivelmente a este mundo na pessoa do seu Filho, Jesus Cristo, concebido do Espírito Santo. Em Maria, a serva fiel e justa, brilha a luz da Justiça divina, porque ela é a primeira justificada e redimida pelo Messias, que veio a este mundo, por meio dela, para nos salvar.

Sede da sabedoria

A Sabedoria de Deus, o Divino Espírito Santo, pela Vontade do Altíssimo, desde a concepção imaculada da Virgem Maria, passou a conduzi-la e a fez, pelo seu sim, conceber Jesus. A partir de então, Maria Santíssima, passou também a ser Sede da Sabedoria de Deus, e a expressou ao mundo como Tesouro Inesgotável de Justiça e Santidade, pela ação do mesmo Espírito Santo que nela passou a habitar definitivamente, pois, Jesus é o Emanuel, Deus conosco e no meio de nós, Aquele que nos ensina como chegar ao Reino dos Céus, à Glória de Deus Pai.

Com efeito, assim escreveu o hagiógrafo no Livro de Sabedoria: “Há nela, um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, claro, inofensivo, inclinado ao bem, agudo, livre, benéfico, benévolo, estável, seguro, livre de inquietação, que pode tudo, que cuida de tudo, que penetra em todos os espíritos, os inteligentes, os puros, os mais sutis. Mais ágil que todo o movimento é a Sabedoria, ela atravessa e penetra tudo, graças à sua pureza. Ela é um sopro do poder de Deus, uma irradiação límpida da glória do Todo-poderoso; assim mancha nenhuma pode insinuar-se nela”.

“É ela uma efusão da luz eterna, um espelho sem mancha da atividade de Deus, e uma imagem de sua bondade. Embora única, tudo pode; imutável em si mesma, renova todas as coisas. Ela se derrama de geração em geração nas almas santas e forma os amigos e os intérpretes de Deus, porque Deus somente ama quem vive com a sabedoria! É ela, com efeito, mais bela que o sol e ultrapassa o conjunto dos astros. Comparada à luz, ela se sobreleva, porque à luz sucede a noite, enquanto que, contra a Sabedoria, o mal não prevalece”. (Sab 7,22-30).

Causa da nossa alegria

A alegria é um sinal de vitória, ela expressa a felicidade que nos invada e torna nossa vida um mar sem fundo, transparente, límpido, pleno de satisfação. A alegria verdadeira é fruto do Espírito Santo na alma humana, ela é dom inefável da glória do Altíssimo presente nos corações obedientes que o amam e o servem dia e noite sem cessar. (cf. Sl 1,2). Quando tratamos das alegrias de nossa Senhora, tratamos também da nossa, pois ela é a causa de nossa alegria eterna, porque por ela nos veio o salvador de nossas almas, Aquele que nos dá a alegria da ressurreição, da vida eterna.

Nós, franciscanos, temos a felicidade de celebrarmos na coroa franciscana as alegrias de nossa Senhora, justamente porque Maria é Mãe e modelo da perfeita alegria. Portanto, sábio é todo aquele que, como Maria, se deixa tomar pela Sabedoria Divina e a expressa, quer seja por suas palavras, quer seja por uma vida digna que saboreia as graças inefáveis de Deus e as transbordam quais torrentes cristalinas.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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