Tag Archive: minha alma


CRÔNICAS DE MINHA ALMA: EXAME DE CONSCIÊNCIA…

Que posso eu querer mais Senhor, se já nos deste tudo? Nos deste a vida em meio a este belíssimo paraíso terrestre; mas não sabemos como vivê-la, mesmo sendo instruídos por Ti; pois te faltamos com a obediência e isso não nos deixa ter adesão perfeita à ti para te seguir fielmente e abraçarmos nossa cruz sem nenhum medo do amanhã. Ainda assim, Senhor, amparados por tua Divina Providência, somos protegidos de tal forma que jamais nos faltas em qualquer situação. Entretanto, não temos ainda plena confiança para crê de verdade que o teu poder não tem fim.

Ó Senhor, nos deste a terra, este paraíso lindo e tudo o que nele há, mas não sabemos como administrá-lo para Ti, porque o administramos a partir dos pecados que cometemos e esses pecados nos têm devorado por dentro, por isso, vivemos sem alento devido à nossa desobediência que é tanta. E mesmo tendo sido reparado o nosso pecado por tua obediência perfeita na cruz, continuamos a negar-te, com o nosso modo de ser e estar não condizente com a filiação divina que nos destes.

O que fazer então, Senhor, para permanecermos em tua presença sob o teu amparo, sem nunca sairmos dela? Isto porque, no pecado só há insegurança, medo, tristeza, dor, angústia, solidão, etc. É por isso que no pecado jamais Te encontramos de fato; a não ser pelo poder do arrependimento sincero, último dom que nos deixaste para obtermos tua misericórdia, teu perdão, que alimenta em nós a esperança da salvação eterna que viestes trazer.

Ó Senhor, tem compaixão de nós! Vem em nosso socorro sem demora, porque os homens debandaram para o lado do mal, e por isso não se suportam e não suportam mais a sã doutrina, porque abandonaram também o teu santo temor Senhor, para se perderem sem rumo em meio às trevas deste mundo, repletos de toda espécie de maldades; e assim seguem os caminhos tortuosos da perversidade que os leva somente à perdição e à morte.

Por fim, aqui estou Senhor, fazendo esse exame de consciência e pedindo tua clemência para essa nossa humanidade aparentemente derrotada pela própria pecaminosidade. Estamos nas últimas e ao que parece muitos não estão percebendo ou quem sabe ignorando ou fingindo, pois continuam a te afrontar e ofender com vão discursos e praticas abjetas; e desse modo vão afundando cada vez mais no lamaçal das drogas, da violência, da corrupção, da impureza sexual e tantos outros comportamentos horríveis que não vale a pena mencionar.

Por isso, é bom te ouvir Senhor, para não desanimarmos e com isso nos afastarmos de ti; pois, “ante o progresso crescente da iniquidade, a caridade de muitos esfriará. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo”. (Mt 24,12-13). De fato, e para perseverarmos até o fim, temos o maior tesouro que o Pai nos deu, o teu Corpo e Sangue, tua Alma e Divindade, realidade que transpõe a nossa natureza, a ponto de não entendemos tamanha predileção de amor, por quem não se dá merecer o que por graça nos concedestes. Pois tu mesmo disseste: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”. (Mt 28,20b). E assim temos a certeza que não estamos sozinhos.

Destarte, faço minhas as palavras de São Columbano: “Suplico tenhas a condescendência de te mostrares, amado Salvador, a nós que batemos à tua porta para que, conhecendo-te, só a ti amemos, só a ti desejemos, só em ti meditemos dia e noite, sempre pensemos em ti. Inspira em nós tanto amor por ti quanto é justo que sejas, ó Deus, amado e querido. Teu amor invada todo o nosso íntimo, teu amor nos possua por inteiro, tua caridade penetre em nossos sentidos todos. Deste modo, não saibamos amar coisa alguma fora de ti, que és eterno. Uma caridade tamanha que nem as muitas águas do céu, da terra e do mar jamais a possam extinguir em nós, conforme a palavra: E as muitas águas não puderam extinguir o amor (cf. Ct 8,7). Que tudo se realize em nós, ao menos em parte, por teu dom, Senhor nosso, Jesus Cristo, a quem a glória pelos séculos. Amém”. (*).

(*) (Instr.Decompunctione,12,2-3:Opera,Dublin1957,pp.112-114)

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

Anúncios

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A ALEGRIA DA ALMA NO SENHOR

A alma humana, criada “à imagem e semelhança de Deus” (cf. Gn1,26-27), é eterna como o Próprio Criador. Ora, porque Deus é eterno, tudo criou para a eternidade; essa verdade se aplica perfeitamente à alma humana, porque ela é soberana por seu livre arbítrio, que consiste no poder que lhe foi conferido de escolher permanecer em Deus ou não.

