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AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XXIII)

Rainha dos Anjos

A oração, como dádiva do Espírito Santo em nossa alma, sempre foi e sempre será o dom que mais nos aproxima de Deus, especialmente quando nos dedicamos a ela ou pedimos a intercessão da Virgem Mãe, e dos santos e santas. Por esse dom, gozamos da intimidade divina e de todas as graças que Deus dispõe à nosso favor. Ora, nenhuma criatura é mais íntima de Deus que a Santíssima Virgem Maria, pois, Deus mesmo gerou em seu ventre Seu Filho amado, aquele que é o Senhor e Rei do céu e da terra, e fez de sua Mãe rainha dos anjos, dos homens e de todos os santos e santas de Deus.

Existe uma oração belíssima dirigida a Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, pedindo sua intercessão, na luta contra o pecado e contra as hostes do maligno os anjos decaídos; a fim de nos mantermos de pé diante do Altíssimo, para caminharmos sempre pelo caminho da salvação com o auxílio dos santos anjos, guiados pela Virgem Mãe. Essa oração foi confeccionada pelo Padre Luis Eduardo Cestac, fundador da Congregação das Servas de Maria (Anglet); e depois, “foi aprovada por vários Bispos e Arcebispos. Em 8 de junho de 1908, o Papa São Pio X concedeu 300 dias de indulgência a todas as pessoas que a recitarem”.(*)

Eis a oração: “Augusta Rainha do Céu e altíssima soberana dos Anjos, vós que desde os primórdios recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, humildemente vos rogamos, enviai vossas santas legiões de Anjos, a fim de que à Vossa Ordem e pelo vosso poder persigam os espíritos infernais e em toda a parte os combatam, confundindo-os em sua arrogância e arrojando-os para o abismo”.(*)

Rainha dos Patriarcas

Com o pecado de Adão e Eva, Deus foi, como que posto de lado, por causa do pecado, pois em Deus não há pecado. Deus, porém, em seu infinito amor jamais abandonou o homem nesse seu infortúnio, pelo contrário, teve compaixão e prometeu um salvador (cf. Gen 3,16) que viria a este mundo para libertar a humanidade e toda criação. Ao longo da história humana Deus renovou constantemente sua promessa, fazendo alianças com os homens, até que se cumprisse plenamente o que houvera prometido; assim foi com Noé, Abração, Isaac, Jacó, Moisés e todos justos que vieram depois deles.

Com a encarnação do Verbo, no seio virginal de Maria, Deus cumpriu a sua promessa e se estabeleceu definitivamente no meio de nós. De fato, Jesus mesmo nos ensinou:”Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem! Eu vos declaro, em verdade: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram”. (Mt 13,16-17). Desse modo, compreendemos que em Maria, Deus cumpriu o que houvera prometido aos Antigos Patriarcas, enviando o Messias nascido de seu ventre. Assim, Jesus é a plenitude do cumprimento dessa promessa; e por ele, Maria tornou-se Mãe e Rainha de todo o povo de Deus, desde os santos Patriarcas do Antigo Testamento, até nós que formamos a Igreja da Nova e Eterna Aliança, firmada em Seu Sangue Redentor.

Rainha dos Profetas

Por que Maria é invocada como mãe dos profetas? Porque “a grande missão de todos os profetas foi anunciar ao mundo a vinda do Salvador, e Maria sempre esteve no coração desta grande profecia”. No início do Evangelho de São Mateus, Deus confirmou essa verdade revelando-a a São José: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco” (Mt 1,20-23).

De fato, à todos os profetas Deus sempre se deu a conhecer como “Deus conosco”, isto é, o sempre presente, porém, na Encarnação do Seu Verbo, Deus foi além, tornou-se “carne de nossa carne e sangue de nosso sangue”, obviamente no seio da santíssima Virgem Maria. Assim, os profetas tiveram um papel fundamental na revelação desse Grande Mistério e do seu anúncio, e Maria como Mãe do Salvador, tornou-se Rainha de todos esses profetas que hoje se encontram no paraíso, participando do Reino de Deus. Por fim, como Rainha dos Profetas, ela mesma assumiu esse dom da profecia quando profetizou as maravilhas de Deus, no seu belíssimo Cântico do Magnificat (cf. Lc 1,46-55).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

(*)(http://saopio.wordpress.com/2008/01/25/oracao-a-rainha-dos-anjos/)

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AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XXII)

Consoladora dos aflitos

De fato, por causa dos pecados praticados neste mundo, somos constantemente açoitados e massacrados pelos mais terríveis flagelos que a humanidade talvez jamais tenha conhecido em tamanha proporção: guerras, fome, tsunamis, doenças incuráveis, famílias destroçadas, violência desenfreada; o flagelo das drogas e toda espécie de maldades, que ficamos pasmos ao ver ou ouvir tais relatos, a ponto de nos causarem asco e medonho pavor.