Todos os atributos divinos estão presentes como dons em nossas almas: amor, verdade, liberdade, fidelidade, misericórdia, bondade, justiça, mansidão, etc. Mas, por que então temos uma sociedade tão desumana, corrupta, violenta e injusta? Porque os homens não levam mais em conta a vida em sua essência; mas sim a terrível decadência dos valores existenciais, para cultivarem toda espécie de mal, destruindo com isso, a grandeza de sermos “a imagem e semelhança” de Deus. Ora, só é possível atingirmos a plenitude dos desígnios divinos a nosso respeito, se vivermos em conformidade com os dons que de Deus recebemos; caso contrário, nada teremos de bom, mas somente o mal que cultivarmos. É por isso que temos uma sociedade tão desigual, tão pervertida e infeliz.

A verdadeira alegria da alma nasce da profunda união com Deus e de sua permanência Nele, pois Deus é a Fonte do Amor, do Sumo Bem, da Santidade, da Felicidade e da verdadeira satisfação. “Quem a Deus tem, dizia Santa Tereza D’avila, nada lhe falta”. Assim é a alma imersa em Deus e comandada por Ele em suas inspirações e ações; tudo faz para a glória de Deus (cf. Col 3,17), porque Deus é a causa de sua alegria. Vemos essa experiência, por exemplo, no Cântico do Magnificat: “Maria canta o que Lhe vai na alma (“eu glorifico, eu exulto”). Mas é um eu em relação, dirigido a Deus, para descrever o que Deus fez nela e faz pelo Seu povo”.

De fato, a verdadeira alegria é compartilhada, porque é transbordante; na verdade, ela é um bem eterno que se expande, porque irradiante de beleza e esplendor, alcança tudo e todos, até mesmo os corações mais distantes de Deus. A alegria verdadeira é fruto do acolhimento da vontade de Deus em nossa vida, pois ela é revelação da presença de Cristo em nossas almas, que pela Eucaristia nos une a Si, para vivermos Nele a unicidade divina recebida no batismo.

Sei que não estamos ainda na posse definitiva da verdadeira alegria, porque ela é atributo divino; por isso, enquanto aqui estivermos, ela é dom da graça de Deus para nós. Todavia, quando a recebemos como revelação permanente, ela é completa, como nos ensinou São João: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que temos contemplado e as nossas mãos têm apalpado no tocante ao Verbo da vida – porque a vida se manifestou, e nós a temos visto; damos testemunho e vos anunciamos a vida eterna, que estava no Pai e que se nos manifestou -, o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo. Escrevemos-vos estas coisas para que a vossa alegria seja completa”. (1Jo 1,1-4).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: TUA PALAVRA, SENHOR, É ALIMENTO PARA A ALMA…

A verdade a tudo sustenta porque tudo tem sua origem nela; mas sem ela nada se sustenta, porque tudo o que há, não o é por si mesmo e em si mesmo; mas depende cem por cento para ser o que é, porque sem a verdade tudo é apenas contingência determinada. A verdade tudo governa, mesmo quando o livre arbítrio do homem diz que não; isto porque, não há rio sem fonte como não há vida sem quem a dê e a sustente; porque tudo o que não é alimentado pela Fonte Eterna da Sabedoria de Deus, definha até não mais ser.

Aparentemente a verdade é frágil, simples, humilde, é por isso que ela é acessível a tudo e a todos, porque quando todos a vivem há um equilíbrio harmonioso substancial em escala infinita a nos conduzir para além do que temos, podemos, ou entendemos ser por nós mesmos. Assim é a verdade em seu modo de ser, em seu querer e agir para tudo e para todos, porque nada lhe passa despercebido nem mesmo o mais ínfimo respiro. Quanto à nós, em tudo o que vemos e conhecemos naturalmente ou não, só o vemos e conhecemos porque a verdade que está sempre presente, nos dar a ver e conhecer, a agir e conviver, a nos comprometer ou não com o que é diante de nos.

A verdade não só convence pelo que apresenta, mas pelo que ela é. Porque a verdade é permanente e está sempre presente em tudo o que existe e tudo só existe porque a verdade é infinita. No entanto, em meio a tudo o que existe, a mentira persiste em negar o que a verdade é, mesmo sabendo, mas não admitindo, que nunca poderá vencer, visto que a mentira é só embuste em si mesma; na verdade, ela é o cúmulo do egoísmo, o próprio inferno pútrido, nada mais.

Não existe verdades, mas a Verdade. Ela se faz presente em todas as coisas sem ser todas as coisas, porque está acima de todas as coisas. Entretanto, Ela se dá a conhecer a quem a ama acima de todas as coisas. A quem nela crê e se deixa conduzir por Ela, nasce de novo para a vida eterna. Ora, estes não se prendem às coisas passageiras, mas apenas delas usufrui para o bem de todos; porque tudo o que existe só existe em função do devir. Assim, o tempo existe em função da eternidade; as coisas materiais existem em função das coisas eternas; a vida humana existe em função da vida divina, etc. Porque se não fora assim, tudo o que existe de nada adiantaria, visto que aqui tudo tem fim; menos os valores eternos.

Então, quem é a Verdade? A Verdade é Jesus Cristo, o Filho de Deus, “manso e humilde de coração”; espetado vivo numa cruz, morto e ressuscitado. Porta estreita da Salvação, Único nome por quem os homens são salvos. “O Cordeiro de Deus Imaculado que tira o pecado do mundo”. O único que venceu e nos deu vencer com Ele, o pecado, o demônio, a morte e o inferno. O único que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo14,6); “Quem me vê, vê o Pai, Eu e o Pai somos Um” (cf. Jo 14,8-11; 10,30); “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia” (Jo 6,44); “Eu sou o pão da vida. Quem comer deste pão viverá eternamente”. (Jo 6,48.51b). Aquele que está conosco até a consumação dos séculos… E que virá para julgar os vivos e os mortos e o Seu Reino não terá fim… Quem é justo diga sim e permaneça praticando a justiça; quem não é justo, converta-se, pois ainda é tempo de conversão.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A LIBERDADE HUMANA OU LIVRE ARBÍTRIO…

Muito se tem falado sobre a liberdade humana ou o livre arbítrio, como algo que podemos exercer tal como cada um o entende. Mas, nem sempre o que entendemos como livre arbítrio torna-nos livres de fato. Na verdade, o livre arbítrio para ser o que ele é não pode está desvinculado das virtudes que Deus concedeu aos homens quando nos criou, visto que tudo o que Deus criou é bom e foi criado somente para o bem.

Então, quais são essas virtudes que servem de fundamento para o nosso livre arbítrio? Segundo São Gregório de Nissa, virtude é “uma disposição habitual e firme para fazer o bem”, de tal modo que, o fim de uma vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus. Existem numerosas virtudes que se relacionam entre si e que tornam virtuosa a vida. Assim mencionamos as virtudes teologais e as virtudes humanas. As virtudes teologais, cuja origem, motivo e objeto imediato são o próprio Deus, são aquelas infundidas no homem com a graça santificante no batismo, e que os torna capazes de viver em relação com a Santíssima Trindade. São elas: Fé, esperança e caridade (amor). Essas virtudes fundamentam e animam o agir moral do cristão, vivificando as virtudes humanas.

Vejamos agora a virtudes humanas: elas são perfeições habituais e estáveis da inteligência e da vontade humanas. Elas regulam os atos, ordenam as paixões e guiam a conduta humana segundo a razão e a fé. Adquiridas e reforçadas por atos moralmente bons e repetidos, estas virtudes são purificadas e elevadas pela graça divina, fazendo-nos viver em plena comunhão com a vontade de Deus, que nos dá a verdadeira felicidade. São virtudes humanas: a prudência, que “dispõe a razão para discernir em todas as circunstâncias o verdadeiro bem e a escolher os justos meios para o atingir”; a justiça, que é uma constante e firme vontade de dar aos outros o que lhes é devido; a fortaleza, que assegura a firmeza nas dificuldades e a constância na procura do bem; e a temperança que “modera a atração dos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados”, por isso, essa virtude é aplicada aos prazeres. (cf. CIC 1809).

Ora, vivemos num mundo de condicionamentos naturais e também sobrenaturais, porque tudo o que somos e temos, só somos e temos porque recebemos, e ninguém pode duvidar disso. A vida humana e em geral a vida natural se fundamentam na experiência existencial; até mesmo a ciência se baseia nos experimentos para suprir as necessidades mais elementares que se nos quer privar da liberdade. Assim, baseados na experiência existencial, empreendemos o nosso viver, porque tudo em nossa vida depende sempre de nossas decisões, de tal modo que, uma vida virtuosa toma decisões virtuosas, para manter o equilíbrio e o bem estar de si mesmo e de todos; ao passo que, uma vida desequilibrada, baseada nos vícios, toma decisões desastradas e nocivas à tudo e a todos que habitamos este mundo.