Todavia, somos observados constantemente por Deus que se faz presente e cuida de nós. Ele conhece todos os desafios existenciais e aflições que passamos, sabe também como nos dar alento e nos fortalecer em nossa fé, para vencermos o mal que se alastra neste mundo. Por isso, como Pai amoroso que é, nos deu uma mãe consoladora que nos consola em todas as aflições com sua santa interseção, para nos livrar das tentações e perseguições de toda espécie que o mundo se nos impõe, tentando nos desestabilizar e nos afastar da graça da salvação.

Quando do caminho da cruz, Maria foi a primeira a consolar o seu Filho amado em sua dor; já bem antes, quando da perseguição do menino Jesus por Herodes, a Virgem mãe lhe aconchegou em seus braços, livrando-o do medo e da morte que o infeliz tirano queria causar-lhe; também nas bodas de Canaã, Maria interviu e a aflição daquela família deu lugar ao vinho novo da alegria, que se lhe veio pelo milagre realizado por Jesus. Assim também nós, toda vez que recorremos à nossa mãe amada em nossas aflições, somos prontamente atendidos e consolados. Maria Santíssima, sabe muito bem como nos consolar, pois também ela sofreu a aflição da perca do seu Filho Jesus por três dias quando da visita anual ao Templo e também quando de sua morte na cruz. Ó Maria, consoladora dos aflitos, consolai-nos ó Mãe neste vale de lágrimas!

Auxílio dos cristãos

Com efeito, Jesus nos ensinou: “Tudo é possível ao que crê”. (Mc 9,23b), ele disse isso a um pai que lhe pedia a cura de seu filho, ao que o pai respondeu: “Eu creio, Senhor! Mas vem em socorro à minha falta de fé!” (Mc 9,24b). De fato, os homens usam o poder que têm, mas diante de certas circunstâncias se veem impotentes e logo recorrem a alguém que os ajude, para que possam vencer suas impotências ou incapacidades. Também nós que acreditamos, em certos momentos, nos vemos diante de fatos ou circunstâncias que nos levam a recorrer ao poder da fé, mas, às vezes, ficamos com que impotentes ou paralisados sem solução alguma, e por isso precisamos de um auxílio salvador que nos ajude. Ora, Deus em seu infinito amor, nos dá, na mãe de Jesus e nossa mãe, um auxílio perfeito para nos ajudar a vencer todos os obstáculos circunstanciais com os quais nos deparamos ao longo de nosso viver, ou no caminho de nosso calvário.

Antes de rezarmos o santo terço, normalmente fazemos a seguinte oração: “Debaixo de vossa proteção nos refugiamos, ó Santa mãe de Deus. Não desprezeis nossas súplicas em nossas necessidades, mais livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Senhora nossa, Advogada nossa, Medianeira nossa! Com vosso Filho nos reconciliai, ao vosso Filho nos recomendai, ao vosso Filho nos apresentai! Amém”. Aqui se percebe claramente quão maravilhosa é a nossa devoção à Santa Mãe de Deus e como somos amados por nosso Pai Celeste. Ó Maria, auxílio dos cristãos, rogai por nós que recorremos a vós e nos alcançai do Senhor os auxílios necessários para a nossa salvação!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.

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AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XIX)

Rosa mística

Mística é o modo de ser da alma imersa na graça santificante do Senhor; diz-se ainda da alma piedosa conduzida pelo Espírito Santo e totalmente obediente à vontade de Deus. Assim, gozando da intimidade do Altíssimo, segue os seus conselhos fielmente e se deixa tomar por seu infinito amor para amar o Senhor acima de todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo, isto é, como Deus quer.

Ora, pela experiência que temos em nossa naturalidade, sabemos da delicadeza das flores, seu perfume, sua beleza e esplendor. Pois, o que seria da natureza sem as flores e sua beleza esplendorosa? Sem o odor agradável que elas nos trazem? Também, em nossos relacionamentos e forma de expressão, as flores estão presentes desde o nosso nascimento aos mais diversos acontecimentos de nossa vida; até mesmo nas coroas que enfeitam os esquifes, desde os mais pobres aos mais ricos. E, sem dúvida alguma, a rosa é a flor que mais se destaca entre as demais. Na verdade, a rosa é a rainha das flores. É aquela que possui de forma mais definida e esplêndida tudo quanto caracteriza uma flor. Igualmente Nossa Senhora, no campo da vida espiritual ou mística, possui de forma mais primorosa tudo aquilo que representa a perfeição.