Com efeito, já dizia o filósofo, Beato João Duns Scotus: “Ser livre é escolher o Bem, o Sumo Bem e o Sumo Bem é Deus”. São Paulo também escreveu sobre a liberdade humana e assim deixou consignado: “Ora, o Senhor é Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. (2Cor 3,17). E ainda: “Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. (Gal 5,13). “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma”. (1Cor 6,12).

Portanto, a liberdade é uma pérola preciosa com a qual o Senhor nos ornou quando de nossa criação; precisamos manter-nos ornados com essa pérola por meio da obediência, do cultivo da inocência e da prática de virtudes que de Deus recebemos. Eis o exemplo que o Senhor nos deixou: “Disse-lhes Jesus: Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra”. (Jo 4,34). Porque “De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. (Jo 5,30).

Nestas afirmações de Jesus encontra-se a essência da liberdade dos homens, a Vontade de Deus. Por ela realizamos todos os seus desígnios de amor; somos santificados e permaneceremos com Ele aqui e por toda eternidade. Cabe a nós o encargo dessa submissão amorosa e se for preciso, enfrentaremos até mesmo a morte de cruz, contanto que se realize o Seu Plano de Amor e Redenção para a nossa felicidade e de toda a humanidade.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: VIVENDO NA INTIMIDADE DIVINA…

Intimidade é a virtude que só aqueles que têm vida de oração profunda experimentam. Por ela se formam os amigos e interpretes de Deus. Por ela conhecemos quais sejam os desígnios do Senhor naquilo que diz respeito à nossa humanidade e a toda criação.

Por meio dessa virtude vem fora toda uma realidade que transpõe a natureza; é por isso que temos a certeza de que não estamos sozinhos, pois existe um mundo imaterial que nos envolve como mistério de amor, porque a vida tem sua origem no amor de Deus e somente nesse amor ela permanece para sempre.

Ora, por que é que pensamos em Deus e falamos Dele e com Ele? Não é porque Ele se revela àqueles que o amam e se dá a conhecer intimamente aos que o respeitam e temem? “Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança”. ((Sab. 1,1-2).

Creio que todos nós concordamos que o maior desejo de nossas almas é ver a Deus face a face na plenitude do seu amor; é gozar de seu favor perenemente, é viver na sua presença sem a possibilidade de sair dela. Ora, tudo isto já o fazemos por meio da fé; mesmo assim, não estamos isentos da tentação que quer nos tirar esse gozo salvífico da proteção divina que está sobre nós.

Na união mística, que nasce da intimidade da alma com Deus, realizam-se todas as possibilidades da perfeição humana, pois foi isto que nos ensinou o Senhor Jesus: “Eu e o Pai somos um”; “Quem me vê, vê o Pai”; “Eu não vim fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. É por isso que Jesus venceu todos os obstáculos deste mundo e nos deu vencê-los também.

Portanto, viver nessa intimidade de Deus é experimentar Sua Santa Sabedoria agindo em nós, conduzindo os nossos pensamentos, palavras, desejos, sentimentos, vontades e ações de toda natureza para que Deus seja glorificado em nós e em toda a obra da criação para sempre, amém!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: ONDE SE ENCONTRA VERDADEIRA SEGURANÇA?

De posse da vida no mundo, o homem em sua finitude, busca segurança temporal a partir dos meios de que dispõe à seu favor. Assim, procura acumular bens materiais, visando ter neles a segurança necessária para o bem viver, mesmo sabendo que um dia perderá tudo o que tem ou os deixará a outrem, em virtude de sua condição de mortalidade. Todavia, por ter alma imortal tem também uma vocação eterna, por isso, aspira sempre a vida e nunca a morte; a não ser que, por um viver dissoluto, torne-se artífice de sua própria perda. Como revela o Livro da Sabedoria, “Mas, (a morte), os ímpios a chamam com o gesto e a voz. Crendo-a amiga, consomem-se de desejos, e fazem aliança com ela; de fato, eles merecem ser sua presa”. (Sab 1,16).

Então, como ter segurança real, num mundo perverso e violento, onde a todo instante vidas inocentes ou não são ceifadas? Creio que somente por um viver digno, autentico, fundamentado na obediência aos mandamentos da Lei de Deus é que temos verdadeira proteção; a começar pelo amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Também não podemos esquecer que fomos criados por Deus “à sua imagem e semelhança”, dotados de alma imortal, capazes da plenitude da perfeição por meio da vivência das virtudes do Espírito Santo que habita em todos os batizados. Ora, quem vive sob essa segurança divina nada tem a temer, porque mesmo se for pendurado numa cruz, ressuscitará para a vida eterna, pois Deus, Pai Santo e Perfeito, cuida dos seus filhos e filhas e não deixará que se perca um só fio de seus cabelos. (cf. Mt. 10,28-31).

Com efeito, escreveu São Paulo: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados. Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor. Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disto, ações de graças. Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento – verdadeiros idólatras! – terá herança no Reino de Cristo e de Deus”. (Ef 5,1-5).

Por fim, se quisermos ter verdadeira segurança, precisamos viver a nossa consagração a Deus como nos ensina São Paulo: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito”. (Rom 12,1-2).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: AS ARMAS DA VERDADE…

Deus está sempre presente e nenhuma criatura pode contestar isto, haja vista ser Ele quem sustenta a obra de suas mãos. Deus só não está presente no pecado, porque Deus é inacessível ao mal, isto é, o mal não tem acesso a Deus nunca. Assim, somente Deus pode penetrar em Sua Natureza Divina e nos dar a conhecê-la, tal como ela É. (cf. 1Cor 2,19). Por isso, tudo o que conhecemos de Deus só o conhecemos porque Ele nos revelou por Seu Espírito, ao longo da história da salvação nas Sagradas Escrituras, e nos últimos tempos, por meio de Seu Filho, Jesus Cristo, o Salvador da humanidade.

Com efeito, a Carta aos Hebreus nos dá a conhecer essa verdade: “Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas. Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo com o poder da sua palavra. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos céus, tão superior aos anjos quanto excede o deles o nome que herdou”. (Heb 1,1-4).

Ora, Deus jamais iria criar algo tão lindo, como criou o universo e todas as suas criaturas, para que tudo fosse destruído pelo pecado. É evidente que Deus criou tudo por amor e para o amor, e suas obras demonstram isto claramente. Todavia, sabemos que houve um grande desvio de conduta, por parte dos anjos decaídos e da desobediência dos homens (cf. Gen 3,1-5), para que o mal se nos atingisse, como o constatamos no atual momento da criação.

O Senhor, porém, nunca deixou de dar continuidade ao seu Plano de felicidade e de amor eterno. Por isso, enviou seu Filho amado, Jesus Cristo, para nos livrar do pecado e da influência dos anjos decaídos e para nos salvar das consequências do pecado, que é morte eterna. (cf. Rom 8,1-17). Assim, por meio do seu Sacrifício de Cruz, Jesus nos deu o perdão tão necessário para a nossa salvação. Desse modo, o Senhor nos amou até a última gota do Seu Sangue Redentor, e saudou a dívida que tínhamos com Deus Pai, quando da queda no paraíso; e nos enviou o Espírito Santo para nos conduzir, como novo povo eleito, representado por sua Igreja, da qual é a Cabeça e nós somos seus membros. Pôs à frente dela Pedro e seus sucessores para dar consistência ao seu rebanho. E disse: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”. (Mt 28,19-20).

Portanto, a Igreja Católica (=aquela que abrange todo o universo), Apostólica (=fundamentada na sucessão apostólica), Romana (=por ter sua sede em Roma na Itália), é a parte visível do Reino de Deus no mundo. Dela fazem parte todos os batizados, pois o Batismo é uma consagração definitiva à Deus e um vínculo de pertença ao seu Reino; por ele somos seus filhos e filhas, isto é, nascemos na ordem da graça para a vida eterna. Por ele, temos acesso a todos os outros Sacramentos, que são canais de graças para a santificação de nossas almas.

Então, quais são as armas da Verdade? Ser batizado e fazer parte do novo povo de Deus, a Igreja Santa, Católica, Apostólica, Romana; observar os santos mandamentos da Lei de Deus (cf. 1Jo 5,3-4); viver vida sacramental, isto é, se unir a Jesus na Eucaristia, e participar também dos outros Sacramentos, conforme o Senhor nos conceda, pois, como disse, os Sacramentos são sinas visíveis de sua presença e comunicadores de suas graças. Ter vida de oração e meditação da Palavra de Deus, para ouvi-lo e segui-lo fielmente, pois quem ouve a Deus em sua Divina Palavra, nunca se afasta do seu rebanho, pelo contrário, cresce na graça, na sabedoria e no conhecimento do Senhor, porque se deixa conduzir pelo Espírito Santo. (Cf. Gal 5,13-25).