Assim, Maria Santíssima é Rosa Mística, porque em sua delicadeza de filha amada, esposa do Espírito Santo e Mãe do Filho de Deus, deixou-se tomar pelo Perfume Odorífico de Seu Senhor e Pai Eterno, para ficar na história da humanidade como a Nova Eva, mãe da Nova Criação. Maria é de fato, a mais Bela flor do Jardim de Deus, aquela que exalou o mais agradável Odor de nossa Salvação, pelo Filho amado que trouxe em seu ventre e nos libertou do pecado e de toda escravidão.

Ó Mãe Santíssima, és a Rosa Mística que embeleza o novo Jardim do Éden, onde não mais existe pecado algum nem a presença do mal; onde todos os teus filhos e filhas, em santidade e justiça, embelezam, quais flores redimidas por teu Filho Jesus Cristo, os canteiros do Jardim da Glória de Deus por toda a eternidade. Amém!

Torre de Davi

“Lemos na Sagrada Escritura que o rei Davi tomou a fortaleza de Jerusalém dos Jebuseus e edificou a cidade em torno dela. “E Davi habitou a fortaleza, e por isso se chamou cidade de Davi” (1Cro 11,7). Naturalmente, o rei Davi fortificou a cidade, para torná-la inexpugnável, e a dotou de forte guarnição. A Igreja Católica é a nova Jerusalém, e nela temos uma torre ou fortaleza que nenhum inimigo pode invadir ou destruir, que é Nossa Senhora”, porque onde não há pecado, não há lugar para o mal nem para os inimigos da fé. Por isso, ela constitui o ponto de maior resistência e melhor defesa da nossa fé Católica. “Assim, nesta invocação, honramos a Virgem Santíssima reconhecendo que nunca houve, nem haverá quem melhor proteja os fiéis e defenda a honra de Deus do que Ela”.

Torre de Marfim

“O marfim é um material que tem características raras na natureza. Ele é ao mesmo tempo muito forte e muito claro”. Igualmente Nossa Senhora é espiritualmente fortíssima, a maior inimiga dos inimigos de Deus, e de uma pureza e santidade alvíssima. “Assim Ela contraria a falsa ideia de que as coisas de Deus devam ser sempre muito doces, suaves e fracas, ou que a verdadeira força têm-na os impuros”.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (VII)

Espelho de justiça

A justiça é tão importante para a unidade e o bem estar da humanidade, que o Senhor reservou uma bem-aventurança só pra ela: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!” (Mt 5,6). De fato, não existe paz, alegria, amor, felicidade, onde a injustiça impera, por isso, a justiça é condição “sini qua non” (sem a qual não pode ser) para que haja equilíbrio em nossa sociedade, para que a verdade e a igualdade prevaleçam e sejam fundamentos de nossas mútuas relações.

Deus é infinitamente Justo e quando quis revelar sua Divina Justiça, fez vir a este mundo o Seu Filho, Justo e Santo, nascido do ventre santo de Maria, para justificar, pelo derramamento de Seu Sangue, todo homem nascido neste mundo, como nos ensinou São Paulo: ”Deus o destinou para ser, pelo seu sangue, vítima de propiciação mediante a fé. Assim, ele manifesta a sua justiça; porque no tempo de sua paciência, ele havia deixado sem castigo os pecados anteriores. Assim, digo eu, ele manifesta a sua justiça no tempo presente, exercendo a justiça e justificando aquele que tem fé em Jesus.” (Rom 3,25-26). Desse modo, compreendemos que Maria santíssima, reflete como num espelho, qual aurora vespertina, a Justiça do Altíssimo, trazendo-a visivelmente a este mundo na pessoa do seu Filho, Jesus Cristo, concebido do Espírito Santo. Em Maria, a serva fiel e justa, brilha a luz da Justiça divina, porque ela é a primeira justificada e redimida pelo Messias, que veio a este mundo, por meio dela, para nos salvar.

Sede da sabedoria

A Sabedoria de Deus, o Divino Espírito Santo, pela Vontade do Altíssimo, desde a concepção imaculada da Virgem Maria, passou a conduzi-la e a fez, pelo seu sim, conceber Jesus. A partir de então, Maria Santíssima, passou também a ser Sede da Sabedoria de Deus, e a expressou ao mundo como Tesouro Inesgotável de Justiça e Santidade, pela ação do mesmo Espírito Santo que nela passou a habitar definitivamente, pois, Jesus é o Emanuel, Deus conosco e no meio de nós, Aquele que nos ensina como chegar ao Reino dos Céus, à Glória de Deus Pai.