Por fim, usemos a mais eficaz de todas as armas da verdade, o amor incondicional. Pois, eis o que diz o Senhor: “Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros”. (Jo 15,9-14.17).

Portanto, fiquemos vigilantes, como nos ensinou São Paulo: “A noite vai adiantada, e o dia vem chegando. Despojemo-nos das obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz”. (Rom 13,12). “Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares. Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz.
Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus. Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos”. (Ef 6,13-18).

Destarte, amemo-nos uns aos outros intensamente, pois foi assim que o Senhor nos amou até o fim, e nos deu fazer parte de sua Natureza Divina para amarmos de igual modo. E por este amor, nos deu como herança a imortalidade, por isso o seguimos fielmente em tudo rumo ao Reino dos Céus, à Sua Glória Eterna, revestidos das armas da verdade, “brilhando como luzeiros no mundo a ostentar a Palavra da vida”. (Fil 2,16a).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A SENSIBILIDADE DA FÉ…

A fé sensível é aquela com a qual o fiel tem a percepção da presença divina e se mantém nela, traduzindo-a com seu viver. E de onde nasce essa fé? Nos batizados, essa fé é dom carismático, ela nasce da efusão do Espírito Santo quando do nosso batismo, conforme nos ensinou Jesus: “Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus”. (Jo 3,5). E ainda, “Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão”. (Jo 16,13).

Também podemos entender a sensibilidade da fé como uma espécie de vigilância constante (cf. Mt 26,41), onde a alma se mantém na escuta do Senhor a fim de executar os seus apelos de imediato. Podemos também defini-la como dom de oração, conforme nos indicou São Lucas a respeito do ensinamento de Jesus sobre a importância da oração: “Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo”. (Lc 18,1). Ou ainda como dom de intercessão, como nos ensinou São Paulo: “Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos”. (Ef 6,18).

Vejamos alguns exemplos de sensibilidade da fé. De nossa boca só pode sair a verdade, porque somos filhos da Verdade, por isso, o que falamos, tem que ter a importância de nossa salvação, conforme nos ensinou Jesus (cf. Mt 12,33-37). Então, que os nossos pensamentos concordem com as palavras de nossa oração e com a prática das virtudes, caso contrário, falamos apenas da “boca pra fora”, mas sem proveito algum de nossa oração, porque toda oração que fizermos precisa ser conforme a vontade de Deus para a nossa vida, caso contrário, não seremos escutados. (cf. Is 29,13-15).

Outro exemplo de sensibilidade da fé: sabemos que o tempo nos foi dando como um condutor para Deus, por isso, todo tempo que temos é tempo de vivermos para Deus, porque é Deus quem nos dá todas as graças e bênçãos para sermos felizes (cf. 2Cor 6,1-2). Mas, o que estamos fazendo com o tempo que nos é dado? Muitos se esquecem de vivê-lo para Deus. Por exemplo, a nossa participação na Santa Missa todo domingo e dias de festa, conforme o mandamento do Senhor. Ora, muitos são os batizados, mas que não participam de nada referente à vivência da fé; outros até participam da Santa Missa, mas chegam frequentemente atrasados e mesmo assim vão comungar.

Outros ainda, têm tempo para os “amigos”, o futebol, a televisão, e outros entretenimentos, mas não têm tempo para a família, nem para rezar o santo Rosário ou ler a Sagrada Escritura, e muito menos para participar de sua comunidade. Ou seja, têm tempo para quase tudo, menos para Deus. O resultado é uma fé insensível, indiferente, frívola, etc., sem prática alguma das virtudes, mas com uma tremenda inclinação para os vícios; e os filhos, seguem o mesmo caminho da indiferença dos pais. Desse modo, as famílias estão se desestruturando; a droga e o desvio comportamental estão imperando entre os jovens, causando um sem número de viciados, pervertidos e mortos.

Por fim, o que mais posso falar sobre a sensibilidade da fé? Homens e mulheres sensíveis à fé são aqueles que vivem da fé, conforme nos falou o profeta Habacuc: “Eis que sucumbe o que não tem a alma íntegra, mas o justo vive por sua fidelidade”. (Hab 2,4). Assim, eis o que diz o Senhor: “Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus”. (Miq 6,8).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: TUDO O QUE EU QUERO, SENHOR, É FAZER A TUA VONTADE…

Dada a brevidade da vida neste mundo, que posso eu querer Senhor, fora do teu querer? Aqui tudo é efêmero, pois, por mais que tenhamos, ainda assim não estamos satisfeitos totalmente, porque há sempre algo a nos incomodar, seja lá o que for. É por isso que preciso tanto de Ti Senhor em minha vida, porque a segurança que encontro no mundo, não é como a segurança que encontro em Ti; aqui a segurança não é segurança, porque advém do medo, das preocupações, da vulnerabilidade, da falta de perspectiva, etc.; e tudo isso por causa do pecado.

Enquanto que a segurança que nos advém de Ti nasce da consciência tranquila em tua presença, da obediência incondicional aos teus mandamentos, do amor a Ti acima de todas as coisas, do profundo relacionamento contigo pela oração, na vivência dos sacramentos e de tua mão a nos sustentar em meio às provações e desafios de fé que enfrentamos todos os dias neste vale de lágrimas que estamos. Porque se não estivésseis conosco Senhor, não suportaríamos um segundo sequer, e já teríamos sucumbidos.

Então, por que ainda estamos aqui? Creio que, porque não nos santificamos o suficiente para darmos um testemunho mais eficaz de tua presença Senhor. Creio ainda que é porque não chegou o tempo previsto por tua divina providência, para empreenderes o julgamento de tuas criaturas, conforme a graça e a liberdade que lhes destes. Mas creio, sobretudo, que é por causa de tua divina misericórdia que ainda nos suportas e suportas tantos desvarios e tantas contrariedades que te causamos com nossos pecados. Talvez seja também pelo teu desejo de que, quem sabe, ainda muitos se convertam e voltem arrependidos ao teu convívio paternal, sem praticarem mais nenhum mal, e assim, sentirem-se redimidos pelo sangue de Cristo Jesus, teu Filho muito amado.

Ah, Senhor! Quem dera amar com o teu amor, quem dera ser o filho que tanto desejas que eu seja; quem dera só pensar o que pensas, só fazer o que fazes e só viver o que vives, assim, nada mais me impediria de ter tua eternidade dentro de mim e poder enfim abraçar a felicidade de que dispões para aqueles que te obedecem incondicionalmente, como Te obedeceu prontamente o teu Filho, Jesus, até a morte e morte de cruz.

Sei que estou muito longe de atingir a plenitude da perfeição espiritual de que dispões a meu favor, mas que posso eu esperar Senhor de mim mesmo, se em mim não Te encontrar? Por isso, preciso do eu original, isto é, sem pecado, sem o qual não posso amar meus irmãos como me ensinas a amar em Cristo Jesus; eis as lições que ele nos deu:

“Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós”. (Mt 5,11-12). E ainda: “Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito”. (Mt 5,44-45.48).

Senhor, é assim que eu quero viver, por isso peço humildemente, ajude-me a conseguir a obediência perfeita; ajude-me a conseguir o amor incondicional com que devo lhe amar e amar meus irmãos e irmãs; ajude-me a querer a sua vontade totalmente em meu modo de pensar, de falar e de viver, assim terei uma única ocupação: buscar em primeiro lugar o Reino dos Céus e a sua justiça (cf.Mt 6,33-34). Amém!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A ORIGEM DO PECADO…

“Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom”. (Gn 1,31a).

Pesquisando na Sagrada Escritura sobre o pecado original percebi que ele não é de ordem natural, mas tem sua origem na desobediência dos anjos decaídos. Pois assim está escrito: “Ora, Deus criou o homem para a imortalidade e o fez à imagem de sua própria natureza (ou seja, para ser um só com Ele). É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão”. (Sab 2,23-24).

De fato, a condição pecaminosa do demônio e seus sequazes é eterna por causa de sua natureza espiritual e não tem como reverter isso, porque é fruto de sua decisão livre e intencional de não amar e não servir a Deus definitivamente, ou seja, o demônio criou seu próprio reino, só que de infelicidade e miséria eterna, porque, com disse Jesus: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 3,5). Em outras palavras, ele quis ser como Deus por si mesmo (cf. Gen 3,1-3; Is 14,13-15; Ez 28,12b-19), isto é, sendo apenas uma criatura espiritual, não criado “à imagem e semelhança de Deus”, como o homem, se rebelou contra Deus. Ora, o nome desse pecado é desobediência, soberba, porque é impossível a uma criatura ser, por si mesma, como Deus. Assim, conhecemos que o pecado tem sua origem na queda dos anjos, e que passou para o homem também pela desobediência deste em aceitar as sugestões do maligno, todavia, esta falta do homem é passível de perdão e reparação, por causa da inferioridade da natureza humana e pelo o homem não ser culpado pela origem em si do pecado.