Com efeito, assim escreveu o hagiógrafo no Livro de Sabedoria: “Há nela, um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, claro, inofensivo, inclinado ao bem, agudo, livre, benéfico, benévolo, estável, seguro, livre de inquietação, que pode tudo, que cuida de tudo, que penetra em todos os espíritos, os inteligentes, os puros, os mais sutis. Mais ágil que todo o movimento é a Sabedoria, ela atravessa e penetra tudo, graças à sua pureza. Ela é um sopro do poder de Deus, uma irradiação límpida da glória do Todo-poderoso; assim mancha nenhuma pode insinuar-se nela”.

“É ela uma efusão da luz eterna, um espelho sem mancha da atividade de Deus, e uma imagem de sua bondade. Embora única, tudo pode; imutável em si mesma, renova todas as coisas. Ela se derrama de geração em geração nas almas santas e forma os amigos e os intérpretes de Deus, porque Deus somente ama quem vive com a sabedoria! É ela, com efeito, mais bela que o sol e ultrapassa o conjunto dos astros. Comparada à luz, ela se sobreleva, porque à luz sucede a noite, enquanto que, contra a Sabedoria, o mal não prevalece”. (Sab 7,22-30).

Causa da nossa alegria

A alegria é um sinal de vitória, ela expressa a felicidade que nos invada e torna nossa vida um mar sem fundo, transparente, límpido, pleno de satisfação. A alegria verdadeira é fruto do Espírito Santo na alma humana, ela é dom inefável da glória do Altíssimo presente nos corações obedientes que o amam e o servem dia e noite sem cessar. (cf. Sl 1,2). Quando tratamos das alegrias de nossa Senhora, tratamos também da nossa, pois ela é a causa de nossa alegria eterna, porque por ela nos veio o salvador de nossas almas, Aquele que nos dá a alegria da ressurreição, da vida eterna.

Nós, franciscanos, temos a felicidade de celebrarmos na coroa franciscana as alegrias de nossa Senhora, justamente porque Maria é Mãe e modelo da perfeita alegria. Portanto, sábio é todo aquele que, como Maria, se deixa tomar pela Sabedoria Divina e a expressa, quer seja por suas palavras, quer seja por uma vida digna que saboreia as graças inefáveis de Deus e as transbordam quais torrentes cristalinas.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (VI)

VIRGEM PODEROSA

Jesus é a Palavra Viva de Deus, o Verbo da Vida. “Ele é a Imagem de Deus invisível, como escreveu São Paulo, o Primogênito de toda criatura. Nele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as criaturas visíveis e invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por ele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas as coisas subsistem nele. Ele é a cabeça do corpo, da Igreja”. (Col 1,15-18).

Ora, esse é Jesus, o Filho de Deus. O mesmo que se fez homem pelo Espírito Santo no seio de Maria, Ele que disse: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra”. (Mt 28,18). Então, todo poder habitou no seio virginal da Mãe de Deus quando da encarnação do Verbo, e isso se constitui num dos maiores Mistérios do amor de Deus, a humana criatura recebe-o no seu ventre, Ele que criou todas as coisas. Logo, entendemos que o poder da Virgem é seu Filho Jesus Cristo, que “tem todo poder sobre o céu e a terra”. Ela permanece unida a Ele pelos laços sanguíneos, pois 100% do DNA de Jesus veio de Maria; ela permanece unida a Ele pelos laços afetivos como mãe e tutora; e espiritualmente pela ação Espírito Santo, que os une perfeitamente, desse modo, Deus quis que a Virgem participasse diretamente de seu Poder Divino. Assim, entendemos perfeitamente o que significa a expressão: “imagem e semelhança de Deus”, porque a Virgem poderosa se tornou uma só com o seu Criador e Pai nosso.

Virgem clemente

Em Maria Santíssima, as virtudes atingem toda sua plenitude, porque sua perfeita comunhão com o Espírito Santo a leva ao bem infinito, e este transborda até nós por sua maternal intercessão. A virtude da clemencia se traduz pela sensibilidade do coração em perceber os sofrimentos, as dores e as angustias que os seres humanos padecem, por não estarem gozando ainda do bem eterno, e amenizá-los para que tenham o consolo necessário para um viver temporal harmonioso e feliz. Desse modo, a Virgem Clemente se compadece da angustia de seus filhos e filhas, cuidando de consola-los em suas dores e sofrimentos, tornando-se assim refrigério para as nossas almas.