Desse modo, compreendemos o porquê da morte, ela é a punição para o pecado da soberba e todos os outros pecados mortais (cf. Rm 6,23). Quanto à morte temporal, ela só existe em função do julgamento que haveremos de ter, pois nenhum homem pode ver a Deus neste mundo e permanecer vivo (cf. Heb 9,27; Ex 33,20); enquanto que o demônio já foi julgado e condenado (cf. Jo 16,5-11). Isto porque fomos criados com uma natureza um pouco inferior à natureza dos anjos, mas dotados de alma imortal, criada “à imagem e semelhança de Deus”. Por outro lado, a morte eterna, significa a separação definitiva de Deus, e esta a experimenta quem, pelo pecado, insiste em não amar e não servir a Deus, como o fizeram os anjos rebeldes com seu chefe, o demônio.

Depois que Jesus veio e nos libertou do pecado (cf.1Jo 3,5-6; Rom 8,1-2), só é possível voltar ao pecado pela decisão consciente de cometê-lo, contrariando assim a liberdade interior que Deus nos dá pelo estado de comunhão com sua vontade. São Tiago em sua carta (cf. Tg 1,12-16) nos ensina que o pecado é concebido na mente humana a partir das concupiscências que são tendências, apegos à aquilo que é transitório, momentâneo, fugaz, etc.; ele não é algo aleatório ou que aparece do nada, ele é o mal cultivado pelo ser humano em suas decisões pré-concebidas. Por isso, o pecado é como um veneno letal que vai destruído aos poucos a vida de quem o pratica, até dar cabo dela. Isto porque o pecado, quando concebido e praticado, é uma espécie de mancha espiritual terrível que gruda na alma e passa a encobrir todas as suas boas aspirações; quem se deixa manchar por ele, vive o desespero que lhe é próprio, isto é, vive com uma espécie de tormento que causa todo tipo de mal estar, até atingir seu nível mais alto de turbulência que é a depressão e todos os distúrbios infernais que sufocam o ser humano.

Assim sendo, podemos afirmar que a expressão máxima do pecado é o ódio a Deus e às suas criaturas. São João, se referindo aos que cultivam este estado mórbido de alma, escreveu: “Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que fomos trasladados da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. Quem odeia seu irmão é assassino. E sabeis que a vida eterna não permanece em nenhum assassino”. (1Jo 3,13-15). Jesus ao falar a esse respeito, disse: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia”. (Jo 15,18-19). Por isso, São João nos alerta: “Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente”. (1Jo 2,15-17).

Vejamos o que diz ainda o Senhor sobre o mal do pecado, que é a causa da destruição humana e de todas as demais criaturas: “Ora, o que sai do homem, isso é que mancha o homem. Porque é do interior do coração dos homens que procedem: os maus pensamentos, devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem”. (Mc 7,20-23). Por isso, “Não procureis a morte por uma vida desregrada, não sejais o próprio artífice de vossa perda. Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. Nelas nenhum princípio é funesto, e a morte não é a rainha da terra, porque a justiça é imortal”. (Sab 1,12-15).

Por fim, como vimos, o pecado é uma chaga espiritual aberta na alma humana, cujo único remédio é a graça do perdão concedido por Deus através do Sacrifício expiatório do Seu Filho, Jesus Cristo, que por sua obediência amorosa se entregou ao Pai para a nossa salvação. Desse modo, mediante o Sacramento do Batismo, temos de volta o estado de graça, perdido pelo pecado original, pois é no Batismo que se dá o “novo nascimento” na ordem da graça e nossa entrada no Reino de Deus, cuja parte visível é a Igreja. É como escreveu São Paulo: “Fomos, pois, sepultados com Cristo na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova”. (Rm6,4).

Aqueles, porém, que mesmo depois de batizados, voltarem a cometer pecados mortais, precisam do Sacramento da Penitência para a expiação desses pecados. Para isto, o Senhor exige de tais penitentes, por meio desse Sacramento, o arrependimento sincero, a confissão dos pecados, o perdão sacramental, a penitência e a reparação necessárias, que não somente apaga e extingue todo pecado praticado, como também livra das consequências eternas que estes trariam.

Destarte, oremos com o seráfico pai São Francisco de Assis:

“Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa morte corporal
da qual nenhum homem vivente pode escapar.
Infelizes aqueles que morrem em pecado mortal;
bem-aventurados aqueles
que se encontram em tua santíssima vontade
porque a morte segunda não lhes fará mal.

Louvai e bendizei a meu Senhor
e agradecei e servi-o com grande humildade”.

(São Francisco de Assis).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.