Existe uma oração belíssima suplicando à Virgem Maria sua clemência e compaixão para conosco, é a oração da Salve Rainha:

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei; e depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria. Rogai por nós, santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

Virgem fiel

Quando recebemos um grande presente, este se torna para nós motivo e fonte de alegrias inefáveis, por isso, jamais nos desfazemos dele, isto é, procuramos ser fiéis à dádiva recebida por toda vida; porém, por essa fidelidade ao Senhor, partilhamos sua dádiva com os demais, multiplicando-a ao infinito.

De fato, Maria Santíssima recebeu o Bem da Vida Eterna em seu Filho, Jesus Cristo, e por sua fidelidade ao Pai Eterno e ao seu Plano de salvação, o deu a toda humanidade, como dom de nossa redenção. Portanto, ser fiel ao que recebemos de Deus aqui é ser fiel nas pequenas coisas, pois, como disse Jesus: “Quem é fiel nas pequenas coisas também será fiel nas grandes”. Em outras palavras, quem é fiel ao que recebeu de Deus no tempo, também será fiel à sua herança eterna no devir que o Senhor preparou para aqueles que o amam e o seguem fielmente como o fez a Virgem Santíssima.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (II)

Mãe da divina graça

Quando tratamos do mistério da fé aquilo que primeiro pensamos é a graça de Deus, porque dela precisamos permanentemente. A vida humana e a vida em geral é traduzida por dependência, exatamente porque dependemos em tudo para que a vida seja plena, quer em sua naturalidade quer para além de sua naturalidade. O apóstolo São João assim escreveu em seu Evangelho: ”Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça. Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou”. (Jo 1,16-18).

Ora, Maria é a mãe da divina graça porque toda a graça divina nos veio por seu Filho Jesus Cristo como escreveu o apóstolo São João. Assim também nos ensinou São Paulo: “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo…” (Ef 1,3). Logo, essa invocação corresponde perfeitamente à Sagrada Escritura, e a própria Virgem Mãe testifica essa verdade revelada por Deus: “porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo”. (Lc 1,49).

Mãe puríssima

Puríssima é a mãe do puro amor, ou seja, sem mancha alguma, porque somente habitada por Deus. A feliz mãe do Senhor nos dá esse testemunho de pureza, pois somente a ela foi dado o privilégio de ser a mãe do Único Filho de Deus feito homem. De fato, Deus criou o homem e a mulher em estado de graça, isto é, perfeitos, sem a mancha do pecado. Com Maria, deu-se o mesmo fenômeno, ela foi redimida desde sua concepção, por isso, ela é puríssima em todos os sentidos. É isso o que nos revela São Lucas na visitação do anjo: “Entrando o anjo disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo’”. (Lc 1,28). Assim compreendemos que Maria é a mais pura das criaturas em vista, como revelou São Lucas, do “ente santo”, que dela nasceu.

Mãe castíssima

A castidade é a virtude própria dos filhos e filhas de Deus, pois todos nascemos castos, isto é, consagrados naturalmente a Deus por nossa virgindade inata. Em Maria Deus elevou essa virtude à plenitude, ou seja, à dignidade de atributo, aquilo que lhe é próprio por toda vida, porque mesmo dando a luz, Maria permaneceu casta em toda a sua integridade, isto é, virgem antes, durante e depois do parto. Portanto, nunca houve contato psíquico, físico-sexual entre a mãe de Deus e qualquer criatura neste mundo, desse modo, o ser castíssimo de Maria advém de sua escolha e missão que se perpetua por toda a eternidade. Ninguém jamais receberá esse privilégio, porque a mãe do Senhor é a única que o recebeu.

Mãe Imaculada

Quando em Lourdes, na França, Maria em visão apareceu à pequenina Bernadette de Soubirous, esta a contemplou, e assim descreveu: “Uma vez finalmente, com os braços para frente, ela olhou para o céu em sinal de profunda humildade e obediência a Deus e disse-me: “EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO”. Ou seja, a Virgem Mãe confirmou o que as Escrituras Sagradas já havia revelado a respeito de quem era a mãe do Messias, o enviado de Deus para a salvação de toda humanidade (Cf. Is 7,14; Lc 1,26-35). Felizes de nós que também somos seus filhos por adoção, (Cf. Jo 19,26-27), porque desse modo temos no céu uma mãe imaculada que intercede por nós junto a Jesus, seu Filho e Filho de Deus muito amado.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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